Há quem esteja abandonando o mercado financeiro para investir em startups

Da Redação

Por Da Redação

26 de julho de 2016 às 18:51 - Atualizado há 4 anos

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Nos Estados Unidos, era comum que jovens muito ambiciosos (querendo ser ricos) optassem por uma carreira em Wall Street, o principal centro do mercado financeiro mundial. Com a migração do dinheiro para Sand Hill Road, a maior concentração de venture capitalists do mundo, no meio do Vale do Silício, muitos desses jovens decidiram tomar o caminho de empreender ou de investir em startups.

E, aqui no Brasil, essa tendência de migração começa a aparecer. “Eu era do mercado financeiro de uma gestora de fundos de investimento focados em bolsa de valores, mas decidi sair, estava muito interessado em saber sobre este mundo de startups”, afirma o investidor Marcos de Toledo Leite, que atualmente mora no Vale do Silício, fazendo cursos sobre venture capital e sobre tecnologia para, quando voltar para o Brasil, abrir seu próprio fundo de VC.

“Estou animado! Vou fazer isso da vida!”, diz Toledo. Ele destaca que já vinha com essa atividade há algum tempo, inclusive investindo em algumas startups como pessoa física. No Broota, dá para ver que ele investiu na Easy Carros, que também recebeu investimento de alguns executivos da Ambev e outros grandes fundos.

Animado com o mercado de startups brasileiro, que ainda está no começo e que pode apresentar um crescimento significativo nos próximos semestres. “Fiz muita reunião com os fundos daqui, para entender como funcionam os fundos aqui e o que eu podia levar para o Brasil. Quero levar as melhores práticas daqui para o Brasil”, destaca o investidor.

“Temos uma perspectiva muito boa! É um ecossistema que está muito no começo, mas está acelerando. Temos poucos, mas bons, fundos no Brasil”, complementa.  De fato, perto do Vale do Silício – onde Marcos reside no momento – o mercado brasileiro está muito no início e depende de pessoas como ele para evoluir, trazendo conhecimento que vão amadurecendo o mercado e ajudando a criar a riqueza.

Por conta disso, Toledo prefere fazer um fundo em um ponto que ele acredita ser um dos mais vulneráveis. “Meu fundo vai ser em seed capital, um dos primeiros investimentos que uma startup recebe. Eu vi que no Brasil a maioria dos fundos é focado para momentos mais distantes. Tem espaço para crescer”, conta.

Ele destaca que quer ser um investidor que seja muito benéfico para o investidor – que os colabore para crescer e gerar riquezas. “Vamos levar termos muito pró-empreendedor, no estágio seed é muito importante que o empreendedor esteja entusiasmado e focado na empresa dele. Temos bons anjos que já são assim, mas nem todo o ecossistema é assim”, destaca.

“Temos excelentes empreendedores no Brasil, com uma boa mentalidade, cabeça de empreendedor, e é isso que faz o País andar para frente: gente empreendendo e gerando emprego. Duas gerações atrás, a cabeça era para emprego público”, avalia.

A crise não assusta

Um ponto que é válido ser ressaltado é que Toledo não tem medo da crise econômica brasileira, que vem prejudicando o desempenho dos investimentos tradicionais. Muito pelo contrário: ela é uma oportunidade para que nasçam grandes negócios inovadores no futuro. “A crise é uma oportunidade, você vê muita pessoa boa pensando em criar o próprio negócio”, afirma.

A crise permite que os investimentos sejam feitos mais baratos que se o mercado estivesse super aquecido (investir em uma bolha, por exemplo, seria um péssimo negócio para todos). E o período dos investimentos acaba compensando. “Investimento de startup é voltado para o longuíssimo prazo”, explica.

Um lado bom, na visão de Toledo, é que o mercado tem se amadurecido e está mais próximo de um marco regulatório positivo, que reduzirá alguns dos riscos associados com o investimento em startups. “A CVM (Comissão de Valores Mobiliários, que prepara a regulação) vê com bons olhos essas iniciativas todas, até onde eu sei. Essa sinalização é super boa”, avalia.

Na opinião dele, um dos pontos principais que deveriam ser tratados na regulação é a diminuição do investimento mínimo por startup, que abriria o mercado para mais investidores e permitiria que os atuais fizessem apostas menores. “Diminuir as exigências para cada investimento seria bom, pois acaba democratizando mais. Permite que as pessoas diversifiquem mais”, afirma o investidor.

Por conta desses fatores, ele não acredita que  investimento em startup é uma coisa que todos os investidores deveriam procurar. “Não acho que é para todo mundo, é para quem consegue satisfazer essas condições. Tem que diversificar e saber que é um investimento de longo prazo. Não adianta investir em uma ou duas, tem que investir em dezenas. E também adianta querer investir em startups se você quer ter o dinheiro no curto prazo”, comenta.

O governo precisa colaborar

Ele não apenas conheceu o Vale do Silício, como visitou Israel, outro ecossistema fortíssimo de startups, com a maior quantidade de empresas inovadoras per capita do mundo. E tanto no Vale quanto por lá, viu boas práticas que devem ser emuladas. “Lá em Israel você tem empreendedores, faculdades muito boa, capital abundante e o governo super pró-empreendedorismo”, avalia.

Na opinião dele, o governo brasileiro é um dos principais entraves para o desenvolvimento do mercado de startups – que é bom, mas poderia ser espetacular com um governo que estivesse mais atento a essas necessidades. “Acho que o ritmo de amadurecimento é bom. Os primeiros pontos estão andando, fora o governo, estão andando”, afirma.

Para ele, o desenvolvimento passa por tocar alguns dos temas mais encardidos da história da República e desburocratizar. “Temos algumas reformas a serem feitas, como abertura de empresas, legislação trabalhista. No Brasil tudo é difícil, contratar, saber qual regra tributária você se encaixa. Aqui no Vale você cria empresa em um dia. Aí no Brasil demora meses”, destaca.

Além disso, regras mais simples fariam que os empreendedores tivessem mais foco. “No Brasil você tem medo de estar no lugar errado. Mesmo se você quer fazer tudo certo, acaba cometendo um deslize ou outro pela complicação. Muitas vezes a cabeça do empreendedor não está em trabalhar, está em evitar um deslize”, explica.

Para ele, o Brasil vai passar por melhoras conforme o cenário político começa a se desenhar com mais clareza, tenha o impedimento da Dilma ou não. “Vai ser melhor o segundo semestre. Os próximos meses podem dar uma clareada, no primeiro semestre ninguém sabia nada de que lado que o mercado ia. E ai você pode começar ter mais previsibilidade”, termina.

toledo

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