Como a China criou gigantes como Alibaba e Baidu

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Por Mariana Rodrigues

6 de setembro de 2017 às 16:30 - Atualizado há 3 anos

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Você pode não usar o Baidu, mas já deve ter ouvido falar sobre o segundo maior buscador da internet, que lançou o Easterly Ventures, fundo de investimento com capital inicial de US$ 60 milhões, focado em startups brasileiras. Ou pode já ter comprado no Alibaba, gigante do comércio eletrônico cuja receita líquida quase dobrou no último trimestre, em relação ao ano anterior.  

Além de seus méritos próprios, essas companhias alcançaram esse nível de sucesso com auxílio de fatores macroeconômicos e políticos, que abriram o caminho para que eles escalassem rapidamente.

Sumit Gilitwala, analista da Let’s Talk Payments, analisou o papel da política econômica da República Popular da China (PRC) no crescimento dessas empresas, no artigo traduzido abaixo, com exclusividade para o StartSe.

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Dos anos 80 até 1994, China desvalorizou sua moeda iuan chinês (CNY) ante o dólar americano. A cotação passou de CNY 1,88 para atingir CNY 8,63. O nível de inflação durante esse período aumentou por causa disso. Além disso, a taxa de salário dos trabalhadores chineses não estava crescendo à mesma velocidade com a taxa de inflação.

Então, o líder Deng Xiaoping percebeu que a reforma econômica focada no mercado e a privatização parcial eram inevitáveis para que a China evitasse os mesmos problemas econômicos da União Soviética. Mas reverter um sistema que subsidiava fábricas estatais deficitárias e preços de alimentos para aplacar agricultores em dificuldade não era uma tarefa fácil.

Cotação do iuan em relação ao dólar

                                             .Fonte: FRED

 

 

Para isso o sistema precisava de capital e, no início da década de 1990, a China começou a introduzir reformas em exportação e orientadas para o investimento.

As mudanças incluíram a abertura da conta de capital para o investimento estrangeiro direto, a adoção de processos industriais e sistemas de gestão estrangeiros, o estabelecimento de zonas econômicas especiais e a oportunidade de preparar sua base de produção para atender investidores estrangeiros que trouxeram todos os recursos necessários para China. Foi nesse período revolucionário que as três gigantes do mercado Chinês começaram a operar.

 

Investimento direto estrangeiro na China (em dólares)

Entradas diretas estrangeiras na China 1982-2005. Fonte: Banco Mundial

 

A partir dos anos 90, com os salários controlados e a taxa de câmbio do iuan amplamente gerenciada, havia uma enorme quantidade de dólares na China. Essa vantagem facilitou as empresas chinesas a contrair empréstimos a custos mais baratos. Juntamente com mão-de-obra barata, eles conseguiram trabalhar em margens elevadas.

Política protecionista

O ambiente protecionista e a entrada da internet propiciaram o ambiente ideal para o crescimento das grandes empresas do país, como Baidu e Alibaba.

Com a economia chinesa seguindo uma abordagem isolada e orientada para a exportação, não houve concorrência internacional em seu enorme mercado doméstico. As pessoas que tentaram negociar com empresas chinesas na década de 1990 souberam o quão difícil era passar por camadas complexas de regras e regulamentos para realizar negócios no mercado chinês.

 

Entrada da internet na China (porcentagem)

Penetração de internet na China 2000-2016. Fonte: Internet Live Stats

Diferente dos anos 2000, quando a população chinesa era de 1,26 bilhões, em 2017 sua população é de cerca de 1,3 bilhões, de acordo com o Banco Mundial. Além disso, com a penetração na internet mostrando uma tendência ascendente, a China é indiscutivelmente o maior mercado de internet e serviços de comércio eletrônico.

A fim de promover as exportações no país, o estado concedeu subsídios à exportação para quase todas as outras commodities manufaturadas. Isso levou as empresas domésticas a uma corrida para exportar tantos itens quanto pudessem. O crescimento do Alibaba confirma o resultado dessa política.

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Este artigo foi publicado originalmente no portal Let’s Talk Payments.

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