As empresas não querem seu bem, diz primeiro homem a implantar um chip no corpo

Para pioneiro do chip sob a pele, só é possível mudar o mundo se pudermos deter nossos próprios dados

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Por Paula Zogbi

27 de janeiro de 2016 às 14:40 - Atualizado há 4 anos

“Não compre o meu chip, espere a próxima atualização”, avisa Evgeny “Che” Chereshnev, o homem que ficou mundialmente conhecido por implantar um biochip NFC na própria mão para tentar mudar o mundo.

Mas não é que ele se arrependa: “hoje em dia, simplesmente não existe liberdade. Os seus dados pertencem a todos, menos a você mesmo”, avisa o vice-presidente global de marketing de varejo da Kaspersky Lab. E, para ele, a solução é justamente o biochip – somado a outros fatores, como reconhecimento de voz e de retina. “Até mesmo a biometria da sua impressão digital pode ser roubada, minha solução é mais segura, porque tudo fica criptografado. Todas as soluções devem ser usadas em conjunto”.

“Hoje, nós não estamos seguros, mas eu garanto que no futuro estaremos, acredite em mim”, responde a uma pergunta da plateia na Campus Party, evento onde palestrou nesta quarta-feira, 27 de janeiro. Nos primórdios da tecnologia, segundo ele, o ser humano poderia fazer qualquer coisa que quisesse na internet – assim como podia no início dos tempos sem as leis. Isso é liberdade, algo necessário para que se possa mudar o mundo, afirma.

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Evgeny compara o momento atual com algo que chama de “feudalismo digital”: as grandes empresas de big data possuem acesso aos nossos dados, mas fazem uso deles apenas para seu próprio bem, e não pelo bem dos usuários: “é apenas para vender mais, eles pensam apenas neles mesmos, assim como os senhores feudais e imperadores”, alerta.

Como oposição a essa prisão, ele diz acreditar que seja possível criar o conceito de “propriedade privada sobre dados digitais”. Seu chip seria o primeiro passo para isso. “As informações pertencerão a nós mesmos – você mantém seus dados, criptografa e controla. Se quiser destruir, pode, se quiser dar aos seus filhos, vá em frente”, explica o executivo, que diz que mais de 12 pessoas na Kaspersky também já implantaram os biochips em suas próprias mãos.

O homem biônico

Por enquanto, as possibilidades do biochip NFC já têm alguma graça própria. “Eu não uso chaves para entrar na minha empresa, não preciso de senha de bloqueio no celular, a internet das coisas fica potencializada quando a tecnologia está embutida no seu corpo”, conta Evgeny. Para acompanhar os relatos, basta acessar o blog kas.pr/blog.