É hora da Apple baixar os preços do iPhone e outros produtos para crescer

Da Redação

Por Da Redação

1 de fevereiro de 2016 às 12:57 - Atualizado há 5 anos

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Receitas estagnadas são um problema para qualquer empresa. E parece que este problema chegou para a maior do mundo: a Apple. Principalmente no seu principal segmento: o iPhone, que vai registrar sua 1ª queda anual desde seu lançamento em 2007. E isso faz a empresa estar próxima de perder o posto de companhia mais valiosa do mundo para o Google. 

E saída para tal estagnação pode ser uma coisa inédita para a companhia: abaixar preços. A companhia tem preços muito altos e isso a prejudica em um mundo com cada vez menos dinheiro para gastar – e com o dólar também cada vez mais forte. Um celular iPhone é vendido em média por cerca de US$ 691, enquanto o preço média do Android, do Google, é de US$ 231. 

No momento, Tim Cook, CEO da Apple, deve continuar com sua política: “eu não vejo a gente saindo da nossa estratégia. Não fazemos produtos para um certo público, fazemos um bom produto e o vendemos em um preço que consideramos em que ele tenha um bom custo-benefício”. 

A questão da precificação dos produtos será vista quando a empresa lançar seu próximo smartphone: o iPhone 5SE – que terá o mesmo tamanho do iPhone 5, mas com configurações melhores e habilidade de usar o Apple Pay, o serviço de pagamento mobile da empresa. Por ser um smartphone menor, espera-se que o preço seja menor também. 

Atualmente o iPhone 5S é o mais barato da companhia, custando cerca de US$ 450 – enquanto o iPhone 6 mais barato custa US$ 550, o iPhone 6S custa no mínimo US$ 650 e o preço mais baixo do iPhone 6S Plus é US$ 750. Contudo, US$ 450, enquanto “barato” para o padrão da Apple, ainda é duas vezes mais caro que a média dos aparelhos Android. Um mais barato talvez fosse a solução. 

No passado, a companhia dizia que os iPhones usados eram o caminho para ter um produto premium no bolso sem ter que pagar muito por isso – e embora ela não recebesse nenhum dinheiro na revenda, ela se beneficiava com os gastos dos usuários em aplicativos, filmes ou serviços da companhia. A empresa também tentou fazer o iPhone 5C, mais barato e acabamento de plástico – mas infelizmente ele não vendeu o suficiente e essa linha foi descontinuada. 

Até pouco tempo atrás, as operadoras de celular subsdiavam o preço do iPhone, ajudando muito para a Apple manter suas vendas, já que o preço não chegava tão alto para o consumidor final. Mas há uma tendência mundial para acabar com esses subsídios, o que vem prejudicando a Apple. 

Um analista do banco Barclays, Mark Moskowitz, explica que, talvez, esta ideia seja precipitada: no momento, a base de comparação da Apple está esticada por conta do iPhone 6, que foi o primeiro da companhia a atender a “demanda reprimida” de celulares iOS com tela grande. As vendas continuam fortes e o iPhone 7 chega no final do ano, mas sem uma demanda reprimida. 

Baixar os preços, embora seja uma ideia atraente, poderia dar a ideia de que o iPhone é um produto barato – eliminando o sentimento premium de vários usuários do aparelho. A Apple se beneficia amplamente deste sentimento: ela só tem 14% do mercado de smartphones, mas representa mais de 80% de todos os lucros. E essa relação de baixa fatia de mercado e fortes lucros é verdadeira também para tablets e computadores, com o iPad e Mac. 

A companhia, porém, admite que os seus preços podem estar elevados demais para mercados emergentes, como a China e o Brasil. “Preços altos afetam a demanda e estamos projetando isto no nosso guidance”, afirmou Luca Maestri, CFO (Chief Financial Officer) da companhia em coletiva pós-resultados. 

Com isso, a empresa tenta monetizar de novas formas. Um exemplo é o Apple Music, que surgiu em 2015 e já tem 10 milhões de assinantes pagando US$ 10 por mês – ou seja, um negócio que gera um bilhão de dólares por ano e que não existia antes.  

Ela também está, nos Estados Unidos, criando uma nova forma para usuários comprarem o iPhone, mostra o MarketWatch: é basicamente uma forma de transformar o iPhone em uma “assinatura”, já que o usuário pagaria uma “mensalidade” e trocaria de aparelho todo ano – entregando o antigo e recebendo um novo. Engenhoso, mas é o suficiente?