Dez Sinais Vitais de Uma Startup. Novo texto da coluna de Roberto Zabeo

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Por Roberto Rooney Zabeo

6 de março de 2015 às 15:37 - Atualizado há 6 anos

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Prognosticar o potencial de sucesso de uma nova empresa – que muitas vezes nem iniciou suas operações efetivas – é mais ou menos como predizer se um determinado bebê será um gênio da física, um grande atleta ou que represente outra forma de sucesso na vida apenas ao avaliar sua pulsação, seu peso e suas medidas.

Na realidade, a condição “genética” mínima e fundamental para que uma startup possa se postular à glória, seria a de poder identificar (testar e provar) se sua oferta pode resolver – com lucro – um problema ou necessidade de um grande número de clientes potenciais. Da mesma forma, é como determinar se um recém-nascido possui em seu DNA as condições essenciais que possam um dia torná-lo o (a) melhor – “the best” – naquilo que ele (ela) se propuser a ser ou fazer.

Seria totalmente questionável afirmar que tanto uma startup como um bebê, que nasceram saudáveis e com as condições genéticas básicas para o êxito – cada um à sua maneira -, irão realizar plenamente as aspirações dos fundadores ou dos pais. Ambos – startup e recém-nascido – serão sujeitos a uma grande variedade de outros fatores e influências que os acompanharão e os afetarão ao longo da existência e que, esses sim, moldarão suas possibilidades de sucesso.

Para uma criança as indicações de potencial para o sucesso futuro são muito imprecisas mesmo com todas as pré-condições genéticas existentes. É fundamental nos estágios iniciais de vida que dados básicos de evolução dentro de parâmetros adequados de saúde física e comportamental sejam sempre monitorados. O que se pode dizer, então, é que essa criança tem todas as condições de se manter saudável, apenas isso.

Dadas condições básicas e favoráveis no seu ambiente (meio, cuidado familiar e ajuste social), o progresso em direção ao sucesso futuro dependerá muito mais dela própria do que das condições do entorno uma vez que deveria poder a partir da puberdade, em grande medida, determinar o seu próprio destino. As conquistas dessa pessoa serão possíveis pelo exercício e uso da capacidade em potencializar suas melhores características naturais (físicas e emocionais) através de alto nível de adaptabilidade às condições e ao meio que a cercam, ampliando seus próprios limites e ultrapassando os que lhe são impostos. Isso pressupõe um processo de evolução constante, contínuo e muito rápido (afinal estamos falando de uma única geração) que se dá através de grande capacidade em aprender e praticar o aprendizado – com disciplina, foco e direção sustentada por um claro e forte propósito com relação à sua razão-de-existir. Essas são as condições necessárias (não as suficientes) para garantir o desenvolvimento de um gênio, de um grande atleta ou de um CEO da Fortune 500.

De alguma forma, isso parece se traduzir também na trajetória de vida e nos sinais vitais que indicam o sucesso de uma startup, obviamente com as nuances próprias entre a existência de um negócio e de um indivíduo. De qualquer modo, identificam-se muito mais semelhanças do que diferenças entre eles, e isso é o que resumimos em dez sinais vitais de sucesso quando examinados sob ambos os pontos-de-vista, de uma startup e o da realização de vida de um indivíduo. Vejamos:

Startup – Fidelidade total a um propósito (a razão-de-existir) do negócio, que seja compulsivamente associado à criação de valor para uma grande comunidade de clientes através de produtos/serviços inovadores que sejam muito mais apreciados do que qualquer outro (desenvolver o conceito do melhor… sempre!!!). Pessoal – Indivíduos só tem sucesso quando criam valor para os demais. Podem apostar nisso!

Startup – Interesse e curiosidade permanente sobre os fatores que afetam ou poderão afetar os negócios permitindo antecipação e prevenção, humildade para reconhecer as limitações existentes, admissão de erros como parte do processo de aprendizado, bem como o exercício de alto grau de resiliência para cair, levantar e seguir adiante com graça e elegância. Pessoal – Isso não vale também para qualquer pessoa?

Startup – Evolução (adaptação e reinvenção) através do aprendizado contínuo e aplicado, adquirido pela experimentação e comprovação (própria e, especialmente, de terceiros). Pessoal – Igualzinho à evolução humana, não é?

