Entenda o ad blocking e como ele afeta o mercado publicitário virtual

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Por Erica Queiroz

22 de junho de 2016 às 11:58 - Atualizado há 4 anos

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Todo mundo sabe que ver anúncios na net o tempo todo enche o saco. Ainda mais quando você está lendo algo importante, com o tempo curto, e os malditos pop-ups aparecem sobre o texto e você, rendido, fica tentando clicar no (inúmeras vezes) minúsculo “x” para fechá-lo, mas, quando não consegue, ainda clica sem querer no anúncio.

Antigamente, quando assistíamos à TV aberta, éramos obrigados a ver os anúncios, a não ser que fôssemos fazer algo nos intervalos do programa em questão. Com o passar do tempo, começaram a colocar os produtos no programa, em forma de merchandising (assim ninguém podia fugir!). Com o advento da internet, uma nova forma de anunciar começou a surgir: os banners. Aí eles começaram a aparecer em diversos lugares da página e também em distintos formatos. E chegaram os pop-ups, que nem preciso comentar o quão desagradáveis são. Mas a net também começou a “seguir” os nossos passos. Se você fizesse uma busca no computador da sua casa, por exemplo, sobre sapatos, no minuto seguinte você já via o mesmo anúncio ao navegar no smartphone, no tablet… e no notebook do trabalho na manhã seguinte (argh!). Se você não limpasse os cookies do seu browser, ia ser perseguido por aquele anúncio enquanto ele estivesse em vigor.

Por este motivo e diversos outros que vou mencionar abaixo, surgiu o ad blocking (bloqueio de anúncio). Um alívio para muitos internautas e um filme de terror para os anunciantes e publishers (sites, blogs, portais…).

Funcionam da seguinte forma: você adiciona uma extensão ao seu navegador ou baixa um app no seu smartphone e, como num passe de mágica, os anúncios desaparecem. Confusão na certa! E prejuízo aos veículos, que não têm anúncios clicados ou expostos, e aos anunciantes, que não conseguem divulgar seus produtos ou serviços.

Os motivos para que os internautas queiram usar os ad blockers são os mais variados, como por acharem os anúncios irritantes, por serem excessivos, por serem pop-ups que interrompem a sua navegação, por deixarem os sites mais lentos para carregar, por carregarem vídeos automaticamente, por fazerem com que o consumo de dados de seu plano móvel seja maior etc.

Inicialmente, os ad blockers surgiram como organismos sem fins lucrativos, apenas para bloquear anúncios mesmo. Mas, rapidamente, empresas viram aí uma grande oportunidade para faturar vendendo os softwares ou apps para bloquear anúncios. Alguns deles são gratuitos e solicitam uma contribuição/doação a quem os usa. Também há os pagos, como muitos dos que podem ser encontrados na Apple Store ou na Google Play Store. Alguns deles criaram listas brancas de anunciantes em que, aqueles que cumprirem certos pré-requisitos de anúncios aceitáveis, não serão bloqueados, mas os anunciantes devem desembolsar uma quantia para isso. E, mesmo assim, alguns ad blockers ainda perguntam ao internauta se ele quer ou não ver os anúncios de anunciantes que pertencem à lista branca.

Alguns publishers resolveram cobrar de quem tem o ad blocker para navegar no site. Eles têm que ganhar dinheiro de algum jeito, então se não for via anunciantes, terá que ser via internautas. Essa opção não é bem vista pelos internautas, obviamente.

Há um ano, 15% dos internautas do Reino Unido já utilizavam bloqueadores de anúncios, segundo o IAB, havendo uma predominância de homens de 18 a 24 anos (ou seja, um público jovem, que, ao envelhecer, tende a ficar ainda mais antipático aos anúncios). E isso porque imagino que a maioria da população nunca tenha nem mesmo ouvido falar nos bloqueadores em muitos países.

Ontem saiu uma matéria no eMarketer, informando que, em 2016, 69,8 milhões de Americanos usarão ad blockers, 34% a mais que no ano passado.

Portanto, o que vai acontecer nos próximos meses e anos em relação ao assunto é uma grande incógnita. Mas, certamente, algum órgão regulatório criará regras para os anúncios, a fim de que sejam de melhor qualidade e menos invasivos, por exemplo, além de diversos outros critérios que devem ser estabelecidos em breve. Uma coisa é certa: pelo menos no modelo atual de internet, não há como abolir 100% dos anúncios!