É natural que a tecnologia quebre o modelo bancário atual, diz especialista

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Por Paula Zogbi

26 de fevereiro de 2016 às 11:11 - Atualizado há 5 anos

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Para Sergio Salvador, Diretor de User Experience da Huge, a tecnologia é um caminho sem volta, que naturalmente deve acabar quebrando os moldes bancários que conhecemos hoje. “Para as pessoas mais velhas, os bancos sempre estiveram aí, é algo que ninguém questiona, só aceita como realidade”, comenta Salvador. “Mas as gerações mais novas já estão buscando novas soluções, é natural que venham com essa rebeldia de quebrar o que está vigente”.

Sergio trabalha com pesquisa e estratégia para Experiência do Usuário criando produtos digitais para clientes como o Banco de Bogotá (Colômbia), e acredita que o caminho dos bancos a partir de agora, será tortuoso, mas que “haverá espaço para todo mundo”.

Desde a criação do Nubank, a empresa que oferece um cartão de crédito sem anuidade e com atendimento e consulta inteiramente baseados em produtos digitais só vem crescendo. Esse crescimento é, em parte, por conta da anuidade zero em si – algo que é possível porque a empresa, sendo pequena, consegue lucrar mesmo sem a cobrança de taxas de manutenção. Mas essa não é a única razão do crescimento das fin techs.

Uma das principais razões para essa atração pelas empresas mais tecnológicas é a personalização das relações entre empresa e cliente. Empresas como o Nubank e outras fin techs apostam em relações interpessoais mais focadas no consumidor, além de facilidade de acesso a informações, usando soluções tecnológicas como intermédio.

É nesse sentido que as grandes empresas passam a ser ameaçadas e devem trabalhar. “A gente sabe que pelo tamanho dessas instituições, elas são muito lentas e têm muitas camadas de decisão, muita burocracia. Principalmente no brasil a gente viu uma grande movimentação de bancos comprando outros bancos, o que torna [os processos de tomada de decisão e inovação] mais difíceis”, explica Sergio.

“Startupização” temporária

Para tentar evitar a migração em massa para as startups, as grandes empresas buscam maneiras de oferecer soluções semelhantes ou igualmente atrativas para estes clientes. “Acredito que o melhor caminho para conseguir implantar o perfil de fintech nos grandes bancos seria através da mentalidade interna da companhia, passando por todos os funcionários”, pondera o especialista. “Mas isso, além de muito demorado, seria muito difícil em instituições tão robustas, então [os bancos] têm buscado outras alternativas”.

Segundo ele, há uma tendência de que grandes empresas estimulem e participem de startups. ”O que elas têm feito hoje, e eu acho válido, é ou criar ‘startups’ internamente ou fomentar o desenvolvimento de startups dentro de um ecossistema controlado: você oferece dinheiro de investimento pra empresas que tenham alguma relação com seu negócio, que vc vai absorvendo e transformando em produtos próprios”, explica.

Essa movimentação, para ele, é mais fácil do que a tentativa de mudar tudo internamente – mas é temporária. “No futuro os bancos com certeza não serão o que são hoje”, diz. “É uma transição”.

Segurança e privacidade

“Os bancos têm acesso a dados valiosos de todos os clientes. Resta que eles saibam como usar isso em favor do serviço”, comenta Sergio, que acredita que estudar dados dos usuários pode não só melhorar o relacionamento com o cliente como também servir como novas fontes de monetização, podendo até mesmo transformar grandes bancos em empresas de taxa zero.

Para que isso ocorra, ele afirma que a privacidade poderá, eventualmente, ser um pouco passada para traz em prol dos benefícios que o uso dessas informações traz. “Quando as empresas sabem informações, elas oferecem serviços melhores e mais convenientes”, comenta. “Acho que é provável que as pessoas passem a se importar cada vez menos com o fato de as empresas usarem essas informações, porque o resultado vai ser um serviço muito mais favorável”, prevê.

Mas a discussão a respeito é de extrema importância. Para ele, o caso em que o FBI pede a colaboração da Apple para acessar dados de um participante de tiroteio é um exemplo de que “é possível ter acesso aos dados das pessoas sem ferir a privacidade delas”.

“Acho que o papel do governo é incentivar essa discussão”, comenta ele, “mas não regularizar. Sou da opinião de que a iniciativa privada deve definir os destinos, mas o governo deve sim estimular essa discussão”, pondera o diretor, que acredita que boa parte das dificuldades de adaptação dos grandes bancos vem, justamente, da burocracia exigida pelos governos. “Talvez se começasse mudando um pouco essa regulamentação, poderia ficar mais ágil”, ele diz.

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