Dia das Mulheres: conheça empreendedoras de alto impacto social do Brasil

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Por Lucas Bicudo

8 de março de 2017 às 10:48 - Atualizado há 4 anos

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A neuroengenheira Michele Salles de Souza criou uma empresa que desenvolve e distribui tecnologias nacionais de reabilitação, comercializadas com preço abaixo do mercado para atender a população de baixa renda. A Cycor atua com próteses de membros, exoesqueleto e motorização de cadeira de rodas – produtos para pessoas amputadas ou que evitam a amputação.

Inspirada pela avó-empreendedora de 92 anos, Helo Paoli – formada em Artes Plásticas e com experiência em produção executiva ligada à arte e cultura – fundou a Erê Lab. O negócio desenvolve mobiliários urbanos lúdicos que potencializam o desenvolvimento cognitivo e psicomotor de crianças na primeira infância – período fundamental para o desenvolvimento do cidadão. São peças que fortalecem o senso de cidadania, o respeito ao espaço público.

A biomédica Bárbara Lucena fundou a Sangue Bom – clínica que oferece exames de sangue a um preço acessível (a partir de R$ 5) para a população de baixa renda. Os exames são realizados rapidamente e o diagnóstico entregue em até três horas, sendo processados no mesmo local da coleta. Hoje, com essas medidas, adianta o diagnóstico de doenças para iniciar rapidamente o tratamento necessário.

Em comum, as três empreendedoras têm a aceleração da Artemisia e o fato de vencerem os desafios de empreender negócios de impacto social. Maure Pessanha, diretora-executiva e cofundadora da organização, conta que o nome é inspirado em Artemisia Gentileschi, pintora do Barroco italiano (século XVII). Trata-se da primeira mulher a ser aceita pela Academia de Belas Artes de Florença, a mesma na qual Michelangelo estudou.

“O talento, ativismo, vanguardismo e coragem para enfrentar o status quo inspiraram a cofundadora Kelly Michel, que conheceu o trabalho de Artemisia ao cursar Artes na Universidade. A pintora, inclusive, tornou-se ícone do feminismo na década de 1970”, detalha Maure, acrescentando que a Artemisia surgiu da inquietação; da crença de que a força e a escala de negócios poderiam ser eficientes para solucionar problemas sociais estruturantes e complexos; e da visão de que o mercado pode endereçar questões sociais.

“Ao dissociar o conceito de pobreza do conceito de renda, a proposta da Artemisia sempre foi tornar o Brasil um polo de negócios de impacto social capaz de inspirar o mundo. Para isso, criamos uma organização que reúne empreendedores que unem talento ao propósito. E as mulheres têm um papel determinante nesse cenário”, afirma.

Filha de empreendedores, iniciou o primeiro negócio ainda na universidade: um cursinho inclusivo, voltado a auxiliar alunos de escolas públicas a passarem no vestibular da Universidade de São Paulo.

Para Maure, mulheres possuem uma excelente visão de longo prazo, têm capacidade de resolução de conflitos, talento para comandar equipes multiprofissionais e empatia com problemas e desafios alheios. Estas características são extremamente relevantes para empreendedoras que investem em negócios de impacto social.

O Brasil vive um momento de expansão desses empreendimentos e as mulheres lideram 22% dos negócios de impacto social acelerados pela Artemisia em 2016. “A busca da Artemisia é pela equidade de gêneros nas turmas de acelerados”, discursa.

Empreendedorismo feminino: de avó para neta

“Minha avó veio da Europa sem saber o idioma. A família perdeu tudo na chegada quando o container caiu ao mar; ela reconstruiu a vida do zero. Hoje, aos 92 anos dirige todos os dias uma loja de brinquedos educativos na Avenida Paulista, negócio que abriu em 1974. Uma mulher inteligente e com muita presença; que acredita que a família e o trabalho são as coisas que nos mantêm felizes e vivas!”, conta Helo Paoli.

Segundo a empreendedora, desde a década de 1970 não existe uma política de mobiliário urbano no Brasil; hoje, há um sucateamento dos playgrounds existentes que levam a criança a ficar dentro das casas ou de condomínios.

“Queremos criar condições para termos as crianças brincando na rua. Acreditamos que as crianças que vivem em comunidades também precisam brincar em espaços saudáveis, com design acessível e com conteúdo, fortalecendo a autoestima da população e o sentimento de pertencimento em relação à região onde vive”, afirma.

Helo Paoli afirma que as mulheres lidam com as questões de maneira um pouco diferente – sempre colocando na balança emoção além da razão dos negócios. “O negócio de impacto social está inteiramente ligado à problemática das questões que nos pegam justamente no lado emocional. Acho que isso é uma vantagem para nós. É por isso que a nossa participação está aumentando, embora ainda seja muito pequena”, afirma.

