Spotify vende a alma para o capeta para conseguir competir com a Apple

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Por Lucas Bicudo

30 de março de 2016 às 16:16 - Atualizado há 5 anos

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Primeiro foram os discos. Aí surgiram os CDs. Depois veio a internet e aquela leva desenfreada de downloads ilegais. Hoje, absorveu-se o melhor de cada uma dessas etapas e foram criados serviços capazes de unir qualidade, praticidade e custo benefício. Estamos falando da contratação de músicas sob demanda, com a qualidade de áudio característica dos melhores discos e com um preço camarada o suficiente para tirar o cartão do bolso e largar o “deus nos acuda” da internet.

O Spotify, diante do cenário, surge ao lado do SoundCloud como um dos porta-bandeiras desse novo modelo de negócios. É a hora dessas empresas mostrarem a que vieram e estabelecerem suas posições no mercado de uma vez – o que pode definir suas vidas financeiras para os próximos anos. Só que com a gigante Apple e seu Apple Music

Hoje, em uma negociação ousada, o Spotify arrecadou US$ 1 bilhão em débitos conversíveis da TPG, Dragoneer e clientes do Goldman Sachs, segundo informações do The Wall Street Journal. Os pormenores do negócio mostram um pacto arriscado para o Spotify, que com isso, busca investimentos fora da caixa capazes de o colocar na liderança do mercado contra a Apple a qualquer custo.

“Esse financiamento dá a eles [Spotify] recursos estratégicos suficientes para afirmarem sua posição de liderança no mercado”, discursa a TPG.

Mas aqui está o ponto crucial da questão. A grana entrou, mas se a empresa não tiver bons anos daqui para frente, os termos agressivos do contrato podem fazer com que o Spotify perca bastante dinheiro. É matar ou morrer. É liderar ou cair.

A TPG e a Dragoneer, segundo cláusulas contratuais, podem – em caso de um eventual IPO por parte do Spotify – converter esse débito em participações com até 20% de desconto no preço da ação. E se a companhia não vender suas ações para o público dentro do próximo ano, esse desconto pode aumentar 2,5% a cada semestre. O Spotify também precisa pagar 5% de juros anuais em cima do valor adquirido pelo débito. Basicamente, a empresa acaba de vender sua alma para garantir o crescimento.

Se a companhia conseguir atingir bons resultados nesse futuro próximo, o desconto em suas ações e os termos de venda não serão tão prejudiciais para sua saúde financeira. O débito dará ao Spotfy a chance de fazer novas aquisições, atraindo cada vez mais músicos independentes e consumidores do rádio para integrarem seu império.

Trata-se de uma aposta. Por que o Spotify estaria disposto a jogar tudo pro ar com termos de contrato devidamente agressivos no lugar de um crescimento longo e escalável? Bem, do outro lado da moeda existe simplesmente uma companhia chamada Apple, que não vai facilitar a briga na hora de definir quem lidera o mercado. Para bater de frente é necessário fazer movimentos estratégicos fora da curva, o que justifica o pacto feito nessa manhã.

Ninguém disse que seria fácil ou barato. Mas é fato que o Spotify está tentando.