Por quê ainda ensinamos estudantes a fazer algo que um robô faz melhor?

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Por Isabella Câmara

24 de dezembro de 2016 às 12:26 - Atualizado há 4 anos

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Me formei técnico em eletrotécnica e automação industrial aos 16, logo em seguida fui para a faculdade de Engenharia Bioenergética, durante muito tempo acreditei que os únicos cursos superiores realmente úteis para a sociedade eram os ligados a saúde e ciências exatas, para mim, todo o resto era dispensável e de certa forma, um gasto desnecessário de dinheiro.

Hoje, após me envolver com inovação, empreendedorismo e educação, vejo que não só estava sendo arrogante, como também cego para as mudanças que acontecem no mundo.

Nosso sistema educacional ainda foca em formar pessoas para o mercado de trabalho, e mesmo as universidades que em teoria formam pesquisadores, ou seja, as pessoas que vão liderar o desenvolvimento de novas tecnologias e possibilidades, falham nisso.

A verdade é que qualquer função que possa ser reduzida a uma série de tarefas lógicas, estruturadas e repetitivas passará a ser feita por um robô muito em breve.

A combinação da inteligência artificial e automação, está criando uma nova realidade para a sociedade. Ser muito bom em matemática, não significa o mesmo que a alguns anos atrás. Da mesma forma, decorar cada frase de um livro de história poderia até ser impressionante e ajudar no seu mestrado na ultima década, mas hoje em dia, meu celular já faz isso por mim.

Humanos são péssimos robôs. Precisamos de muito tempo para sermos treinados (e retreinados), precisamos de muita manutenção, quanto mais experientes ficamos, mais queremos receber, paramos para conversar, precisamos de férias e folgas, em resumo, do ponto de vista do mercado somos muito ruins.

Por isso, ao invés de treinar as próximas gerações para fazerem trabalhos que serão desenvolvidos por robôs muito em breve, deveríamos nos focar em ensinar a próxima geração a criar coisas novas, pois o que já existe, deixará de existir.

Deveríamos mudar o foco do sistema educacional para habilidades intrinsicamente humanas, nossa “unfair advantage” na competição contra as maquinas, para assim podermos aproveitar a liberdade que teremos, para levar o mundo para a próxima era de desenvolvimento.

Se o que você faz, não envolve criatividade, você vai ser substituído por um robô.

Estimular o pensamento crítico

Como fazer melhores perguntas? Como questionar o que é proposto e buscar novas soluções? Como lidar com questões ambíguas e estimular a exploração de novas possibilidades?
Um bom sistema educacional, deveria estimular isso, ao invés de ensinar a seguir regras e padrões impostos.

Criatividade

Como fazer as coisas de uma forma diferente da atual? Como melhorar o que existe? Como criar e implementar novas ideias?

Em breve, todo trabalho que não envolva criatividade irá desaparecer, por isso, deveríamos estimular e ampliar a capacidade criativa dos estudantes.

Habilidades Interpessoais

Como se relacionar com outras pessoas, criar laços e conexões que permitam ampliar o efeito e a capacidade dos dois pontos anteriores? Como usar a persuasão e resolver conflitos?

Não estou falando que deveríamos parar de ensinar matemática, regras e métodos nas escolas e universidades, mas sim que o foco não deveria ser aprender a fazer contas, ou decorar fatos, mas ensinar a usar isso para criar algo novo, algo que nenhum robô possa fazer.

Precisamos parar de treinar as pessoas para serem robôs ruins, e passar a capacitá-las para serem humanos excepcionais.

 

Texto originalmente publicado no meu Medium Pessoal