"Não tenho medo que façam o que eu fiz ", diz criador da pista de dança que gera energia

A sustentabilidade em baladas é apenas o início, garante o empreendedor em palestra na Campus Party

Avatar

Por Paula Zogbi

29 de janeiro de 2016 às 10:12 - Atualizado há 4 anos

Michel Smit, CEO da Energy Floors, gosta de repetir exaustivamente que “sonha grande”, e que tem o objetivo de fazer do mundo um lugar mais sustentável.

Famoso pela criação da pista de dança que gera energia a partir da movimentação das pessoas, Michel palestrou nesta quinta-feira, 28, na Campus Party Brasil, onde explicou a tecnologia por trás da sua invenção e falou sobre planos de escala e de sustentabilidade.

“É melhor para o meio ambiente ir à balada do que ficar em casa”, diz o empreendedor, cuja experiência da “Sustainable Dance Club”, uma construção sustentável que usa não apenas a instalação do chão gerador de energia, mas também ideias como um sistema de descarga que mostra o quanto de água já foi utilizado por um acionamento e permite que o usuário pause o fluxo.

O ambiente, quando comparado a uma casa de festas comum, emite 117 mil kw de eletricidade, 4,5 milhões de litros de água, 61.200 kg de lixo e 102.000 kg de CO2 a menos, de acordo com ele.

“Não conseguimos montar outros clubes completos ainda, mas passamos a fazer parcerias com outros locais para vender, ao menos, o nosso chão”, conta Michel, que já fez instalações em muitos lugares do mundo, sendo atualmente 25 permanentes – uma delas é a Eco House, no Brasil: a primeira na América Latina.

Também existem as ações pontuais. “Com o tipo de energia que produzimos, não somos concorrentes das grandes companhias geradoras de energia”, explica Michel. “A energia que geramos ainda é pouca, é melhor ser consumida imediatamente. Nossos clientes são os locais onde instalamos nossa tecnologia”, completa.

Sobre cópias e patentes, ele é enfático. “Não tenho medo que as pessoas façam o que eu já fiz. Aliás, é melhor que façam. Eles nunca serão os primeiros”, a missão, aliás, é essa: “não conseguiremos instalar a tecnologia mundialmente, então se alguém conseguir fazer isso em Hong Kong, ótimo”.

No ano passado, a ação “Earth Hour”, que promove uma hora com todas as luzes apagadas em prol do meio ambiente, teve uma ação da Energy Floors onde o movimento das pessoas no chão acendeu a Torre Eiffel. Mais tarde, no Rio de Janeiro, uma ação parecida gerou energia para luzes verdes iluminarem o Cristo Redentor.

“Nossa próxima meta é gerar energia para as Olimpíadas neste ano”, afirma o empreendedor, que criou a campanha #WePowerRio2016 nas redes sociais.

Cidades inteligentes

Para o futuro, a grande ideia é ir além dos ambientes fechados e das pessoas dançando. “Imagine um metrô lotado onde as pessoas gerem energia para fazerem os trens andarem? Ou um asfalto que pegue a energia do carro?”, ele pondera.

O grande desafio, agora, é a tecnologia. “Nosso chão ainda é muito frágil e dura muito pouco tempo. Mas estamos trabalhando nisso”, promete.