IGBE mostra que o Brasil tem 31.223 empresas em alto crescimento

Iniciativa é realizada pelo IBGE, em parceria com a Endeavor, que analisa as características das Empresas de Alto Crescimento

Avatar

Por Lucas Bicudo

18 de novembro de 2016 às 16:34 - Atualizado há 3 anos

Foi lançada hoje (18) a nova edição do “Estatísticas do Empreendedorismo”, estudo realizado pelo IBGE, em parceria com a Endeavor, que analisa as características das Empresas de Alto Crescimento (EAC).

Em 2014, existiam 31.223 dessas EACs, aquelas que aumentaram em pelo menos 20% ao ano o número de empregados, por um período de três anos consecutivos, e tinham 10 ou mais pessoas ocupadas assalariadas no ano inicial de observação.

Embora as empresas de alto crescimento representem apenas 1,3% do total de empresas ativas com ao menos uma pessoa ocupada assalariada, respondem por quase a metade dos empregos gerados por elas – 46,7%. Muitas delas são startups e muitas delas ainda passam pelos perigos que podem quebrar as companhias – para isso promovemos o curso Startup de A a Z.

Entre 2011 e 2014, as empresas de alto crescimento apresentaram um crescimento de 175% no pessoal ocupado, passando de 1,6 milhão de pessoas em 2011, para 4,4 milhões em 2014.

Quanto à distribuição dessas empresas entre os setores, o setor de construção (9,6%) foi o que apresentou a maior proporção de empresas de alto crescimento no total de empresa ativas com 10 ou mais pessoas assalariadas, embora em termos absolutos o maior número de empresas de alto crescimento esteja nos serviços (9.931). Já a distribuição das empresas de alto crescimento por atividade econômica mostrou que as três principais seções foram comércio; reparação de veículos automotores e motocicletas (26,5%); indústrias de transformação (20,5%); e construção (12,2%).

Em relação ao valor adicionado bruto, as empresas de alto crescimento geraram, em 2014, R$ 241,4 bilhões, ou seja, 12,8% do total de R$ 1,8 trilhão gerado nas empresas ativas com 10 ou mais assalariados. Assim, o valor adicionado médio (valor adicionado bruto dividido pelo número de empresas) das empresas de alto crescimento foi de R$ 8,2 milhões, acima do verificado entre as empresas com 10 ou mais pessoas ocupadas assalariadas (R$ 4,4 milhões).

O número de empresas de alto crescimento caiu pelo segundo ano consecutivo. Em 2013 a redução foi de 5,2%, e em 2014 este recuo chegou a 6,4%.

Em 2014, 2.717 empresas foram consideradas de alto crescimento contínuo, pois apresentaram crescimento do pessoal ocupado assalariado de pelo menos 20% ao ano, durante dois triênios seguidos, isto é, desde 2009. Tais empresas, apesar de representarem 8,7% das empresas de alto crescimento de 2014, ocupavam 20,7% do pessoal ocupado assalariado e pagavam 21,4% dos salários e outras remunerações.

Ao se analisar a trajetória dessas empresas no período anterior ao alto crescimento contínuo (2005 a 2008), observou-se que 50,6% (1.373) já apresentavam crescimento de pessoal ocupado assalariado. Essas empresas geraram 34.956 postos de trabalho entre 2005 e 2008, com taxa média de crescimento anual de 15,5%. Observou-se um forte componente setorial no fenômeno de alto crescimento contínuo, uma vez que 58,6% das empresas que cresciam desde 2005 estavam concentradas em 10 seções de atividades, sendo que o comércio varejista reunia 12,7% delas.

