O seu melhor amigo não seria um bom sócio para você

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Por André Macedo

19 de agosto de 2015 às 14:27 - Atualizado há 5 anos

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Olá, amigos. Nesta coluna, vamos falar de um tema muito importante para quem está começando sua empresa, a montagem do time.

Muita gente ainda tem uma visão de que um bom sócio é aquela pessoa com visão de mundo semelhante e fácil de lidar, de bater papo. Enfim, um bom amigo de mesa de bar.

Na verdade, porém, ao montar um time, a melhor estratégia é procurar parceiros com diferentes pontos fortes. Se já existe uma pessoa com boa visão de negócios, pode não ser uma boa ideia se associar a outra pessoa com as mesmas qualidades. Essa pessoa pode até ser um bom mentor, um conselheiro. Mas não um sócio.

Em essência, um bom time é um time complementar. Para usarmos um exemplo, vamos supor que o time está sendo montado para uma empresa de tecnologia. Nesse caso, creio que um time de três pessoas funciona bem, com as seguintes atribuições:

– Aspectos externos do negócio – Essa pessoa trata bem com os funcionários da empresa e cuida também de todos os aspectos externos, como publicidade, relações com a mídia, relações com investidores, levantamento de capital etc. Essa pessoa costuma ser o CEO da empresa. É a face da empresa para o mercado e para os funcionários.

– Aspectos internos do negócio – Essa pessoa é responsável pelas finanças internas da empresa, contratação e gestão de funcionários, RH, contabilidade, gestão do espaço físico. Em essência, essa pessoa é responsável por gastar a parte da receita usada para a manutenção das atividades da companhia, e mantém o CEO a par das finanças internas.

– Produto – Essa é a pessoa que cuida de todos os aspectos relacionados ao produto. No caso de uma empresa de tecnologia, isso inclui desenvolvimento, design, relação com fornecedores de tecnologias/soluções usadas no produto etc.

A divisão acima proposta vale para o nosso exemplo de empresa de tecnologia, mas pode ser adaptada também para outros negócios. Usando o exemplo da loja de sapatos, descrito em coluna anterior, temos uma pessoa que vai a feiras para ver tendências do setor, estuda mercado, faz parcerias. Esse seria o CEO da loja de sapatos.

Teríamos ainda uma pessoa para cuidar da parte interna da empresa (RH, funcionários, controle de estoque). No caso da loja de sapatos, o produto já vem pronto, então não precisaríamos de alguém para controlar a produção. Mas seria interessante ter uma terceira pessoa com foco nos processos relacionados ao produto (qualidade do atendimento, pós-venda, retenção de clientes).

Essa divisão em três pessoas, obviamente, não é obrigatória. Dependendo do tipo de empresa, pode ser interessante também ter alguém focado em canais, ou seja, nos meios usados para levar o produto ao cliente e na mensagem que forneça maior índice de compra/conversão. Isso inclui canais de distribuição e marketing, por exemplo.

O ponto central, retomando o argumento do início da coluna, é a complementaridade. Um time formado por três pessoas com as mesmas áreas de conhecimento pode até funcionar, mas a chance é menor do que a de uma equipe em que os sócios têm capacidades e conhecimentos complementares.

Obviamente, o sucesso de uma empresa passa por vários outros fatores, como a escolha do modelo de negócio, mercado de atuação etc. Além disso, a gestão financeira do negócio, incluindo gestão de fluxo de caixa, é fundamental para qualquer negócio. Mas, de modo geral, no quesito quantidade de sócios, três é um bom número para que o negócio prospere.

Um abraço e até a próxima!