O que é melhor: empréstimo ou investimento?

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Por Claudio Nasajon

28 de junho de 2016 às 18:30 - Atualizado há 4 anos

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A pergunta é recorrente. A pessoa tem uma ideia e usa as suas economias (ou dinheiro de amigos e parentes) para construir um protótipo. A coisa funciona e ela consegue provar que é um bom negócio, mas precisa de capital para financiar a expansão. A pergunta vem na sequência:

Qual é a fonte mais conveniente de recursos para financiar o crescimento?

Lenice Fontes passou por esse dilema. Oriunda do mercado financeiro, ela percebeu uma oportunidade quando a onda dos “cupcakes” chegou ao Brasil e decidiu tentar a vida empreendedora. Só que em vez dos tradicionais sabores de baunilha ou chocolate, ela criou uma linha de mini-bolos personalizados que vendia em embalagens também personalizadas, para empresas e eventos. Cresceu rápido. Em pouco tempo já não era capaz de atender à demanda e precisou se mudar para um local maior, comprar mais fornos e contratar mais gente para dar vazão à produção. Em suma: precisava de capital para expandir o negócio e foi nesse momento que ela me procurou para pedir o meu conselho. O nome é fictício, mas o caso é real.

Não levei nem um segundo para sugerir o caminho. Por um lado, contrair empréstimos junto a instituições financeiras tem a vantagem de não comprometer a sua participação no negócio, mas, considerando que mais da metade das empresas nascentes não sobrevive aos primeiros anos de vida, o risco de perder tudo e ainda ficar devendo é muito grande.

As estatísticas estão contra os empreendedores.

Assumir uma dívida que não esteja vinculada ao sucesso da operação é um risco; um risco alto; às vezes um risco fatal. Além disso, os juros brasileiros para empréstimos bancários raramente são compensados pelo retorno do investimento.

São muito poucos os investimentos capazes de gerar 100% ao ano de forma consistente. Aí surge um duplo problema: primeiro os juros são tão altos que fica difícil viabilizar a rentabilidade do negócio, principalmente no início. Segundo, como qualquer projeto, a expansão pode não acontecer na velocidade, ou na intensidade planejadas, mas o banco não quer saber disso. O valor é devido seja qual for o resultado do empreendimento.

Quando a fonte do recurso é um financiamento que não está atrelado ao sucesso do negócio, não existe “alinhamento de interesses”.

Um caminho mais sadio, do ponto de vista empreendedor, é “vender” parte da empresa para investidores.

O dinheiro de investidores vale tanto quanto o dos bancos, mas vem acompanhado de experiência em negócios, redes de relacionamentos e sinergias com outras empresas investidas, que podem ser cruciais para o sucesso do empreendimento.

Os interesses dos investidores estão totalmente alinhados aos dos empreendedores. Ambos querem que a operação dê certo para poder recuperar o investimento com lucro (para o banco não faz a menor diferença porque o dele está garantido, independente do que acontecer com a operação, principalmente se a pessoa colocou os seus bens pessoais como garantia).

Mas onde encontrar investidores?

Existem muitas pessoas que têm dinheiro e querem fazê-lo crescer acima da inflação e um dos caminhos é investir em empresas que normalmente têm potencial de retorno com multiplicadores impensáveis no ambiente financeiro.

Algumas dessas pessoas se organizaram em grupos de “investidores-anjo” que costumam fazer os aportes em conjunto, agregando ainda mais valor por causa da rede extendida de relacionamentos, experiências e sinergias que esses grupos aportam ao empreendimento.

Eu, por exemplo, participo de um grupo de investidores chamado “Harvard Angels” composto por ex-alunos de Harvard. O grupo avalia empresas que já estejam faturando (qualquer valor) e os aportes são feitos em conjunto, normalmente de dez a quarenta pessoas.

Buscamos investimentos na faixa de R$ 500 mil a R$ 1 milhão em troca de 20% do empreendimento, ou seja, procuramos empresas com valor entre R$ 2,5M e R$ 5M que queiram expandir as suas operações e sejam “aconselháveis”.

Você já imaginou ter como conselheiros, com interesses totalmente alinhados aos seus, vinte, trinta, às vezes quarenta ex-alunos de Harvard, todos executivos ou donos de empresas, querendo ajudar a fazer o seu negócio a crescer? Pois é… isso é Harvard Angels.

