Startup movimenta mais da metade de compras e vendas de bitcoins no Brasil

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Por Lucas Bicudo

6 de outubro de 2016 às 17:05 - Atualizado há 4 anos

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No início dos anos 2000, quando o termo globalização estava bastante em pauta, ainda se procurava entender o aprofundamento internacional da integração econômica, social, cultural e política, que poderia minimizar as barreiras entre países. Se em termos político-geográficos estas fronteiras ainda não foram rompidas, o mesmo não se pode dizer do mundo digital.

Neste ponto, sem dúvida, a internet mais do que serviu para aproximar as pessoas, pois também provocou mudanças profundas e significativas no modo como o mundo interage, inclusive em um dos segmentos tido até há pouco tempo como um dos mais tradicionais: o financeiro. E é justamente neste cenário no qual se inserem as chamadas fintechs, startups que estão revolucionando, por meio da tecnologia, o modo de fazer negócios.

O StartSe também anda de olho nessa onda e criou o Fintech Class, maior evento para fintechs no Brasil, que acontecerá no próximo dia 9 de novembro e contará com empresas como Nubank e Guia Bolso. Para entender bem o ambiente de Fintechs do Brasil, também estamos promovendo um hangout exclusivo com Marcelo Maisonnave, fundador da XP Investimentos, a maior corretora do Brasil e um dos poucos “unicórnios verde-amarelos”.

Se no modelo tradicional os países utilizam suas próprias moedas para transacionar operações – o que leva cada uma delas a ter um determinado valor nos negócios e ainda precisar da intermediação de um operador, seja ele um banco ou qualquer outro tipo de instituição financeira –, no mundo virtual, a integração do meio de pagamento e da moeda já não enfrenta tantas barreiras. Um dos exemplos desta nova “moeda de negócio” é o Bitcoin.

Bitcoin é a primeira implementação de um conceito chamado de “cripto-moeda”, que foi descrita pela primeira vez em 1998 por Wei Dai na lista de discussão cypherpunks, sugerindo a ideia de uma nova forma de dinheiro que usa criptografia para controlar sua criação e as transações, ao invés de uma autoridade central, por isso, é considerada a primeira rede de pagamento descentralizada (ponto-a-ponto), onde os usuários é que gerenciam o sistema, sem necessidade de intermediador ou autoridade central.

Nos bastidores, a rede Bitcoin compartilha um registro público chamado blockchain. Este registro contém todas as transações já processadas, permitindo que o computador do usuário verifique a validade de cada uma delas. A autenticidade é protegida por assinaturas digitais correspondentes aos endereços enviados, permitindo que todos os usuários tenham controle total sobre o envio de bitcoins de seus próprios endereços Bitcoin.

Uma das grandes vantagens dessas transações é que elas são seguras, irreversíveis, e não contêm informações confidenciais ou pessoais dos clientes. Isso protege os comerciantes de perdas causadas por fraude ou estornos fraudulentos e eles podem facilmente expandir para novos mercados, onde os cartões de crédito não estão disponíveis ou as taxas de fraude são elevadas.

Os resultados líquidos são taxas mais baixas, mercados maiores e menores custos administrativos.

Este crescente e inovador modelo de negócio tem chamado a atenção de muitas pessoas ao redor do mundo, favorecendo o crescimento do setor e a utilização desta nova moeda. Milhares de empreendedores estão buscando se inserir neste meio e no Brasil não é diferente. O maior caso de sucesso no mercado nacional é a FOXBIT. A empresa, que surgiu em dezembro de 2014, hoje já é responsável por mais da metade da compra e venda de bitcoins no país. Na prática, a startup funciona como uma corretora.

“Nós fornecemos um serviço de intermediação. Pense na FOXBIT como o Mercado Livre, nós estamos apenas oferecendo uma plataforma (um serviço) na qual o usuário pode encontrar compradores ou vendedores de bitcoin. Tudo o que fazemos é oferecer um ambiente simples e seguro, como faz o Mercado Pago, para que o internauta possa negociar bitcoins com outros usuários. E, neste ambiente, garantimos que compradores receberão os bitcoins e que os vendedores receberão o dinheiro no preço de venda que foi acordado entre as partes”, explica Guto Schiavon, o Diretor de Operações da startup.

Para que o usuário possa utilizar os serviços da FOXBIT, basta que ele se registre no site da empresa. Depois, todas as suas transações realizadas na plataforma poderão ser acompanhadas no Livro Contábil do usuário. É importante observar também que, além de atuar como a corretora de bitcoins, a startup também trabalha na educação dos usuários, com o projeto Universidade Blockchain e consultoria para grandes empresas e bancos nacionais, com o Blockchain Labs.

“Bitcoin é tão virtual como os cartões de crédito e redes bancárias online que as pessoas utilizam todos os dias. Pode ser usado para pagamentos online e em lojas físicas, tal como qualquer outra forma de dinheiro. Além disso, pode ser utilizado para remessas entre países e como ativo financeiro. E é justamente por ser um mecanismo rápido, barato e sem intermediários que ele cresce tão exponencialmente, demonstrando que há grande potencial ainda pela frente”, continua Schiavon.

Apenas no mês de junho deste ano, a empresa foi responsável por 53,5% das compras e vendas de bitcoins realizadas no Brasil, segundo a BitValor, entidade que monitora as transações com a moeda digital em território nacional. Também no sexto mês de 2016, a startup movimentou R$ 29 milhões em transações, chegando a soma de R$ 180 milhões desde o início da operação, em dezembro de 2014.

Já se antecipando para um momento em que o bitcoin será ainda mais usado – e de uma maior fiscalização do Banco Central – a FOXBIT está se preparando para obedecer aos mesmos padrões de segurança de bancos convencionais.

“Queremos mostrar que nosso trabalho é sério e que o mercado de bitcoins não é ‘terra de ninguém’”, afirma Felipe Trovão, Diretor de Compliance da startup.

Ainda que seja um fenômeno relativamente novo, ele está crescendo rapidamente. Só para se ter uma ideia, no final de agosto de 2013, o valor de todos os bitcoins em circulação excediam US$ 1,5 bilhão, sendo que US$ 1,5 milhão em bitcoins já eram usados diariamente.

Naquele mesmo ano, no Brasil foram movimentados R$ 13 milhões em transações do tipo. Em 2015, o número foi oito vezes maior: R$ 111,3 milhões, segundo dados da BitValor. Para 2016, a estimativa é de que este montante chegue a R$ 300 milhões. A FOXBIT espera que metade desse valor seja movimentado em sua plataforma, gerando faturamento de R$ 2 milhões para a empresa no período.

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