Invest Class: Fábio Póvoa fala sobre a escala de investimento e ciclo do investidor

Avatar

Por Lucas Bicudo

12 de julho de 2016 às 10:41 - Atualizado há 4 anos

Logo ReStartSe

Inscreva-se para o maior e mais audacioso evento de inovação, tecnologia e transformação digital já feito na América Latina. 30 dias que vão mudar sua visão de mundo, dos seus negócios e da sua carreira.

Online e totalmente gratuito - 01 a 30 de outubro/2020

Os maiores investidores-anjo do Brasil juntos em um evento exclusivo para 40 startups e experiência única de imersão e treinamento em captação de investimentos: esse era o propósito do Invest Class, evento fruto da parceria entre StartSe, Microsoft, SoftwareONE e Samba Tech, que aconteceu na última terça-feira (05), na sede da Microsoft em São Paulo.

Tratou-se de um dia repleto de conteúdo e interação, com foco exclusivo em captação e o alinhamento de tese de acordo com cada degrau de investimento. Os presentes tiveram a oportunidade de aprender e se relacionar com nomes como Pedro Englert, Fábio Póvoa, João Kepler e Marco Póli.

Quem começou os trabalhos foi Englert, falando sobre MVP e métricas de resultado. 

Na sequência, a segunda apresentação ficou a cargo do Póvoa, fundador da Movile, investidor-anjo e professor da matéria Lean Startup, na Unicamp. Conhece, como ninguém, os dois lados da moeda e é referência nacional no tema.

“Estou formando os melhores empreendedores no país. Como professor e como investidor, isso é promissor e satisfatório. Invisto no país e em mim mesmo” – comenta.

Fábio palestrou sobre as posições na escala de investimentos de startups e uma visão geral do ciclo do investidor. Comecemos com o primeiro tópico. Em que degrau você se encontra e que tipo de investimento é condizente com ele?

Tudo começa no andar da “exploração”, que também podemos colocar aqui como ideação. Trata-se do bootstrapping e brain storm de seus valores de negócio, onde tudo está sendo montado e firmado.

“Trata-se do famoso se vira nos 30. É o momento em que você não tem o suficiente para ir atrás de investimento, mas não pode ficar parado. O primeiro estágio da monetização: trabalhar com o que tem”, discursa Póvoa.

O segundo é o da “validação” do bootstrapping, também conhecido por Fábio como o momento FFF: friends, family and fools (amigos, família e ingênuos, na tradução livre). Enquanto na exploração você literalmente explora suas alternativas, na validação você as apresenta para sua rede próxima de contatos.

“É a hora dos elogios. Hora de receber um aporte da mamãe, do papai, dos amigos do LinkedIn, da sua rede de contatos do Facebook. Quem quer que tenha uma afinidade com você e parou mais de 2 minutos para olhar seu projeto, capitalize!”, continua.

Na sequência, vem o andar da “construção” do seu produto/serviço minimamente validado. O FFF continua, no começo ele sempre será o seu melhor aliado, mas aqui já começamos a criar perspectivas para aproximação de investidores-anjo – executivos de grandes corporações, atuais e ex-empreendedores, atuais e ex-executivos e consultores, experts da indústria, que fazem aporte jurídico, desenvolvimento de produtos, vendas, mentoria e orientação, fundraising, company building, domain expertise, finanças e contabilidade, parcerias, marketing de performance e aquisição de usuários.

Vale aqui fazer uma interrupção na sequência de andares da escala de investimento e falar um pouco sobre o ciclo do investidor-anjo, o segundo tópico abordado por Póvoa. Voltaremos a sequência de andares em breve, muito em breve. Como que esse investidor pode te ajudar?

Bem, à princípio, com o que é chamado de “advisory e early radar”. Lembra do que João Kepler falou no Accelerator Day, sobre investir ser como flertar em um bar?

“Pensa naquela pessoa atraente no balcão do bar. É quase que impensável, por uma urgência física, que você aborde a pessoa e peça para casar com ela. Ninguém faz isso, você sairia como louco ou uma dissimulada. Existe a paquera, existe o flerte, se conhecer, ver se os interesses batem. A questão é: como você pode simplesmente chegar para um investidor e pedir pelo dinheiro dele? É a mesma coisa que pedir um desconhecido em casamento. Para existir qualquer tipo de aproximação entre um investidor e um empreendedor, uma bela relação deve ser preestabelecida. Ambas as partes precisam se conhecer para fazer com que a relação evolua e possamos chegar onde ambos almejamos para nós mesmos”, disse.

Pois bem, nesse estágio falamos de aproximação. Aproximação das partes. Um radar sobre as intenções principais do empreendedor para o seu negócio e do investidor com sua tese. Ambos precisam estar alinhados.

A segunda parte do ciclo do investidor é o “dealflow”, o fluxo contínuo de oportunidades em busca por capital de risco – momento em que sai da mentoria e vai para oportunidades de mercado. Em seguida temos a “análise”, uma evolução do radar, a qual já temos todas as teses de acordo umas com às outras e o status da captação de oportunidades precisa ser radiografado.

