Fintechs do Brasil devem ir ao mercado global, diz diretor do Google Campus

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Por Sílvio Crespo

20 de junho de 2017 às 19:29 - Atualizado há 3 anos

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“As fintechs do Brasil provavelmente não só vão resolver problemas locais como atacar o mercado global”, prevê André Barrence, diretor do Campus São Paulo, um espaço do Google de fomento ao empreendedorismo e, especialmente, à cena de startups.

O Google lançou um programa para trazer fundadores de fintechs de toda a América Latina para uma imersão de um mês em São Paulo, chamado Campus Exchange Latam Founders.

Um dos responsáveis pela iniciativa, André enxerga um “crescimento absurdamente grande” do setor de fintechs, vê diferenças entre as startups de finanças do Brasil e de Londres (primeira cidade e criar um Campus do Google) e explica o que o Google espera de uma empresa no processo seletivo do programa de residentes do Campus.

Leia abaixo a entrevista, concedida ao StartSe e à Let’s Talk Payments, uma empresa global de conteúdo e dados sobre fintechs.

André Barrence, diretor do Campus São Paulo, do GoogleComo você vê o ecossistema de fintechs no Brasil hoje?

André Barrence: Como um todo o ecossistema de startups no Brasil teve um avanço significativo. Mas alguns setores tiveram um crescimento absurdamente grande e o de fintechs é um deles.

Tivermos o florescimento de muitas iniciativas que resolvem diferentes problemas na área financeira. Esse crescimento começou voltado para meios de pagamento, mas hoje já tem fintechs de câmbio, criptocâmbio, negociações de dívidas, crédito… O espectro aumentou muito.

O Brasil tem muito problemas em serviços financeiros, e o tamanho do problema se traduz no tamanho  da oportunidade. As fintechs vêm para gerar um processo de descentralização [do setor financeiro] e atender a um público que estava subatendido ou que nem sequer era atendido.

Você tem contato com startups de outros Campus do Google em diversas partes do mundo. Você vê diferenças entre as fintechs do Brasil e as de outros países?

AB: Com certeza um dos benefícios de a gente ter uma rede de Campus é esse de capturar o que está acontecendo nos diferentes ecossistemas. É normal que cada um tenha uma vocação.

O Campus de Londres, que foi primeiro, criado em 2012, sempre teve muita participação de startups ligadas a serviços financeiros.

Um traço interessante é que o ecossistema de Londres está bem conectado a grandes bancos. Lá, as fintechs geram inovação para serviços mais tradicionais.

No Brasil, as fintechs criam soluções diferentes, mais específicas das necessidades dos clientes locais, e acabam entrando em mercados que são bastante diferentes daqueles de Londres.

Por exemplo, a Easycredito foca em atender um mercado que tem grande dificuldade de conseguir crédito. As taxas de juros no Brasil são altas e os bancos exigem muito para conceder empréstimo.

Outro exemplo é a Moneto. Ela tem um público que é extremamente relevante, que são os MEIs (micro empreendedores individuais). Eles compõem uma parte importante da economia, mas ainda faltavam serviços financeiros com tecnologia específica para esse tipo de cliente.

O que vocês esperam de uma fintech quando fazem a seleção de startups residentes do Campus São Paulo?

AB: O programa de residentes é agnóstico em termos de setor. A gente analisa fintechs com a mesma ótica que as demais startups. Nós buscamos startups com produto existente, ainda que dificilmente ele esteja 100% acabado, e que tenham um certo número de usuários – algumas dezenas de milhares.

O segundo critério é entender qual é a tecnologia que está por trás daquele produto. Por exemplo, se usam inteligência artificial, machine learning, se têm soluções mobile de entrega de serviços. Acreditamos que o mobile, que já é grande, ficará ainda maior. Aqui no Campus a gente busca sempre essa combinação de tecnologias.

Uma das startups que combinam essa características é a Smarttbot, que é uma empresa de operações de alta frequência em renda variável. A automação que eles desenvolvem torna o processo mais eficiente porque o robô aprende, e ainda tira fatores psicológicos que um humano teria ao negociar na Bolsa. É uma fintech que já tem muitos usuários e tem uma tecnologia muito avançada.

Qual perspectiva você vê para o ecossistema brasileiro de fintechs?

AB: O mercado de fintechs tem potencial de posicionar o ecossistema brasileiro de maneira protagonista na América Latina e ante outros países emergentes com características socioeconômicas parecidas. As fintechs do Brasil provavelmente vão resolver não só problemas locais como atacar o mercado global.

Saiba como fazer parte desse ecossistema

Para fazer parte do ecossistema global de fintechs, você pode cadastrar sua startup na MEDICI e na Startse Base.

A MEDICI é uma base de dados que conta hoje com mais de 7.000 fintechs de todo o mundo. Ela pertence à Let’s Talk Payments (LTP), empresa global de conteúdo e pesquisas sobre o setor.

A StartSe Base é a maior base de dados de startups do Brasil, com mais de 5.000 empresas cadastradas.

Registrando a sua fintech nas duas, ela vai ganhar visibilidade junto aos principais investidores nacionais e estrangeiros.

Sobre a Let’s Talk Payments

A Let’s Talk Payments (LTP) é a principal plataforma de conteúdo e pesquisas sobre fintechs no mundo. Mais de 400 instituições financeiras e 90 programas de inovação recorrem à LTP para obter informações sobre as empresas que estão disruptindo o setor financeiro.

Esta entrevista foi realizada por Sílvio Crespo, colaborador regular da LTP, focado no mercado de fintechs do Brasil. Ele é CEO da SGC Conteúdo e autor do blog Dinheiro pra Viver.

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