Como os carros autônomos podem mudar toda a dinâmica do deslocamento

Google, Tesla, Uber, montadoras e Vale do Silício: os protagonistas de uma revolução

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Por Paula Zogbi

11 de novembro de 2015 às 11:51 - Atualizado há 4 anos

A tecnologia ainda está longe de chegar à automação completa dos veículos, mas a ideia dos carros que se dirigem sozinhos já começou a mudar a forma como as pessoas pensam no transporte como um todo: os carros autônomos podem ser capazes de mudar toda essa indústria.

Já conhecemos as propostas do Uber e do Google, que imaginam uma sociedade onde os carros levem e tragam, sozinhos, passageiros para onde eles quiserem, como um serviço de transporte.

Também existe a dicotomia Tesla x Apple para criar os carros elétricos “comuns”, que tem se estendido a uma batalha entre indústrias de automóveis e o Vale do Silício. Nesse caso, os produtos são mais parecidos com o que vemos hoje: carros autônomos em garagens e “obedecendo” um único dono, em vez de circularem “livremente”.

Todas essas investidas podem significar, de acordo com o site The Conversation, a criação de um novo modelo de mercado, baseado em economia de compartilhamento, que integraria a mobilidade “inteligente” ao nosso dia a dia.

Impacto Urbano

Um estudo publicado pelo Forum de Transporte Internacional analisou os possíveis impactos da aplicação de frotas compartilhadas de veículos autônomos em Lisboa, Portugal. De acordo com os dados, a mobilidade necessária para a cidade necessitaria de apenas 35% do número de veículos usados durante os horários de pico, caso os carros tecnológicos fossem usados para complementar a frota de trens de alta capacidade.

Apesar de um provável aumento no número de carros nas ruas, porque os carros precisariam ser repostos depois das “entregas” de passageiros, a pesquisa descobriu que o congestionamento seria reduzido significativamente, além de a liberação de vagas para carros nas ruas significar maior espaço para o trânsito e outras atividades. Essa área seria o equivalente a 210 campos de futebol em Lisboa.

Estes veículos também emitem menos carbono, então há melhoria da qualidade do ar.

Um aspecto que dificultaria o cenário, de acordo com a publicação, seria a necessidade de “controlar” todos estes carros: seria caro e trabalhoso ao governo manter carros elétricos “públicos” para transportar pessoas pelas cidades, ainda mais os grandes centros urbanos.

Segurança e interesses

Outro estudo, publicado pela consultoria Mckinsey, mostrou que até 90% dos acidentes poderiam ser prevenidos por veículos autônomos.

Se é 90% mais seguro andar de carro, para que serviriam os seguros? Esse foi o questionamento de Warren Buffett recentemente, preocupado com o futuro da sua subsidiária GEICO: “não faríamos festa sobre isso na nossa companhia de seguros”, ele disse.

Dessa maneira, as companhias devem passar a cobrir, ao invés de clientes privados, as próprias fabricantes de veículos contra os erros técnicos que podem ocorrer com os carros. Aliás, quem serão esses clientes?

Se os planos do Google e do Uber funcionarem, é possível que, no futuro, as pessoas não comprem mais seus próprios carros, mas usem apenas os serviços de transportes e caronas oferecidos pelas novas tecnologias.

É uma ideia que parece extremamente distante, e muitos defendem que os clientes não desistirão de vez da facilidade e do conforto que um carro próprio pode trazer para confiar cem por cento nas “caronas” dos veículos autônomos. De qualquer forma, ainda que o número de carros particulares não chegasse a zero, ele poderia diminuir muito: outra enorme mudança para o cenário geral.

Em resumo: ruas mais vazias, pessoas menos estressadas, transporte conectado, menos emissões de poluentes, mobilidade com mais segurança – já é possível chamar a ideia dos carros autônomos de “revolução”?