O que é Burn Rate? Se importe com ele! Leia o novo texto da coluna de João Kepler

Leia o novo texto da coluna de João Kepler no StartSe, um dos principais investidores-anjo do Brasil

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Por João Kepler Braga

16 de abril de 2015 às 12:56 - Atualizado há 5 anos

Para começar é importante esclarecer em linguagem simples o que chamamos de BURN RATE. Resumidamente, é o valor gasto por mês para bancar a operação do negócio.

O Burn Rate pode servir para calcular o tempo que vai levar até o negócio se pagar ou até atingir o break-even ou mesmo se tornar rentável.

Imagine que a Startup XPTO está gastando R$ 20.000,00 por mês, além do que eles estão tendo de receita. Então eles têm uma taxa Burn Rate de R$ 20.000,00 por mês ou 240k por ano. O investidor, por exemplo, precisa saber na partida que tem que cobrir e fornecer dinheiro suficiente para bancar esta diferença no período combinado.

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Se a taxa de Burn Rate aumenta após o investimento inicial e a startup já queimou todo o dinheiro investido por qualquer motivo, o negócio vai precisar de financiamento adicional se quiser continuar a operação e pode acontecer o que chamamos de follow-on, o que significa que os próprios investidores iniciais precisarão aportar o suficiente para cobrir o novo Burn Rate. Nesse momento pode acontecer de uma nova oferta com a chamada de capital ou até mesmo financiamento bancário, se for o caso.

Por isso o risco do investimento em uma startup é alto, o que faz com que os investidores olhem para a taxa de Burn Rate inicial no período, contando com futuras e esperadas receitas para decidir se vale a pena investir naquela empresa. Se taxa de Burn Rate supera previsões ou se suas receitas não estão crescendo a um ritmo razoável como planejado, é neste momento que o investimento corre riscos de prejuízos. Por outro lado, pensando exatamente nisso, uma startup tem que procurar reduzir ao máximo possível sua taxa de Burn Rate, desde que não comprometa o negócio, para se tornar mais eficiente operacionalmente, ou na melhor hipótese, mostrar atenção a isso, diminuir o risco do investidor e claro, garantir seu futuro.

É previsível que uma startup que ainda vai dar os primeiros passos tenha um fluxo de caixa negativo e é neste ponto que o monitoramento da taxa de Burn Rate se torna imprescindível.

Como o Burn Rate é variável, pois o seu valor pode variar com diversos fatores, como despesas inesperadas, atrasos ou até mesmo o aumento das receitas, é importante também os investidores levarem isso em consideração, antes de tirar qualquer conclusão ou decisão.

Portanto, se a taxa de Burn Rate for bem monitorada mensalmente e for tratada com alguns indicadores em tempo real, é possível prever e ter uma noção de quanto tempo levará até precisar de um novo investimento, portanto, é importante que os Empreendedores mostrem aos investidores o acompanhamento mês a mês e os indicadores de forma transparente, para que eles se preparem e aceitem mais facilmente um possível follow-on.

Para terminar, eu deixo o que eu penso e como eu procuro fazer nos meus negócios:

  • Independente do negócio ser bom ou ruim, quanto maior a taxa de Burn Rate menor a minha chance de investimento;
  • Os empreendedores tem que ser desprendidos de vaidade e ser capaz de se adaptar rapidamente as mudanças do mercado, inclusive de padrão de vida, para equacionar o Burn Rate.
  • Uma quantidade de capital acima do parâmetro estipulado pelo Burn Rate pode fazer com que a startup gaste mais do que efetivamente poderia no sentido de segurança financeira.
  • Se a taxa de Burn Rate é Zero, tratar essa conquista como momentânea e não usar a sobra de caixa para gastar ou inchar.

Aos especialistas de plantão, informo que essa é uma analise não técnica, serve apenas para colaborar e ampliar o conhecimento do ecossistema.