Os novos rumos do Facebook: Seriam o início do seu fim?

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Por Erica Queiroz

15 de fevereiro de 2018 às 09:41 - Atualizado há 3 anos

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Agora que o Carnaval acabou e estamos de volta à ativa, vamos falar sobre o que rolou nos últimos dias com relação à nova política do feed de notícias do Facebook e outros assuntos polêmicos ligados à rede social.

 

Para quem ainda não sabe, em Janeiro de 2018, o Facebook resolveu alterar a forma como o feed de notícias é mostrado aos usuários, privilegiando os posts de amigos e familiares e, por outro lado, exibindo cada vez menos os posts dos veículos de notícias.

 

Já há quem acredite que esse seja o início do fim da rede social; afinal, esses veículos também são grandes anunciantes da rede social.

 

Aqui no Brasil, a Folha de São Paulo foi o primeiro veículo a se manifestar. A empresa afirmou que não mais divulgará as suas notícias no Facebook e usou a própria rede para anunciar a sua saída: “Jornal decide parar de atualizar sua conta após diminuição da visibilidade do jornalismo profissional pela rede social”.

 

As chamadas “fake news”, notícias falsas, costumam ter muito mais engajamento do que as notícias verdadeiras, o que, com razão, incomoda os veículos de notícias considerados sérios.

 

Muitos veículos no mundo todo também já haviam observado a diminuição do alcance de seus posts, mesmo antes de o Facebook anunciar a utilização do novo algorítimo, que privilegia conteúdo de amigos.

 

De acordo com a matéria da Folha, “Em janeiro, o volume total de interações (compartilhamentos, comentários e curtidas) obtido pelas 10 maiores páginas de jornais brasileiros no Facebook caiu 32% na comparação com o mesmo mês do ano passado”. É uma queda muito relevante, algo que realmente preocupa as empresas, que se acostumaram à exposição gerada pela rede social.

 

Outra novidade que também promete agitar o Facebook é o botão “downvote”, que está em uso apenas nos EUA, por poucos usuários e como teste, para tentar frear as “fake news”. Ele não tem nada a ver com o polêmico botão “não gostei”, que vem sendo pedido há anos, pelos usuários, mas que o Facebook não cria de jeito nenhum (eu faria o mesmo!). O botão “downvote” está disponível somente em páginas públicas e serve para os usuários se manifestarem com relação aos comentários deixados nos posts. Ao clicar no botão, o usuário poderá escolher uma das 3 opções para classificar o conteúdo: ofensivo, enganoso ou off-topic (fake news).

 

Um dos sites que divulgou a notícia, o TechCrunch, menciona que aquilo que o Facebook fizer com relação aos comentários problemáticos poderá gerar novas questões sobre censura e o papel da rede social como editor de notícias e empresa de mídia. E é verdade! Por outro lado, de acordo com “The Telegraph”, não está claro se o usuário saberá ou não que o seu comentário foi “downvoted”,  mas imagens divulgadas em redes sociais sugerem que os comentários ficam visíveis para todos, exceto para quem acionou o botão. Então, eu me pergunto… Se a empresa não fizer nada, de que adianta a criação do botão? E se fizer, como os usuários irão reagir?

 

Como se pode ver, são novos tempos e novos desafios que o Facebook terá que enfrentar.

 

E as empresas também já estão começando a se movimentar. De acordo com artigo do USA Today, a Unilever, uma das maiores empresas de consumo do mundo, alertou ao Facebook e ao Google que poderá retirar seus anúncios dessas redes, caso elas não façam um trabalho melhor de monitoramento de conteúdos ofensivos e notícias falsas. Segundo o Diretor de Marketing da empresa, as redes sociais são como um “pântano”, cheio de notícias fabricadas e conteúdos racistas, sexistas e extremistas. Ele ainda afirmou que a Unilever não pode fazer nada que prejudique a confiança do consumidor em suas marcas, incluindo a escolha de canais e plataformas usadas pela empresa.

 

Esse pode ser um movimento sem volta, se o Facebook não reagir rapidamente a todas essas contradições que acometem a rede social. Além disso, com os preços dos anúncios no Facebook cada vez mais altos, talvez em breve a única saída aos anunciantes será buscar opções alternativas. Com a saída da Folha e a ameaça da Unilever, muitas outras empresas podem adotar a mesma política. Será que estamos avistando o início do fim da soberana rede social?