Cortes de pessoal em empresas de tecnologia são sinal de perigo

Avatar

Por Paula Zogbi

19 de outubro de 2015 às 12:14 - Atualizado há 5 anos

Logo ReStartSe

Inscreva-se para o maior e mais audacioso evento de inovação, tecnologia e transformação digital já feito na América Latina. 30 dias que vão mudar sua visão de mundo, dos seus negócios e da sua carreira.

Online e totalmente gratuito - 01 a 30 de outubro/2020

Twitter, Snapchat, Microsoft. Todas essas companhias de tecnologia, teoricamente o setor mais próspero dos últimos tempos – empresas de tecnologia são 6 das 10 marcas mais valiosas de 2015 – têm uma coisa em comum: elas estão demitindo funcionários.

Os motivos para os cortes são variados, mas a situação não deixa de ser curiosa, dados os anúncios bilionários de compras de startups que essas empresas anunciaram ao longo de 2015. O crescimento da indústria – a níveis perigosos que podem ser o prenúncio de uma bolha, segundo alguns especialistas – não está sendo o suficiente para evitar a necessidade de cortes.

Em uma entrevista ao site Business Insider, Chi-Hua Chien, co-fundador da Goodwater Capital, companhia de capital de risco, disse que “há um sentimento geral de que o mercado de financiamento de tecnologia está ficando mais duro em todos os estágios”. Isso pode ser um bom sinal, de que as empresas estão mais cautelosas, ou o prenúncio de uma virada no setor.

As gigantes HP e Microsoft, por exemplo, já cortaram milhares de empregos neste ano, em um momento de economia próspera nos EUA: a taxa de desemprego no país em agosto foi a mais baixa em sete anos, em 5,1%. Essas companhias estão tentando se reestruturar, já que fazem parte de uma geração mais antiga, mas algumas das empresas de tecnologia mais jovens também estão sendo atingidas pelos cortes de gastos.

Só na semana passada, de acordo com o site, quatro startups da categoria ascendente noticiaram cortes: o Flipagram, aplicativo de fotografias, cortou 20% do seu pessoal; a startup de restaurantes da Índia Zomato, que vale US$1 bilhão, supostamente cortará 300 trabalhadores, muitos nos EUA. O fenômeno Snapchat também deve cortar uma dúzia de sua equipe. E por último há o Twitter, que avisou aos funcionários por e-mail que realizará um corte de 336 empregos na terça-feira passada.

O caso do Twitter, uma das principais startups da época da recuperação da crise em 2008, é um dos mais interessantes, pois tem a ver com a incapacidade da empresa em aumentar seu número de usuários justamente em um período de boom da internet. Há anos a companhia vem perdendo dinheiro, mas isso nunca havia incomodado seus investidores antes.

Os cortes de custos são um sintoma de um mercado em queda. O que pode vir a seguir com o estouro da bolha? Taxas altíssimas, contas a receber de tamanhos notáveis e pedidos de recuperação judicial podem ser as próximas “surpresas” no caminho. E, é claro, o número de IPOs tende a diminuir significativamente. Se o número de IPOs cair significativamente, prepare-se para mais cortes. E assim sucessivamente.