Só depois de tudo isso que finalmente a mão é colocada na massa, com a discussão do “investimento”. Aqui todas as especificações jurídicas e contratuais são teoricamente bem definidas e desafios, necessidades, forças e fraquezas são mapeadas individual e coletivamente dentro da empresa. Na sequência, vem a “execução”, que já é bem autoexplicativa.

Nesse ponto, empreendedor e investidor se conhecem. Tudo foi cautelosamente estudado e agora executado. Entrou dinheiro na startup. E fica aqui uma ressalva importante de Póvoa:

“Você irá utilizar o dinheiro investido para pagar uma conta da sua startup? NÃO, NÃO E NÃO! O dinheiro de um investidor-anjo é para propor melhorias e escalabilidade para a empresa, não para tapar buracos. Melhorar significa ganhar mais dinheiro, portanto sempre vise crescer. O resto se adapta”.

E como fazer para crescer? É aí que vem a “calibragem” do investimento e do negócio. Métricas de funil, engajamento e finanças precisam ser bem definidas ou adaptadas, seu plano de negócios precisa estar em xeque com a performance de sua startup. É alinhar melhor tudo que foi desenvolvido, contando agora com a chancela de um investimento-anjo. Tudo calibrado, é hora de fazer seu “roadmap”, que te dará a oportunidade de rever todos esses passos e como eles foram desenvolvidos.

Para finalizar o ciclo, falamos sobre “working sessions”, “closed sessions”, gestão de portfólio e, finalmente, a saída, o retorno. Trata-se do momento em que metas trimestrais são definidas, oportunidades de novas parcerias surgem e todas as formalidades do processo são firmadas. O negócio está acontecendo e, se bem executado, está bem na fita com todo mundo. É aí que o dinheiro começa a entrar, tanto para um lado da moeda, quanto para o outro, e ambas as partes podem gerir portfólio e seguirem caminhos diferentes.

Pois bem, dito o que é um investidor-anjo, como funciona o seu ciclo e no que ele pode te ajudar, voltamos para os degraus da escala de investimentos, que ficou na “construção” (FFF + Anjos, lembra?)

O próximo passo é o “lançamento”. O nome dá até calafrios, certo? Toda essa operação para simplesmente lançar o seu produto/serviço? Sim. Tudo tem que estar com todos os pingos nos “i”s para que a partir daqui, tudo flua e não você não perca tempo e fique preso em entraves jurídicos e legais. É nessa etapa que mais anjos se integram à equipe e plataformas como a de crowdfunding podem ser acionadas. Trata-se da profissionalização pós investimento do seu negócio.

Feito tudo isso, estamos falando agora de nadar com os peixes grandes. É a hora do “crescimento”, em que são feitos seeds e investimentos em VC de série A, B ou C. Para finalizar a escala, encontramos a “maturidade”, momento de private equity, investimentos em VC de série D e E e IPOs.

“Um bom investidor deve sempre pensar na pergunta que o bom empreendedor fará: Eu sou um empreendedor de alto potencial e consigo investimento de qualquer anjo. Por que devo aceitar o seu? Deve deixar sempre claro aos investidos suas habilidades e suas fraquezas. Que valores você agrega? Finanças, marketing, mentoria, contatos, experiência no nicho, celebridade? O ciclo do investidor tem que estar completamente alinhado a escala de investimento do empreendedor para que o sucesso possa ser atingido” – completa.

Antes de finalizar, Póvoa faz um belíssimo adendo para todos aqueles que estão à procura de investimentos:

LEVANTAR CAPITAL NÃO É UM PONTO – É UMA LINHA

É preciso contato inicial, apresentações nas redes sociais, uso do produto, e-mail com novidades e atualizações, contato pessoal, conteúdo de marketing, sessões de mentoria, dealflow pipeline, tração e engajamento (histórico, futuro, custo de pessoal, infra, marketing) e pitch deck (problema/dor, solução/produto, tamanho do mercado, competidores, tecnologia, estratégia, time, modelo de negócio, rodada) para que você possa considerar um investidor interessado no seu negócio.

“Faça algo que muitos queiram. Quase todos precisam cortar o cabelo. Alcance e sirva todas elas. Servir é um problema e é aí que você precisa se diferenciar” – finaliza.

Mensagem do Editor
Ei, tudo bom?
Gostaria de agradecer pela visita! Meu nome é Felipe Moreno, sou editor-chefe do StartSe e, como muito de vocês, dono de uma (minúscula) startup de mídia.
E vou te fazer um pequeno convite: vamos bater um papo! É só se cadastrar aqui embaixo e eu vou te enviar alguns e-mails para você com o melhor do nosso conteúdo para te ajudar, seja você um empreendedor, funcionário, investidor ou apenas interessado neste maravilhoso mundo!
É um caminho de comunicação direto que nenhum outro portal oferece para seus leitores. E a intenção é construir uma comunidade vibrante que esteja preparada para todos os enormes desafios que virão. Vamos construir conhecimento e conteúdo juntos! Conto muito com a presença de vocês neste papo!
[php snippet=5]