Tim Cook batalha contra governo dos EUA por segurança de usuários do iPhone

Depois de pedido do FBI, CEO da Apple decidiu publicar uma carta aberta dizendo estar chocado e ultrajado pelo pedido

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Por Paula Zogbi

17 de fevereiro de 2016 às 11:49 - Atualizado há 4 anos

O governo norte-americano quer invadir o iPhone 5C de um atirador, e Tim Cook não gostou nada disso. Mais especificamente, ficou “chocado e ultrajado”.

Depois da solicitação, feita pelo FBI, de acesso a dados do celular de Syed Farook, um atirador envolvido em um tiroteio em massa ocorrido na Califórnia em novembro, o CEO da Apple publicou uma carta aberta aos clientes criticando o órgão. 

Além de solicitar a remoção do limite de vezes que senhas diferentes podem ser testadas, o governo quer que o iOS passe a aceitar que as senhas sejam inseridas automaticamente – para poder desbloquear o aparelho do criminoso. Como resposta, a Apple disse que isso abriria um precedente que poderia resultar em abuso desse tipo de medida: “o governo norte-americano pediu algo que simplesmente não temos, e consideramos muito perigoso criar”, diz a carta.

“As pessoas usam [smartphones] para armazenar uma quantidade incrível de informações pessoais, desde conversas pessoais a fotos, músicas, anotações, calendários e contatos, informações financeiras e dados de saúde, ou mesmo os lugares que estivemos e para onde iremos”, escreve Cook. “Comprometer a segurança dessas informações”, completa, “pode colocar nossa segurança pessoal em risco”.

Ele vai além, dizendo que argumentar a favor da solução é ignorar “tanto o básico da segurança digital quanto o significado do que o governo está demandando nesse caso”.

No ano passado, a Casa Branca chegou a dizer que não tentaria banir a criptografia de dados, que especialistas de tecnologia consideram essencial para a proteção dos usuários – entretanto, não foi criada nenhuma legislação que impedisse esse banimento no futuro concretamente.

Alguns políticos temem que criptografias impossíveis de hackear possam ser prejudiciais para investigações de ilegalidades – até mesmo por parte das próprias companhias.