A propriedade de carros próprios vai morrer em apenas 10 anos

Da Redação

Por Da Redação

21 de setembro de 2016 às 13:09 - Atualizado há 4 anos

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Muita gente já trocou o carro pela Uber ou outros aplicativos de compartilhamento. Principalmente nos Estados Unidos, onde isso já é uma tendência há mais tempo. Afinal, é muito caro você manter o seu carro e todas as dores de cabeça que vem associadas com ele.

Bom, o CEO do Lyft, John Zimmer, tem uma opinião forte sobre o assunto: daqui 10 anos, ninguém mais vai ter um carro na garagem se morar em uma grande cidade. Tudo bem que sua estimativa é para os Estados Unidos, onde até o governo está louco para colocar os carros autônomos nas ruas, então aqui no Brasil… talvez daqui 50 anos ninguém mais tenha carro.

Mas voltando à “terceira grande revolução de mobilidade”, como diz Zimmer. Essa mágica se dá por dois fatores: primeiro, os carros que se dirigem sozinhos – os carros autônomos – e por enormes frotas de carros dos principais aplicativos de mobilidade. Temos SaaS (Software as a Service), IaaS (Infrastructure as a Service) e a agora teremos CaaS (Cars as a Service), MaaS (Mobility as a Service) ou TaaS (Tranportation as a Service).

Esse modelo provavelmente será muito menos custoso ao consumidor do que a manutenção de um carro parado. Atualmente, um carro médio passa 96% do tempo estacionado. Enormes estruturas são construídas para apenas guardar seus carros em lugares (sim, estou falando de estacionamentos). E mesmo quem já usa o carro para trabalhar (o motorista comum de Uber) passa no máximo 50% de seu tempo dentro do carro.

O modelo atual de Uber, Lyft, 99, Easy, Didi Chuxing e outras tantas companhias depende de motoristas humanos que a) demandam pagamento b) possuem limites físicos. Isso encarece a experiência de ter um carro como um serviço, pois você também precisa pagar o motorista. “Uber só é caro do jeito que é por causa do outro cara dentro do carro”, afirma o CEO da empresa, Travis Kalanick.

Quando o motorista sair da jogada, será muito mais barato usar uma rede de carros de outros do que ter teu próprio carro. Eles vão trabalhar 24 horas por dia. É o que apostam esses aplicativos: a Uber já testa seus carros autônomos, Lyft já fechou parceria com a GM (que incluiu um investimento de US$ 500 milhões na startup).

Será muito mais prático do que pagar o seu carro, o estacionamento do seu carro, a energia (ou combustível) do seu carro, o seguro do seu carro… e todos os gastos de manutenção que são associados. Ok, poderá se economizar alguma coisa, talvez (e existem 50 milhões de ressalvas a fazer aí), tendo um carro autônomo própria na sua garagem (a própria margem de lucro?). Mas te garanto que a dor de cabeça será muito maior.

Com carros autônomos, teremos mais espaço para novos imóveis surgirem e baratearem os custos para quem quer viver em regiões centrais. Ganharemos produtividade pois teremos o tempo que perdemos no trânsito para trabalhar. Chegaremos menos estressados no trabalho. Teremos a oportunidade de realizar viagens pelo país (dormir em São Paulo, acordar no Rio!). A velocidade das cidades aumentará.

Enfim… uma revolução sem tamanho que já começou. Nos Estados Unidos, já houve uma queda forte entre os adolescentes de 16 anos de idade (idade mínima para dirigir) que possuem carteira de habilitação, de 46% em 1983 para 24% atualmente. “Uma pessoa da geração Y tem 30% menos chance de comprar um carro do que uma pessoa da geração anterior”, afirma Zimmer.

Eu lembro muito bem da primeira vez que eu vi um carro autônomo em ação. Era 2011 e eu achei impressionante. Eu assistia um programa de televisão da BBC (Top Gear) e foi ele que me apresentou a isso. E impressionado eu fiquei, mas, na época, não conseguia ter dimensão de quanto isso seria importante (embora o narrador diga que “esse é o carro mais importante da história”).

Se serve de algo, agora eu consigo entender a revolução que virá. Seu carro vai ser apenas do tamanho do seu smartphone e teremos uma cidade que funciona melhor, mais rápido e com muito mais eficiência. Estou ansioso por 2025.

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