Como calcular o Valuation e a participação do Investidor-Anjo?

Apesar de amplamente discutido e noticiado no Brasil, o investimento-anjo continua sendo objeto de muitas discussões e controvérsias

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Por João Kepler Braga

11 de março de 2015 às 10:03 - Atualizado há 5 anos

Apesar de amplamente discutido e noticiado no Brasil, o investimento-Anjo continua sendo objeto de muitas discussões e controvérsias. Meu papel é tentar desmistificar esse tema e levar para uma camada maior de empreendedores as possibilidades e parcerias com Investidores-Anjo.

Mas por que todas essas dúvidas? Se temos vários veículos tratando do tema, inclusive e principalmente este aqui, o Startse. Primeiro porque tem a palavra investimento ou investidor antes do nome Anjo e, isso pela própria tradução literal da palavra, já leva a um DESentendimento e claro, a uma tradução ao pé da letra que remete unicamente a dinheiro. “Investimento = s.m. Ato ou efeito de investir / Aplicação de capitais com finalidade lucrativa.”. Segundo porque ainda não conseguimos nivelar o adequado entendimento sobre o verdadeiro papel do Investidor-Anjo nas StartUps e na vida dos Empreendedores.

Pois bem, o investimento-Anjo, especialmente no Brasil, não quer dizer somente dinheiro, muito pelo contrário, o investimento a que se propõe um Anjo, passa principalmente por tempo, know-how, dedicação, mentoria, suporte, aconselhamento, mercado, networking e infraestrutura. Óbvio? Nem tanto. Explico: Esse Capital Intangível tem preço e muito valor, porém, alguns Empreendedores não entendem e não valorizam isso. É claro que cada Anjo tem o seu perfil e o seu valor, não é padrão e nem muito menos tem alguma unidade de referência como base para valorar isso.

O que isso quer dizer? Se você está precisando de um Investidor com foco somente em dinheiro, talvez um Investidor-Anjo Brasileiro não seja exatamente a sua melhor opção. Por outro lado, se você precisa além do dinheiro, de um “ombro amigo”, de um vendedor, de um aval, de um apoiador incondicional que acredite no seu sonho, um Anjo pode ser sim, o caminho ideal.

Mas João, se não tem dinheiro no negócio, um bom Mentor não resolve? Depende da sua necessidade particular, mas quem disse que não tem dinheiro no negócio do Investidor-Anjo? Todo o Capital investido precisa ser valorado, como horas, conhecimento, dedicação, networking, aconselhamentos, inclusive as despesas a título e cash-in como viagens, eventos, aportes em salários, pró-labores, serviços e infraestrutura. Isso somado é dinheiro vivo e muito raro de conseguir hoje em dia. Gerar caixa e resultados concretos a partir disso, é que é o segredo da continuidade desta relação.

Quando um Investidor-Anjo entra no contrato social de uma Startup ou faz aportes baseados em outros modelos de parceiras, é um casamento e dali por diante existem obrigações, direito e deveres para ambas as parte (Empreendedor e Investidor Anjo). Na visão do Anjo, se ele resolver entrar é porque tem condições de ajudar, apoiar e se dispor a crescer o negócio, além claro, de acreditar. Na visão do Empreendedor, se o Anjo topar entrar na empresa, é a certeza de ter uma referência no mercado, um importante capital intelectual adicional agregado ao negócio. Enfim, um “casamento sem sexo” que deve ter regras claras para evitar descontentamentos.

O que o Anjo NÃO gosta? De Empreendedor acomodado, aquele que pensa que já sabe de tudo, do não flexível, daquele que não tem opinião própria, que diz SIM ou NÃO para tudo, do que não trabalha 24/7 na Startup. O que o Empreendedor não gosta? Do Anjo sumido, do chato, do mal humorado, do Anjo cobrador, do quer mandar, do que faz intrigas, enfim, do investidor-Anjo não colaborativo e não comprometido.

Ahh João, complexo esse caminho e não quero abrir Equity do meu negócio, prefiro fazer “bootstraping” mesmo”. OK, em parte você pode ter razão, inclusive projetos que chegam a mim com esta pegada, eu valorizo muito, porque o Empreendedor que acredita no seu próprio negócio, vende seu carro para pagar as contas, me força “em tese” naturalmente a acreditar no negócio dele também. Porém, por experiência própria de ter passado por isso e ter desenvolvido vários negócios sozinho, posso afirmar que tudo na vida é uma questão de timing. Ninguém nunca pode achar que o melhor cenário, será sempre o melhor cenário, acredite, as coisas podem variar pra pior.

Qual a melhor hora de abrir o capital?

A melhor hora de abrir o capital é quando você é a “bola da vez” ou a “a celebridade cobiçada”. Explico: se sua Startup não precisa de nada, se posiciona bem no mercado, tem ótimas perspectivas de tração e gera caixa suficiente para manter o negócio fluindo, eu acredito que seja o melhor momento ideal de pensar em ter um Investidor-Anjo como parceiro em uma rodada menor.  Mas em outras fases também pode ter um Anjo parceiro, isso vai depender basicamente da fase que o investidor procurado quer entrar. Conheço alguns que gostam do momento da ideação, outras com o protótipo, outros muitos quando já no mercado, enfim, não existe uma definição clara sobre isso.

Mas em todos os casos, a entrada do Anjo, vai subir o Valuation e principalmente te preparar, ter um nome agregado de referência no cenário para avalizar para novas rodadas maiores, que claro, poderão elevar o patamar de valuation, inclusive de imagem do teu negócio. A dica é simples: se o famoso Investidor-Anjo Joseph Smith Kenny Troussord aceitou entrar na sua Startup, deve ser porque o negócio é bom mesmo 😉

Como calcular o Valuation?

Outra questão é sobre percentuais de participação, muitos falam que são altos e não vale a pena abrir o capital para um Investidor-Anjo, pois bem, isso requer estudo de cada caso e também é variável, não é receita de bolo, mas sim uma conta. Existem formas e fórmulas para encontrar Valuation como Fluxo de Caixa Descontado, Ebtida e outros, mas eu tenho um método muito simples para facilitar as coisas: Se a valoração de tudo que o Anjo vai investir (o tal Capital já explicado acima) somar em 100k em 12 meses, por exemplo, o empreendedor propor 10% de equity da sua Startup, o Valuation da StartUp poderá ser elevado para 1 milhão de reais. ( R$ 1.000.000,00 x 10% = R$ 100.000,00). Se quer ou vai dar mais ou menos percentual, aplique este conceito e verifique o que vale a pena. Entendeu?

No meu caso, eu só entro em um investimento se essa simples conta fizer sentido para ambas as partes e se for suficiente para bancar o burnrate em pelo menos 12 meses. Além é claro, se a percepção de valor da Startup no mercado for essa, baseado no segmento que atua e modelo de negócio. Agora atenção, Valuation alto pode ser bom ou ruim, se for muito alto nivela por cima e pode complicar uma negociação em rodadas futuras; Se for muito baixo, além de poder desvalorizar a imagem, pode não parecer interessante financeiramente ao mercado. Enfim, uma conta que requer muita atenção, critérios e cuidado, caso a caso. É assim que eu procuro fazer. Além disso, eu gosto muito de entrar em projetos parceria e cotas com outros Anjos que se complementam em habilidades e que se dividem em participações iguais no negócio, ou seja, dividindo tudo, incluindo dedicação e riscos, para obviamente somar múltiplos na sequência.