Às vezes a sua empresa não está no estágio que procuramos ou pode não haver empatia por qualquer motivo, mas existem vários grupos de investidores-anjo que você pode procurar. Há grupos focados em empresas de tecnologia como TI Angels e Gávea Angels. Outros buscam empresas em regiões específicas como o Floripa Angels, mas todos têm em comum a ideia de investir em troca de participações minoritárias em empresas que tenham potencial explosivo de crescimento.

Como saber o valor da empresa para calcular a contrapartida justa para o aporte dos investidores?

Se você concorda comigo que captar recursos com investidores é muito mais conveniente, para uma empresa em estágio inicial, do que pedir um empréstimo no banco, então a pergunta que segue é: quanto vale a empresa? Como saber se o aporte do investidor vale 10%, 20% ou 50%?

Se a empresa é uma startup nova, desenvolveu uma tecnologia inovadora e está entrando agora no mercado, é difícil medir o valor porque não se sabe o que vai acontecer. O mercado pode “entrar na onda” e a empresa decolar, mas também pode ser que a tecnologia “não pegue” e o tiro cai na água. Nesses casos existem algumas saídas interessantes. A mais legal é deixar para definir a contrapartida em função dos resultados futuros.

Por exemplo: eu coloco R$ 1 milhão na empresa acreditando no seu powerpoint que diz que no ano que vem estará lucrando R$ 100 milhões e eu receberei 10% (10x).

Se as suas previsões se realizarem, ou superarem a expectativa, então o meu aporte valerá os 10% pactuados no negócio, mas se você não chegar lá, aplicamos um “ágio” inversamente proporcional ao resultado obtido.

Neste caso, se o lucro for de R$ 50 milhões, por exemplo, ou seja, 50% do previsto, eu terei 20% do negócio para garantir o mesmo ganho (10x).

Por isso não é boa prática “inflar” o powerpoint com cenários muito otimistas – eles podem representar uma armadilha se você confiar demais no crescimento que pode não acontecer.

Outra fórmula que também funciona bem é atrelar a participação do investidor ao valor que a empresa negociar num segundo “round” de investimento, mais um ágio por ter entrado antes.

Neste caso eu coloco R$ 1 milhão e negocio um adicional de 100% de valorizaçõ ao ano, por exemplo. Então, digamos que daqui a um ano a empresa receba um novo aporte de R$ 1 milhão em troca de 10%. Nesse caso, os meus R$ 1 milhão originais valeriam o equivalente a 20% do negócio (em vez dos 10% do novo investidor) por eu ter entrado antes e encarado um risco maior.

Teste do valor da empresa

Uma forma que é aceita por praticamente todos os investidores é o “valuation” da empresa em função dos lucros que ela espera produzir no futuro, chamada “fluxo de caixa descontado”.

 

Eu elaborei um teste, baseado nessa técnica e você pode aplicá-lo ao seu próprio negócio para ter uma ideia aproximada de quanto pedir na troca das ações.

 

O teste é gratuito e está disponível no site www.valordaempresa.com

Importante: o teste calcula o valor da empresa a partir de uma série de fatores aplicados sobre os lucros previstos do negócio. Se a sua empresa lucra R$ 100mil por ano, por exemplo, e se a inflação é de 10% ao ano, então o valor do primeiro ano é R$ 100mil, no segundo é R$ 90mil, no seguinte R$ 81 mil e assim por diante. O cálculo do valor é resultado desse montante, multiplicado por um fator de risco e considerando a tendência de crescimento ou retração do seu mercado.

Isso significa que se o negócio é apenas uma ideia, ou se a empresa ainda não é rentável, o valor não fará muito sentido porque não haverá um “fluxo de caixa” para descontar.

Por outro lado, as suas respostas às perguntas podem dar uma ideia muito aproximada dos “pontos fortes” e “pontos fracos” no que eu chamo de “os 5 pilares do V.A.L.O.R” da empresa.

Em suma: vale a pena você fazer o teste e ter uma ideia do tamanho da “mina do ouro” sobre a qual pode estar sentado neste momento.

E, claro, se tiver um negócio e quiser apoio para fazê-lo crescer, mande um e-mail para mim e terei prazer em discutir o assunto com você.

Até a próxima,

Claudio Nasajon

cnasajon@opm43.hbs.edu

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