Começando a empreender – Case Babuxca

A grande questão é que ter um bom produto não é suficiente, nem mesmo ter um preço acessível

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Por Felipe Wasserman

18 de fevereiro de 2016 às 17:50 - Atualizado há 4 anos

Fui convidado por 2 amigos Mauricio Alouan e Danny Dayan para ajudar em um projeto chamado Babuxca, uma cachaça premium com mel orgânico e limão natural. O produto tem tudo a ver com a nova juventude, pois além de criado por jovens, tem o apelo de diversão e natural tão procurado pelo publico de hoje.

A grande questão é que ter um bom produto não é suficiente, nem mesmo ter um preço acessível. Para qualquer projeto dar certo você precisa ter os empreendedores e um time focado 100% no negocio, o que naquele momento nenhum dos três estava conseguindo.

Depois de muita discussão, decidimos que o produto era muito bom para desistir e pensamos em um plano diferente, por que não procuramos jovens que queiram realmente empreender para serem “donos” do projeto, mesmo que no risco! O incrível é que em apenas um email e um post no facebook recebemos mais do que 50 currículos.

Depois de pesquisar bem escolhemos uma pessoa que nos impressionou, o nome dele é Marcelo Ajzen, e que apesar de nunca ter trabalhado com bebida mostrou um desejo de empreender invejável, e além disso trouxe com ele 2 amigos, a Carol Mentlik e o Vitor para serem sócios, cada um na sua especialidade!

Este novo time começou neste Janeiro e abaixo segue o relato deles sobre este início e como foi primeiro Carnaval!

 

Um carnaval cheio de cachaça e empreendedorismo:

Carnaval Babuxca

O que muitos não pensam quando iniciam a jornada do empreendedorismo é que no começo vão ter que colocar a mão na massa em absolutamente tudo, sem frescura ou “não sei como fazer”.

A verdade é que a melhor oportunidade para sentir o consumidor e o seu produto em “atuação” é no momento de vendas, e é nessa interação entre produto e cliente que surgem insights que serão utilizados na criação da estratégia de atuação da empresa.

Foi por causa disso que decidimos nos aventurar a vender nosso produto no carnaval de rua em São Paulo. Com o intuito de divulgar a marca, analisar preço, receptividade do consumidor e aprender o que ainda nem imaginávamos, saímos nós três (e alguns amigos) com um cooler, moedas para troco, máquina de cartão, celular e muita vontade de vender.

Com certeza a experiência foi única e surpreendente. A caminho do primeiro bloco, nós três estávamos com um nível de animação altíssimo, criando planos de vendas, projeções, discursos e métodos de venda, parecia que o carro ia transbordar ansiedade e otimismo. Mas ao chegar no bloco percebemos que essa experiência não seria tão fácil quanto imaginávamos.

Foi um dia no qual passamos alguns sufocos:

  • O bloco anda mais rápido do que pensávamos, o que nos obrigava a carregar o cooler (que não é nada leve e já valeu pelo treino de musculação da semana!) e abrir espaço na multidão.
  • A máquina de cartão não funcionou por causa da falta de sinal, o que nos fez perder vendas.
  • Ficamos receosos se a receptividade dos outros ambulantes locais seria positiva. Enfim, passamos por uma série de desafios neste primeiro dia que nos fizeram colocar os pés no chão e perceber que apenas nossa vontade de vender não seria suficiente para ter resultados satisfatórios.

FOTO_UTENSILIOS

Então no dia seguinte começamos a pensar mais estrategicamente em como faríamos nossas vendas e, principalmente, como atingiríamos nossos objetivos de divulgar a marca, analisar preço, receptividade do consumidor entre outros aprendizados. Aprendemos que o cooler teria que ser mais leve para ganharmos agilidade, ter troco suficiente para suprir a falta de máquina de cartão e que poderíamos ganhar escala de venda se outros ambulantes também vendessem nosso produto.

Passamos por blocos desde o Largo da Batata, Rua Augusta, Oscar Freire, Vila Mariana, Paulista entre outros lugares de São Paulo. Depois de dois dias rodando pela cidade, já entendemos o esquema; o que falar, como abordar, quanto cobrar e onde ir. A partir deste momento as vendas fluíram naturalmente e conseguimos aguçar nossa percepção das reações dos nossos clientes frente ao produto. Foi até engraçado que no terceiro dia de carnaval, durante as vendas nós três nos entreolhamos e demos uma risada de satisfação, daquelas que você dá quando percebe que a missão está sendo cumprida!

Ter essa experiência como vendedor ambulante do seu próprio produto realmente foi única. Conseguimos perceber questões que ainda não tínhamos pensado sobre nossa comunicação de marketing, estratégia comercial, público alvo, concorrentes e até mesmo de questões organizacionais da nossa empresa. Mas além disso, aprendemos que para conhecer 100% do negócio, nós precisamos constantemente nos colocar em posições não óbvias. Não adianta nosso marketing elaborar ações maravilhosas se mal tem contato com o cliente, não adianta o comercial querer vender se não sabe o que o consumidor gosta. Entre os inúmeros aprendizados que o carnaval nos trouxe, o principal foi que sempre devemos nos colocar em posições novas e buscar conhecer diferentes ângulos de visão sobre nosso produto. Assim podemos alinhar cada vez mais nossa estratégia com as vontades e necessidades do nosso público-alvo.