China e Apple, uma relação de amor ou ódio?

As vendas de iPhones ficaram em US$74,8 milhões: o menor crescimento desde que o primeiro smartphone da maçã foi lançado, em 2007

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Por Paula Zogbi

26 de janeiro de 2016 às 19:55 - Atualizado há 4 anos

A Apple divulgou nesta terça-feira, 26 de janeiro, os resultados dos ganhos deste trimestre. As vendas de iPhones ficaram em 74,8 milhões de unidades: o menor crescimento desde que o primeiro smartphone da maçã foi lançado, em 2007. O lucro líquido foi de US$18,4 bilhões, com US$75,9 bilhões em vendas.

No final de 2014, o lançamento do iPhone 6, primeiro com tela grande – algo que as concorrentes principais já possuíam – fez com que as vendas explodissem. Já em 2015, as poucas novidades e a situação econômica desfavorável em boa parte do mundo – com o dólar forte ante as demais moedas – trouxeram resultados menos animadores.

Eles já sabiam

As expectativas de analistas para este trimestre eram, invariavelmente, pessimistas: os que não diziam que as vendas de iPhones estagnariam, afirmavam que seria o menor crescimento de todos os tempos. E as vendas de iPhones correspondem a 63% do faturamento da companhia da Maçã. Não à toa, nesta terça-feira o preço da ação no S&P fechou em US$99,99 – extremamente baixo para os padrões da companhia.

E é aí que entra a China.

A companhia criada por Steve Jobs já vende mais smartphones na China do que em toda a Europa. O país é uma das grandes apostas e, com rápida expansão de pontos de vendas, pode ultrapassar até mesmo os Estados Unidos em termos de iPhones vendidos. Isso se a economia do país ajudar.

Em dezembro, a indústria chinesa viu queda pelo décimo mês consecutivo, refletindo a fraca demanda do país. Em 2015, o crescimento da economia por lá foi de 6,9% em 2015, ritmo mais lento em 25 anos. Enquanto isso, o governo do país injeta euros no sistema financeiro para aumentar a liquidez. O CEO da empresa, Tim Cook, na apresentação dos resultados trimestrais, culpou justamente essas questões macroeconômicas por uma fraqueza nas vendas no início deste ano, principalmente em Hong Kong.

Ao mesmo tempo, ainda há muito espaço para a Apple crescer no país, que possui 30 lojas da marca no total. Só na Califórnia, são 53 delas. As vendas no país cresceram 14% ante o mesmo período do ano anterior, melhor resultado da empresa na área, de acordo com Cook. Enquanto isso, tanto o Japão quanto as Américas apresentaram quedas (de 12% e 4%, respectivamente). Resta saber se essa possibilidade de crescimento será o suficiente para sustentar a gigante de tecnologia – ou se aceditar no potencial chinês será justamente o motivo de uma eventual ruína.