Mocinha ou vilã? A impressão 3D pode estar dentro da sua casa em breve

Avatar

Por Paula Zogbi

13 de novembro de 2015 às 11:38 - Atualizado há 5 anos

Logo ReStartSe

Inscreva-se para o maior e mais audacioso evento de inovação, tecnologia e transformação digital já feito na América Latina. 30 dias que vão mudar sua visão de mundo, dos seus negócios e da sua carreira.

Online e totalmente gratuito - 01 a 30 de outubro/2020

Como muitas tecnologias revolucionárias, a impressão 3D gera opiniões controversas desde a sua concepção e início da popularização. Em 2013, uma polêmica envolvendo a fabricação de armas usando esta tecnologia criou uma polarização entre adeptos da inovação e pessoas que acreditavam que ela é perigosa demais para estar dentro da casa do usuário comum.

De qualquer maneira, a impressão 3D continua evoluindo, e provavelmente será uma tecnologia muito mais acessível daqui alguns anos. Pelo menos é o que acredita Murilo Lana, fundador da startup PMK Printers, que atualmente tem uma campanha aberta no Kickante para viabilizar a fabricação de uma impressora 3D totalmente brasileira, que vai baratear o acesso a esse tipo de tecnologia por aqui.

“A impressora 3D em casa é uma realidade que já está começando a acontecer, e pode ganhar uma popularização ainda maior entre 10 a 15 anos”, afirma Murilo. Ele vê com entusiasmo as diversas opções que o produto pode fornecer a diferentes indústrias e ao usuário comum: “as empresas podem usar para obter ganhos de capital ou como ganho indireto, com a fabricação de produtos ou mesmo atividades educativas e criativas, como em dinâmicas de grupo”.

Indústria e educação
Para o empreendedor, uma das inovações mais importantes vem no campo da medicina: “é possível, por exemplo, imprimir a tomografia de um cérebro com um tumor para que os profissionais analisem e estudem as formas de realizar uma operação tão arriscada como essa. É um avanço imenso”, comemora. Murilo também cita outros usos diretos na indústria, como a fabricação de maquetes de forma mais rápida, barata e automática no ramo da arquitetura.

Dentro de casa, já estão sendo pensadas maneiras de fazer uso das facilidades da “fabricação” de produtos com a tecnologia: “a fabricante de brinquedos Mattel fez uma parceria com a Autodesk, que desenvolve softwares de modelagem 3D, para que essa empresa forneça modelos que as pessoas possam imprimir em casa”, exemplifica Murilo, que acredita que, em breve, fabricantes de diversos produtos passarão a desenvolver modelos de peças e produtos que poderão ser impressos pelo próprio consumidor: “se quebrou algo, ou uma peça precisa ser reposta, o modelo disso pode ser disponibilizado online pela própria fabricante”.

Mas não é só no sentido comercial que a impressão 3D pode ser usada. Segundo Murilo, já existem muitas escolas que aproveitam a possibilidade de criar materiais didáticos e incentivar atividades criativas entre alunos usando a ferramenta. “Isso pode ser usado em empresas também. Há bancos que criaram, em parceria com outras empresas, os chamados ‘maker spaces’, que permitem um trabalho mais criativo e a realização de dinâmicas. São muitas possibilidades”, afirma.

Apesar de hoje o material das impressões ser principalmente formado de variações do plástico, já existem esforços para diversificar as possibilidades. Já é possível, por exemplo, imprimir chocolate e outros alimentos usando os ingredientes como base em impressoras criadas especialmente para isso. 

Controvérsias e segurança
Murilo não nega os perigos envolvidos em dar esse tipo de “poder” ao usuário comum.

“Como em qualquer tecnologia, há riscos”, ele diz. “O governo deve ter o papel de buscar o uso consciente disso. Se aparecerem pessoas oferecendo softwares ‘do mal’ para a impressão em 3D, isso deve ser combatido por especialistas”. Sobre o caso de 2013, ele afirma que o governo dos Estados Unidos foi eficiente em combater a disseminação dos softwares que fabricavam armas. “Mas sim, é possível fabricar armas letais usando a impressão 3D”.

O acesso a esses softwares pode ser assustadoramente fácil: “a maioria das ferramentas para impressoras 3D usam código aberto e são livres. As pessoas podem contar com ajuda e contribuir para o desenvolvimento de onde quer que elas estejam, o que também facilita o acesso de qualquer um que tenha a tecnologia em casa”.

Nesse sentido, a evolução dos produtos impressos em 3D, tenham eles o intuito que tiverem, tende a ser acelerada e otimizada pelo compartilhamento de informações e conhecimentos que o open source e a produção colaborativa oferecem.