Dell gastou US$ 67 bilhões com uma empresa que eles quase compraram em 2002

A Dell comprou a EMC por US$67 bi com a intenção de diversificar os negócios, e a HP acha isso um péssimo negócio

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Por Paula Zogbi

13 de outubro de 2015 às 12:31 - Atualizado há 4 anos

SÃO PAULO – Nesta segunda-feira (12), a fabricante de computadores Dell anunciou a compra da empresa de armazenamento de dados EMC por US$ 67 bilhões, na maior aquisição do setor de tecnologia de todos os tempos.

O acordo, firmado pelo fundador e CEO Michael Dell em conjunto com a companhia de investimentos Silver Lake, criará a maior empresa de tecnologia de capital fechado do mundo, e os acionistas da EMC receberão cerca de US$33,15 por cada ação.

Viajando no tempo, em 2002 esse mesmo acordo quase foi fechado, pelas mesmas razões, mas o próprio fundador da empresa bloqueou as conversas. À época, os principais executivos da Dell estavam preocupados com a aposta da empresa muito fortemente apoiada na indústria de PCs e sugeriram a aquisição, segundo um perfil publicado em 2011 pela Fortune. O modelo da empresa baseava-se na economia de escala, ou seja, na margem de vendas dos computadores fabricados.

A compra, que valia aproximadamente US$16 bilhões, foi bloqueada por Dell, que tecnicamente nem era CEO da companhia, mas exercia grande influência. Ele não quis arriscar: planejava entrar no mercado de eletrônicos para consumidores.

Com preço de compra de aproximadamente 27% a mais que o valor com que as ações eram negociadas na sexta-feira (antes do anúncio), 70% das ações ordinárias da companhia resultante ficará com Michael Dell e os acionistas atuais da Dell.

O pacote inclui a soma de novas ações ordinárias da Dell, recursos de investidores, um montante em caixa e um novo financiamento. Também serão pagos US$24,05 por ação em dinheiro, referentes à participação da EMC na VMware, companhia de capital aberto.

Críticas da concorrência
O acordo vai na contramão da tendência de grandes empresas atualmente, que vêm dividindo operações ao invés de criar conglomerados. A HP, por exemplo, anunciou que irá se transformar em duas a partir de novembro deste ano, separando os ramos de serviços e de PCs.

Meg Whitman, CEO da recém-criada HPE, inclusive enviou um e-mail obtido pela Business Insider onde elenca o que acredita serem os pontos negativos da decisão da Dell a seus funcionários. Entre eles a aquisição de dívidas; uma suposta “distração” dos funcionários com a união de duas culturas corporativas e a confusão que o crescimento do portfólio trará aos clientes. No e-mail, ela arremata “somos organizados, temos uma forte folha de balanços e nossas ferramentas de inovação estão de vento em popa”.