O que o Google quer fazer é o pesadelo das grandes indústrias de carros

Avatar

Por Paula Zogbi

29 de outubro de 2015 às 15:05 - Atualizado há 5 anos

Logo ReStartSe

Inscreva-se para o maior e mais audacioso evento de inovação, tecnologia e transformação digital já feito na América Latina. 30 dias que vão mudar sua visão de mundo, dos seus negócios e da sua carreira.

Online e totalmente gratuito - 01 a 30 de outubro/2020

A indústria dos carros tecnológicos é imensamente diferente da de carros comuns conceitualmente. E no topo dessa indústria, o atual rei é o Google, com seus carros que se dirigem sozinhos – ao menos por enquanto.

De acordo com uma reportagem publicada na Bloomberg Businessweek, a ideia dos carros autônomos não é simplesmente que as pessoas não precisem dirigir: elas também não comprarão mais esses veículos. “frotas de veículos autônomos irão circular na sua cidade, serão acionadas através do seu smartphone e levarão as pessoas de um ponto ao outro livremente”. Não é um produto de consumo, é um serviço de transporte.

O executivo da General Motors Mark Reuss oferece um outro ponto de vista: atualmente, ele é o encarregado de desenvolver novos veículos na empresa. Por ter vivido a crise de 2008 em uma posição importante na empresa, que quase foi à falência, Reuss conhece bem os erros cometidos no passado.

Mas a resposta da GM aos planos do Google, a tecnologia “Super Cruise”, que transforma os veículos em máquinas semiautônomas, ainda está na fase de testes da versão beta – diferentemente da tecnologia similar da Tesla, por exemplo. Além disso, torna os carros muito mais caros, então será lançada inicialmente no modelo de luxo Cadillac CT6. Esse movimento mostra, essencialmente, que tecnologias existentes estão rapidamente ganhando espaço na indústria tradicional, mas não necessariamente rebate a movimentação do Google.

A indústria tradicional – e isso inclui a Tesla – está reinventando o que já existe. As pessoas entram em carros iguais aos que já conhecem, mas não precisam dirigir. O que o Google sugere é um conceito totalmente novo. Mas provavelmente essa novidade de conceito ainda demorará décadas para de fato existir.

Esses dois lados da moeda criaram, segundo o Business Insider, um enorme debate em Wall Street. Há analistas que antecipam uma “uberização” do conceito de transporte como um todo, sempre com base na conectividade. Por outro lado, existem os que defendem que a possibilidade de possuir um veículo é uma conveniência que se paga: as pessoas não abrirão mão de ter um veículo disponível a qualquer momento que queiram.

Toda essa discussão chegou a um ponto em que a indústria automotiva não está apenas tentando superar o Google, mas sim derrubar a companhia com o seguinte argumento: “a nossa tecnologia poderá ser usada agora”. Não é nem uma questão de “competição”.

Inclusive, o Vale do Silício e a indústria automotiva de Detroit podem ter muito a ganhar se trabalharem em conjunto no desenvolvimento dessas tecnologias, ao menos a priori. Um exemplo disso é o sistema de entretenimento Apple CarPlay, que oferece entretenimento e informações a veículos (e seu concorrente Android Auto): a indústria automotiva levaria um tempo desnecessário para construir algo nesse sentido do zero: por que não uma parceria?

Além disso, a indústria de automóveis ainda é uma das maiores contribuintes para a economia global. Será mesmo que as companhias de tecnologia querem destruir esses negócios?

Novidade! Assine a newsletter do StartSe:

[newsletters_subscribe list=”1″]