Invest Class: João Kepler dá aula sobre verdades e mitos de investimento-anjo

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Por Lucas Bicudo

14 de julho de 2016 às 19:29 - Atualizado há 4 anos

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Os maiores investidores-anjo do Brasil juntos em um evento exclusivo para 40 startups e experiência única de imersão e treinamento em captação de investimentos: esse era o propósito do Invest Class, evento fruto da parceria entre StartSe, Microsoft, SoftwareONE e Samba Tech, que aconteceu na última terça-feira (05), na sede da Microsoft em São Paulo.

Tratou-se de um dia repleto de conteúdo e interação, com foco exclusivo em captação e o alinhamento de tese de acordo com cada degrau de investimento. Os presentes tiveram a oportunidade de aprender e se relacionar com nomes como Pedro Englert, Fábio Póvoa, João Kepler e Marco Póli.

Quem começou os trabalhos foi Englert, falando sobre MVP e métricas de resultado.

Na sequência, a segunda apresentação ficou a cargo do Póvoa, que comentou sobre escala de investimento e ciclo do investidor.

Kepler, que foi quem seguiu com as apresentações, foi finalista, como melhor investidor-anjo do país, do Spark Awards da Microsoft em 2013, 2014 e 2015 – acabou ganhando o título só no último ano. É fundador da DealMatch, plataforma para investimentos em startups, conselheiro da Anjos do Brasil e associado da Bossa Nova Investimentos e Seed Participações.

Ele falou sobre mitos e verdades a respeito de investimento-anjo, retorno x risco e teses de investimento. No primeiro tópico, começou com as mentiras que lhe contaram sobre esse tipo de investimento, que foram necessárias para limar quaisquer tipos de equívocos ou glamourização do setor.

“Investir apenas em uma ideia é mais barato; retorno acontece no prazo de 2 anos; um plano de negócio bem feito é suficiente para começar; existem centenas de projetos infalíveis; não precisa participar ativamente da startup; em uma startup acelerada o risco é menor; não é difícil fazer exits no Brasil; 5 em cada 10 startups vão prosperar; investir apenas em uma ideia é mais barato; um anjo pode salvar sua empresa do fracasso; terei múltiplos acima de 10; não precisa dedicar muito tempo no negócio; o importante é internacionalizar o mais rápido possível; e não aceitar ofertas menos que o valuation sonhado são alguns dos mitos comuns que permeiam a atividade do investidor-anjo”, diz.

Para se ter uma ideia, Kepler, em mais de dezenas startups investidas, possui apenas 4 exits (nome dado a venda de participação), para aqueles que acham que a prática é de fácil acesso no país: o da Credix, que o devolveu apenas a mesma quantia investida, o do Clube do Sapato, que retornou mais ou menos duas vezes o investido, o da Crowdmobi, que já começou a ficar interessante e retornar quatro vezes mais do que o que foi posto, e por fim, o da Mobils, que trouxe valores astronômicos e fez tudo valer a pena.

É preciso perseverança e insistência. Pode não ser na primeira, na segunda, nem na terceira tentativa. Mas uma hora você será capaz de mapear o equilíbrio perfeito entre a equação “risco x retorno”.

Sua startup tem que convencer que o investidor pode tirar um retorno entre 5 a 20x o valor investido e os ricos de mercado – está em um grande mercado? Tem problemas de satauração? Concorrência? O Google pode fazer? -, produto – você pode construir um produto atraente com vantagens competitivas sustentáveis? -, e execução – seu time entrega? Tem capacidade de reter clientes de forma rentável? tem grande escala?  De transformar a sua oportunidade em um negócio de longo prazo? – estejam bem cobertos e protegidos.

O mais importante, que ressalta entretanto, é que dentro desses cases de sucesso, se deparou com mais de dezenas de casos de fracasso. E aprendeu. Aprendeu que, em ordem de pôr seu dinheiro no projeto de alguém, é preciso ter um propósito muitíssimo bem definido e alinhado. É preciso que você saiba que tipo de investidor você é e que você procura.

O que nos leva às teses de investimento de cada investidor.

“Você precisa conhecer o perfil e a tese do seu investidor antes de qualquer coisa. O meu mindset e o daqueles que trabalham comigo é o de propósito definido. Soluções pontuais para problemas específicos. O produto/serviço é essencial? Qual seu nicho? E sua recorrência? E sobretudo, novas perspectivas. Essas são minhas premissas para analisar e escolher um empreendedor e uma startup. Começo tudo com porque”, continua.

A tese de investimento de Kepler está disponível publicamente no LinkedIn e estabelece que:

“Invisto em modelos de negócio B2B ou B2B2C, no B2C apenas em e-commerce de nicho; Em estágio pronto para o mercado; que sejam inovadores; que resolvam problemas existentes de forma específica; que sejam relevantes socialmente; que sejam escaláveis; que os empreendedores sejam humildes e especialistas no assunto; que agreguem valor e seja sinérgico ao meu portfólio; preferencialmente ligadas ao varejo e ao entretenimento; que o plano de negócio e DRE façam muito sentido; que seja visível as opções de saída; que o investimento seja feito, se possível, através de co-investimento com Anjos com competências complementares”.

Por fim, o investidor, em contraposição aos mitos apresentados no começo de sua apresentação, fala sobre algumas verdades e dicas para nutrir a melhor relação possível com seu investidor, de maneira que não seja dado nenhum passo em falso no meio do processo.

A busca pelo investidor deve ser focada e de nicho. Procure por sua biografia, siga nas redes sociais, analise o portfólio de empresas que já investiu, descubra amigos em comum que possam te apresentar e acesse as bases do StartSe e Anjos do Brasil.

Não envie mailing, inbox para Anjos ou VCs de forma aleatória de sua descoberta. Não insista resposta de um e-mail ou apresentação enviada. Vale uma lembrança de vez em quando, mas cobrança nunca. Mostra desespero e é fatal.

Vá eventos e cursos. Compartilhe. Aprender nunca é demais. Participe de comunidades, fóruns, apareça, colabore, comente, seja amigo acima do interesse pelo dinheiro.

A hora certa de buscar investimento não é quando o caixa está zerado, é quando VAI ficar com o caixa zerado.

Quando mandar a ideia, envie apenas um resumo, um sumário executivo. Depois, se interessar ao investidor conhecer o resto, envie o projeto. Esse sumário deve ter um propósito e objetivos muito bem definidos.

Convide o anjo para ser mentor (investir somente tempo, networking e conhecimento) em troca de ações ou possibilidades. É só lá na frente que o investidor irá entender se precisa ou não colocar dinheiro ou atrair capital de terceiros.

Construa relacionamento para segurança de ambas as partes.

Investidor não investe em 1 ponto do seu negócio, investe numa barra de progresso.

E por fim, se o empreendedor não está disposto a investir tudo que tem no seu próprio negócio, por que um investidor deveria?

Mensagem do Editor
Ei, tudo bom?
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