Entre os desafios, Helo aponta a divisão do tempo entre os filhos, a família e o dia a dia de empreendedora. “Porém, acho que ser mulher é uma vantagem, afinal conseguimos fazer muitas coisas ao mesmo tempo!”, defende, acrescentando que a maternidade funcionou, no seu caso, como um gatilho para a escolha por um negócio de impacto social.

“A maternidade despertou a necessidade de atuar como um agente transformador; despertou o interesse no futuro e nas relações interpessoais; fez com que acreditasse em dois clichês verdadeiros: cada um deve fazer a sua parte e as crianças são o futuro”, define.

Entre as dicas para as mulheres que desejam empreender, enumera: “seja resistente e firme no que acredita; não desista mesmo que pareça impossível; e sempre lembre-se que a intuição feminina é um poder real”.

Empreendedorismo de impacto social na saúde

Um dos exemplos dessa nova geração de mulheres à frente de negócios de impacto social é a biomédica Bárbara Lucena, empreendedora do Sangue Bom.

Ao potencializar o acesso a diagnóstico rápido e precoce de doenças, a empresa impacta diretamente na saúde pública. A empresa tem um alto potencial de expansão, sobretudo em um cenário de insatisfação com os serviços prestados pelo SUS e perda de renda – que impossibilita manter planos de saúde.

“Acredito que tudo relacionado à mulher tem uma conotação diferente. Não sei se difícil é a palavra; talvez só diferente. É notório que há mais homens do que mulheres empreendendo; talvez ocorra pela coragem masculina ou por contarem com mais recursos financeiros. Homens normalmente têm salários mais altos e menos apego a situações familiares. Há, ainda, os que podem contar com familiares que facilitam o ingresso deles no mercado; um ingresso de forma mais arriscada como é empreender”, analisa Bárbara, acrescentando: “no meu caso, o desafio maior foi ser jovem, ou seja, mais do que ser mulher”.

A análise de oportunidade do mercado motivou Bárbara a empreender. “No setor da saúde, o conhecimento que tenho foi muito importante. O mais difícil foi mostrar que o negócio valia a pena; que tinha valor e credibilidade no mercado”.

Tendo por inspiração grandes mulheres como Margaret Tatcher, Bárbara afirma que daria a uma mulher, que deseja empreender, o mesmo conselho dado a um homem: “só depende de você”.

Especialista na integração entre seres vivos e máquinas

“O setor de negócios é mais ostensivo e por isso necessita de jogo de cintura com pulso firme, gentileza, perspicácia e audácia. Uma mulher é bem mais capaz de ter esses atributos todos reunidos por conta da sua paciência e capacidade de articulação”, avalia. A empreendedora conta que no setor no qual atua não conhece nenhuma mulher. “Nem ouvi falar, mas no cenário de startups vi alguns casos de mulheres muito bem-sucedidas por conta do comprometimento e dedicação. Mas existe o desafio e risco de não ser muito levada a sério. Em um mundo onde o ambiente dos negócios era coisa de homem é ainda um pouco difícil mostrar que lugar de mulher também é nos negócios. Estamos dispostas a contribuir com esse setor”, afirma.

O ingresso no empreendedorismo de impacto social veio da percepção de que o muito pode ser distribuído melhor. “Quando falamos sobre diversas questões que afligem o próximo é no mínimo estranho que vários problemas ainda existam há décadas. Eu compreendi que mais do que falar, é preciso fazer; já que a maior parte das pessoas tem medo de arriscar, então algumas terão que iniciar os bons negócios do futuro. Só assim o futuro será melhor. Além disso, nesse modelo de negócio, vejo todos os meus sonhos de infância sendo realizados; ao realizar esses sonhos, tenho reunido mais pessoas que também tinham os mesmos sonhos, assim vamos crescendo”, afirma a empreendedora, acrescentando que a inspiração vem de Milton Hershey, filantropo e fundador da The Hershey Company.

Entre as dicas para as mulheres que desejam empreender, Michele elenca: “aprenda com os que venceram e adapte o aprendizado na sua iniciativa; assista vídeos de entrevistas, de palestras, leia conteúdos relevantes e trabalhe com dedicação; cerque-se de pessoas do bem de verdade; afaste-se daquelas que falam mal das outras e depois mandam carinhas fofas; faça o bem não importa para quem seja – e sem esperar nada em troca; cuidado com as ciladas, às vezes confiamos nas pessoas erradas; faça conexões, ninguém faz algo legal sozinho; aceite as perdas, está tudo bem não acertar sempre; divida méritos; seja humilde e gentil (a falta disso faz portas se fecharem e as pessoas certas para a sua vida se afastarem); cuide da sua imagem e não só da física; e dê valor para os que amam você – nada no mundo é mais importante que isso.”

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