O que é preciso para uma fintech vingar? CEO da aceleradora ACE responde

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Por Sílvio Crespo

17 de julho de 2017 às 16:39 - Atualizado há 3 anos

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Você sabe do que uma startup de fintech (tecnologia financeira) precisa para ter sucesso?

O CEO da aceleradora ACE, Pedro Waengertner, responde nesta entrevista concedida ao StartSe e à Let’s Talk Payments, uma empresa global de conteúdo e dados sobre fintechs.

A ACE já acelerou mais de 100 startups desde a sua fundação, em 2012, quando se chamava Aceleratech. Abaixo, a entrevista completa.

O que vocês esperam de uma fintech quando vão selecionar para o programa de aceleração?

Pedro Waengertner: A gente não olha diferentemente para as fintechs, em comparação com outras startup. Nosso processo é sempre o mesmo: olhamos o time e o tamanho do mercado.

Normalmente, as fintechs atuam em mercados muito grandes, então nesse aspecto elas tendem a ser atrativas. O difícil é encontrar um time que seja muito bom e que tenha um projeto relevante.

O que é um time muito bom?

PW: Tem algumas características que o time precisa ter. A gente pega empresas bem no início da jornada empreendedora, então elas não têm tração. O que a gente quer saber é o que o time já conseguiu fazer sozinho até agora. O que já conseguiram executar? Há quanto tempo esse time já trabalha junto? Porque se está trabalhando junto há muito tempo, reduz o risco.

A gente também avalia quanto o time conhece o mercado. Eles têm que conseguir dar uma aula para a gente nesse setor. Se não conseguirem, tem alguma coisa errada.

Outra coisa é o quanto as pessoas que compõem o time são complementares entre si. Todas as competências necessárias para a startup estão presentes no time? Ou tem alguma competência que é necessária e ninguém tem? A gente olha isso também.

O que uma fintech precisa ter para ter sucesso no Brasil hoje?

PW: Ela precisa combinar uma excelente capacidade de aquisição de clientes, que podemos traduzir em marketing, somada a uma excelente visão de produto, que podemos traduzir em experiência do cliente. Além disso, ela precisa ter uma tecnologia minimamente competitiva.

Não tem o molho secreto, é uma combinação de pequenas coisas. O que vejo muito são empreendedores que têm uma ideia interessante, mas não têm as condições de aquisição de clientes ou de produto. Para mim, essas coisas depõem contra. E são competências raras, não são competências comuns.

Quais são os erros mais comuns dos empreendedores de fintechs?

PW: O primeiro é empreender em fintech porque está na moda. Isso não é uma razão boa para criar uma fintech. Precisa ter bagagem, querer entender, querer resolver um problema específico.

Outra coisa é a falta de entendimento de como funciona o mercado: a relação com o Banco Central, as leis impactam a atividade, quais os riscos do projeto… Se você não entende isso, você pode investir muita energia e morrer na praia, descobrir que não dá para fazer o que você esperava, ou que só dá para fazer de um jeito bem diferente e que gera bem menos valor.

O que você diria a um investidor estrangeiro que está pensando em colocar dinheiro em uma fintech no Brasil? Que dicas ou alertas você faria?

PW: Se eu fosse um estrangeiro eu não não seria o primeiro investidor de uma fintech no Brasil. Eu seria a partir do segundo cheque e conversaria muito com o primeiro investidor. Também  conversaria muito com o empreendedor. Assim eu teria uma aula sobre as particularidades do nosso mercado.

Outra coisa é que eu primeiro buscaria entender melhor o mercado brasileiro antes de sair comprando fintechs. Eu tentaria entender os meandros do nosso mercado porque isso pode determinar muito a minha estratégia de investimento. Isso me ajudaria a encontrar nichos.  Ainda tem muita coisa não explorada ou mal explorada nesse mercado no Brasil.

Saiba como fazer parte desse ecossistema

Para fazer parte do ecossistema global de fintechs, você pode cadastrar sua startup na MEDICI e na Startse Base.

A MEDICI é uma base de dados que conta hoje com mais de 7.000 fintechs de todo o mundo. Ela pertence à Let’s Talk Payments (LTP), empresa global de conteúdo e pesquisas sobre o setor.

A StartSe Base é a maior base de dados de startups do Brasil, com mais de 5.000 empresas cadastradas.

Registrando a sua fintech nas duas, ela vai ganhar visibilidade junto aos principais investidores nacionais e estrangeiros.

Sobre a Let’s Talk Payments

Let’s Talk Payments (LTP) é a principal plataforma de conteúdo e pesquisas sobre fintechs no mundo. Mais de 400 instituições financeiras e 90 programas de inovação recorrem à LTP para obter informações sobre as empresas que estão disruptindo o setor financeiro.

Esta entrevista foi realizada por Sílvio Crespo, colaborador regular da LTP, focado no mercado de fintechs do Brasil. Ele é CEO da SGC Conteúdo e autor do blog Dinheiro pra Viver.

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