Só a prática é capaz de mostrar como as coisas funcionam no Investimento-Anjo

Apesar de toda essa experiência adquirida, eu ainda me considero um aprendiz

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Por João Kepler Braga

4 de março de 2015 às 11:09 - Atualizado há 5 anos

Há um pouco mais de 4 anos eu me posiciono como Investidor-Anjo no mercado Brasileiro e o resultado dessa atividade é um portfólio (veja aqui) com mais de 25 startups entre mentoria, investimento direto e indireto via aceleradoras. Além disso, eu participo como conselheiro da entidade Anjos do Brasil, escrevo artigos para colunas de importantes Portais, faço palestras sobre o assunto  e atuo diretamente na cena Empreendedora. Fui finalista do prêmio Spark Awards da Microsoft como Investidor-Anjo do ano em 2013 e 2014 e também fui escolhido pelos Empreendedores como um dos maiores incentivadores do ecossistema Empreendedor Brasileiro em 2013 e 2014.

Apesar de toda essa experiência adquirida, eu ainda me considero um aprendiz. Uma pessoa que ouve mais do que fala e está sempre aberta a entender as pessoas, mudar e se preciso, reinventar.

Pois bem, explico isso para mostrar porque só a prática é capaz de mostrar como tudo funciona. Não adianta somente ler livros e artigos sobre o assunto Investimento-Anjo. É preciso de fato investir ou ser investido para entender realmente o processo.

Por isso, deixo abaixo uma lista de coisas que aprendi no meu dia a dia durante este período, nesta atividade. Talvez isso possa ajudar Investidores iniciantes ou empreendedores que buscam investimento.

Vamos lá:

  • Não é fácil explicar o Capital Intangível, startup não é uma palavra de fácil compreensão.
  • Investir apenas em uma ideia, não é mais barato.
  • É difícil ter retorno do investimento antes de 2 anos.
  • Um Plano de Negócios bem feito não é o suficiente para começar.
  • Só um contrato “amarrado” com a Startup não livra o investidor de problemas judiciais futuros.
  • Existe centenas de projetos à nossa disposição, mas poucos resolvem algum problema específico ou têm uma boa perspectiva de saída ou retorno.
  • O Empreendedor muitas vezes não vai aplicar o Feedback do investidor.
  • O investidor precisa acompanhar de perto e participar ativamente do dia a dia do negócio.
  • A Startup não vai saber vender e faturar sozinha, e o mercado não é tão grande quanto foi prometido.
  • A participação no equity da startup não deve ser superior a 30%.
  • O Empreendedor é mais importante que o projeto.
  • Quanto mais sócios investidores-anjo no projeto, melhor.
  • Que sua mentoria vai ajudar muito o Empreendedor e que alguns deles valorizam isso mais do que o seu dinheiro.
  • Que é difícil fazer saídas no Brasil dos investimentos realizados.
  • Que apenas 2 em cada 10 startups vão prosperar.
  • Você deve investir prioritariamente em negócios que conhece o segmento.
  • Que um Anjo pode não conseguir salvar um negócio do fracasso.
  • Que dificilmente terá múltiplos acima de 8x do valor investido.
  • Que precisa dedicar muito do seu tempo àquele negócio.
  • A família e amigos não entenderão o que você faz.
  • É preciso se relacionar ou ser amigo do Empreendedor.
  • Não vai ser preciso investir em um Planejamento Estratégico completo (PE).
  • Internacionalizar o mais rápido possível, só se for pertinente e não forçado pois o custo é alto demais.
  • Os Empreendedores não entenderão se você não tiver o dinheiro na hora do aporte.
  • O fundador empreendedor não deve ter pró-labore compatível com o mercado, pode fazer falta no caixa.
  • Você vai precisar de assessoria jurídica especializada no começo.
  • Aceitar ofertas menores que o valuation atual para sua saída.
  • Que você vai aportar mais do que o valor combinado no início. Vai ter follow-on.
  • A Patente do negócio não pode ficar para depois.

Enfim, esses são apenas alguns pontos e aprendizados nestes últimos anos.

Pois bem, investimento-Anjo é sim um bom negócio, mas quero afirmar que para ter sucesso é preciso entender e desmistificar vários desses itens acima, além de ter tolerância ao alto risco, uma conta bancária que suporte surpresas, ter tempo para se dedicar, muita paciência, disciplina, bastante conhecimento, saber vender, estudar e se conectar com o mercado, fazer diversificação de portfólio e claro, experiência.

Pense nisso!