A novidade que pode prejudicar todo o compartilhamento de imagens na internet

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Por Paula Zogbi

22 de outubro de 2015 às 09:08 - Atualizado há 5 anos

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Na internet, praticamente tudo é compartilhável, certo? De acordo com o Business Insider, pode ficar muito mais difícil mostrar aos seus amigos aquela imagem que você encontrou na internet.

Na semana passada, a organização que padroniza o formato JPEG, de imagens virtuais, passou a considerar a utilização de um software de gerenciamento de direitos de imagem, o DRM (Digital Rights Management) para impedir que pessoas distribuam livremente o conteúdo que encontram na rede.

O formato JPEG ou JPG é o da grande maioria das imagens encontradas na web atualmente. A implementação dessa gestão de direitos autorais pode proibir que você publique, por exemplo, uma imagem no Facebook sem pedir autorização de quem a criou (ou fotografou).

Atualmente, ainda que a imagem que você esteja compartilhando na web pertença a outra pessoa, é possível publicá-la: nada realmente o impede de usar na sua foto de capa do facebook uma imagem fotografada por outra pessoa, por exemplo.

O que muda com o DRM é justamente essa possibilidade ilimitada. Ele é mais comumente visto em formatos sonoros: se um dia você se deparou com uma mensagem de erro que te impediu de escutar uma música, foi o DRM que fez isso. E o grupo por trás do JPEG, o Joint Photographs Expert Group Committee quer que isso seja aplicado também às imagens pelas quais ele é responsável.

O grupo diz que planeja “desenvolver um padrão para realizar a segurança das informações em imagens, que seja capaz de garantir privacidade, manter a integridade de dados e proteger direitos de propriedade intelectual”.

Depois da implementação, se adotado em massa, isso poderia impedir o usuário de copiar uma imagem encontrada em um site de notícias, ou baixar uma foto do Facebook, ou até mesmo mostrar aquele meme aos seus amigos.

Isso realmente pode ajudar na questão da privacidade com a diminuição da proliferação de imagens pessoais na rede sem o consentimento dos envolvidos. Muitas dessas imagens contêm dados que especificam a localização onde a fotografia foi tirada, por exemplo.

Quem é contra?

Existem pontos contra esse tipo de regulamentação.

A Electronic Frontier Foundation, um grupo de direitos digitais dos EUA, citou alguns argumentos contrários à adoção do DMR:

– Ele não garante o uso limitado de copyrights: alguns trabalhos podem ser legalmente copiados por diversas razões, como críticas e sátiras, por exemplo. A adoção desse modelo automatizado poderia prejudicar isso

– O DMR permite condutas anti-competitivas, como códigos regionais. Algumas imagens podem ser permitidas em apenas alguns países, o que prejudica o acesso à informação.

– Erros são comuns, e se um erro fosse cometido em uma regra de DRM, imagens de domínio público poderiam tornar-se inacessíveis.

– Algumas leis “anti-convencionais” podem ser necessárias para a aplicação do DRM. Isso poderia criminalizar pesquisadores de segurança que tentassem encontrar vulnerabilidades, por exemplo.

Ainda não foi definido um prazo para a aplicação das regras e, se for, tudo será opcional: sua imagem só passará pelas regras do DMR se você quiser que ela passe. Nada será imposto, de acordo com o comitê.

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