Em três anos, empresas de alto crescimento de 2014 geraram 2,8 milhões de postos assalariados

As empresas de alto crescimento representam uma parcela pequena no total de empresas ativas no Brasil, mas destacam-se em termos de crescimento de postos de trabalho assalariados. O pessoal assalariado das empresas de alto crescimento de 2014 passou de 1,6 milhão de pessoas em 2011, para 4,4 milhões em 2014, um incremento de 2,8 milhões de pessoas ocupadas assalariadas, uma variação de 175,0%. O crescimento de postos assalariados nas empresas de alto crescimento representa 46,7% dos postos gerados em empresas com uma ou mais pessoa assalariada.

Valor adicionado bruto gerado nas empresas de alto crescimento foi de R$ 241,4 bilhões

Em 2014, as empresas ativas com 10 ou mais assalariados geraram R$ 1,8 trilhão em valor adicionado bruto (diferença entre o valor bruto da produção e o consumo intermediário. Refere-se ao valor que a atividade agrega aos bens e serviços consumidos no seu processo produtivo), sendo que as empresas de alto crescimento foram responsáveis por R$ 241,4 bilhões, 12,8% desse total. Assim, o valor adicionado médio (valor adicionado bruto dividido pelo número de empresas) das empresas de alto crescimento foi de R$ 8,2 milhões, acima do verificado entre as empresas com 10 ou mais pessoas ocupadas assalariadas (R$ 4,4 milhões). Dentre as empresas de alto crescimento, a atividade de transporte aéreo foi a que gerou maior valor adicionado médio (R$ 226,2 milhões).

A produtividade média (razão entre o valor adicionado bruto e o pessoal ocupado assalariado) do trabalho nas empresas de alto crescimento foi de R$ 58,4 mil por empregado, o que representa 79,2% do valor verificado entre as empresas ativas com 10 ou mais pessoas ocupadas assalariadas (R$ 73,7 mil por empregado). A atividade extração de petróleo e gás natural registrou a maior produtividade média dentre as empresas de alto crescimento (R$ 911,8 mil por empregado).

As empresas de alto crescimento responderam por uma receita líquida de R$ 813,8 bilhões, 12,5% do total de R$ 6,51 trilhões de receita líquida gerada pelas empresas com 10 ou mais pessoas ocupadas assalariadas.

8,7% das empresas de alto crescimento de 2014 vinham crescendo ao menos 20% ao ano desde 2009

As empresas de alto crescimento contínuo são aquelas que continuam com crescimento do pessoal ocupado assalariado de pelo menos 20% ao ano, durante dois triênios seguidos. Observa-se que, do total de empresas de alto crescimento no triênio 2009-2011 (34.528), 13.528 (39,2%) continuaram a crescer em média 20% em 2012; 7.071 (20,5%), em 2013; e 2.717 (7,9%) mantiveram tal crescimento em 2014.

Estas 2.717 empresas de alto crescimento contínuo, em 2014, ocupavam 922.125 pessoas assalariadas e pagavam R$ 22,0 bilhões em salários e outras remunerações. Apesar de representarem 8,7% das empresas de alto crescimento de 2014, ocupavam 20,7% do total de pessoal ocupado assalariado e pagavam 21,4% do total de salários e outras remunerações.

Mais da metade (50,8%) dos ocupados em empresas de alto crescimento estão no Sudeste

A região Sudeste apresenta a maior concentração de unidades locais de empresas de alto crescimento (48,0%) e de população ocupada nessas empresas (50,8%). No entanto, a representatividade das unidades locais de empresas de alto crescimento em relação às unidades locais de empresas com 10 ou mais pessoas ocupadas assalariadas é maior na região Norte (9,4%), seguida por Centro-Oeste (9,2%), Nordeste (8,9%), Sul (8,2%) e Sudeste (7,9%).

No caso da representatividade em termos de pessoal ocupado, o Norte também aparece em primeiro, com 19,3%, seguido por Nordeste (18,6%), Centro-Oeste (17,4%), Sudeste (14,6%) e Sul (12,8%).

Não deixe de entrar no grupo de discussão do StartSe no Facebook e de inscrever-se na nossa newsletter para receber o melhor de nosso conteúdo!

[php snippet=5]