Startup – Existência de um DNA característico e próprio na equipe de trabalho. Tal como se desenvolve um MVP (minimum viable product), uma startup impõe-se a si própria também a necessidade de desenvolvimento de um MVDT (minimum viable DNA team) que é representado pela composição e organização da equipe com condições “genéticas” mínimas essenciais – perfis, conhecimentos e motivações – para a realização propósito específico da startup e das tarefas que devem ser cumpridas (por analogia podemos afirmar que dificilmente uma tartaruga, por mais entusiasmada que esteja, conseguirá subir regularmente em árvores). Pessoal – Indivíduos produzem obras primas quando combinam talento próprio e vocação natural com conhecimento dirigido! A virtuosidade genérica é uma exceção absoluta.

Startup – Disponibilidade de nível adequado de racionalidade para entendimento e posicionamento sobre as características do meio onde a startup opera, especialmente para definir e orientar prioridades e aplicação dos recursos necessários (a paixão é essencial, mas seu uso exclusivo ou abusivo pode ser prejudicial à saúde de qualquer startup). Pessoal – É o caso de qualquer um de nós quando aplicamos métodos para entender nossos desafios, utilizamos racionalmente nossos recursos e minimizamos riscos, sem abdicar da paixão e emoção!

Startup – Disciplina na gestão e na execução (identificação e aplicação de um grupo de práticas estruturadas para conduzir o negócio e as atividades dentro de padrões e parâmetros reconhecidos). Pessoal – Qualquer grande atleta ou virtuose em qualquer área tem como base uma forte disciplina para desenvolver, aprimorar e executar suas melhores habilidades!

Startup – Busca de complementaridade de competências fundamentais para o apoio de conhecimento, gestão e desenvolvimento da melhoria profissional através de mentores, coaches, conselheiros e consultores (jamais “palpiteiros”, mesmo aqueles de boa-vontade). Pessoal – Quem não precisa de apoio e conhecimentos alheios fundamentais e de uma “chamada à razão” ocasional?

Startup – Monitoração permanentemente de progresso através de um “Roteiro de Viagem” no qual os objetivos finais do negócio devem ser desdobrados em KPIs que revelem as diversas dimensões de sucesso. Essas dimensões medem e revelam passo-a-passo o progresso do empreendimento em cotejo com os resultados financeiros desejados, com o crescimento das vendas, com os níveis de satisfação dos clientes, com a forma como o trabalho é realizado e a produtividade, com o aprendizado e engajamento do time e dos parceiros-chave. O mais importante desse roteiro é que ele finalmente determina o nível de realização dos fundadores e dos principais stakeholders com relação ao sonho original na criação da empresa, o que é fundamental para situar as melhores trilhas e seguir (ou não) adiante. Pessoal – Ao percorrer os caminhos da vida, seria imprudente não definirmos nossas metas e tolo não medirmos nosso alcance com relação a elas. Pior ainda seria perseguir um destino seguindo caminhos equivocados!

Startup – Criação e desenvolvimento permanente da cultura do “o dever foi cumprido, mas o resultado poderia ter sido melhor”. Sem constrangimento e coação, esse traço forte de cultura deveria criar forte engajamento de todos os participantes da startup. Isso se torna essencial para que se faça o que deve ser feito com alto nível de interesse pela qualidade da entrega sob o ponto de vista dos clientes; que se mantenha a integridade/sanidade nos relacionamentos interpessoais; que se diminua a preocupação com a hierarquia na organização; que compromissos com a realização pessoal sejam autênticos; que a maximização dos resultados seja a consequência natural dessa cultura. Pessoal – A continuidade de grandes conquistas individuais desenvolve nos grandes realizadores a sensação de “insatisfação construtiva” pela qual uma vitória implica na necessidade de se estabelecer sempre um novo desafio!

Startup – Desapego à paternidade do negócio quando a hora chegar. Finalmente, um dia, uma startup irá crescer, amadurecer e necessitar provavelmente de gestores profissionais com competências específicas e de espectro maior que as existentes. Nesse instante – e mesmo até antes dele – os fundadores deverão entender que, embora possam continuar com a paternidade (isso regulado obviamente por relações contratuais claras), a melhor herança a ser deixada é a possibilidade de fazer a empresa tornar-se também valiosa para um número muito maior de stakeholders através de novas dimensões de estrutura e conhecimentos que garantam crescimento expressivamente maior. Pessoal – É sinônimo de sabedoria: reconhecer a hora de entregar a realização a sucessores que podem melhorá-la e, na sequência, explorar nossa potencialidade na criação de outras oportunidades nas quais podemos ser sempre mais úteis e eficazes.

Esses sinais vitais são identificados, na grande maioria, em startups que se tornaram empresas de grande sucesso e também são característicos de indivíduos que se destacaram na história do gênero humano.

Será que podemos maximizar nossos resultados e realizações (empresariais e pessoais) por meio do entendimento desses sinais vitais? Tenho certeza que sim e abordarei cada um deles especificamente em próximos artigos.