Permitir "atalho" tecnológico aos pobres é geração de indústria, diz Haddad

O prefeito de São Paulo participou de debate sobre conectividade na Campus Party Brasil 2016

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Por Paula Zogbi

29 de janeiro de 2016 às 14:45 - Atualizado há 4 anos

SÃO PAULO – “São Paulo está em décimo quinto lugar entre as cidades mais conectadas do mundo”. Com esse dado animador e otimista, o prefeito de São Paulo Fernando Haddad iniciou sua fala em um debate sobre cidades conectadas na Campus Party Brasil nessa sexta-feira, 29.

A participação teve como intuito principal falar sobre as ações da prefeitura para levar internet gratuita a diversos pontos da cidade, principalmente a periferia, e focando nos recém-construídos Fab Labs – entenda o que é um Fab Lab clicando aqui.

Com a função de disponibilizar, gratuitamente, materiais e cursos para que a população desenvolva tecnologia, os Fab Labs são posicionados estrategicamente em áreas periféricas ou acessíveis para não criar uma “barreira”, de acordo com o prefeito. “Não adianta ser gratuito, tem que ser livre. Se o laboratório está dentro da universidade, o jovem pobre tem muitas barreiras a ultrapassar para chegar lá”, explica.

Os planos, de acordo com a prefeitura e com a Secretaria de “Nossa meta inicial era de instalar 2 Fab Labs nas periferias. Já construímos 4 e, no total, 12 estarão prontos até o final de março”, conta o prefeito. Os endereços que já estão em funcionamento são em Cidade Tiradentes, Itaquera, Penha e Sé. “É o programa público de maior proporção nesse sentido no mundo”, comenta.

“Barato”

Embora a tecnologia seja empoderadora e pouco acessível às classes mais pobres, os programas de conectividade custam “muito pouco” à Prefeitura, garante o petista, que afirma que, além de a própria tecnologia baratear muito rapidamente, há muitas empresas interessadas em patrocinar projetos deste tipo para associar suas marcas à inovação. “Mesmo se não houvesse patrocínio, a crise não ameaça esses projetos, porque eles são muito baratos”, garante.

Ainda assim, a variação cambial foi responsável por um leve atraso na implementação dos Fab Labs. Segundo João Cassino, Coordenador de Conectividade e Convergência Digital na Secretaria Municipal de Serviços da Prefeitura, “o dólar passou de R$4, e isso atrasou o processo de licitação, mas foi um atraso mínimo, de cerca de dois meses”, disse na coletiva de imprensa do evento na terça-feira.

Sobre os valores, não há segredos: “os investimentos foram de R$2,2 milhões em equipamentos, além de R$2 milhões anuais em mão de obra e insumos, somados”, contabiliza, “sendo R$1 milhão para a mão de obra e o outro milhão para os insumos”.

Acesso

“O papel da prefeitura é fazer o talento encontrar a oportunidade”, explica Haddad. “O pobre não tem a oportunidade de percorrer todo aquele caminho que a classe média percorre, então oferecemos esse atalho”.

De acordo com ele, esperava-se que as inscrições fossem dezenas, mas “imediatamente após a abertura em Cidade Tiradentes, foram mais de 200 inscritos”, espanta-se. Isso significa que há demanda, o que faltava eram as possibilidades. “Tenho certeza que é um potencial de desenvolvimento de toda uma indústria enorme”, afirma o prefeito, que acredita que a retração do número de empregos formais na cidade e no país como um todo é mais uma razão para se abrir novas oportunidades, “principalmente entre os jovens, onde o desemprego é ainda maior”.

Demais programas

Além do Fab Lab Livre SP, o prefeito mencionou os programas WiFi Livre SP, que levou redes sem fio a 120 praças da cidade e começa a ser implantado em ônibus; das Uniceus, centros universitários semipresenciais em todos os CEUs da cidade; e Vai Tec, que fornece insumos a projetos ligados a soluções tecnológicas a pequenos grupos de pessoas, principalmente universitários – na última edição, foi um total de R$1,5 milhão para 66 projetos, segundo Erika Sanchez Saez, Superintendente de Projetos en ADE SAMPA – Agência São Paulo de Desenvolvimento, que falou em outra palestra no evento.

“É preciso criatividade para levar as universidades à periferia”, afirma o prefeito. “O talento existe e os horizontes estão abertos. Nossa primeira missão é dar aos mais pobres as oportunidades que eles não têm”, encerra o político ao público de nerds, empreendedores e fãs de tecnologia.