87% das mulheres no Vale do Silício ouvem comentários degradantes no trabalho

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Por Paula Zogbi

13 de janeiro de 2016 às 10:48 - Atualizado há 5 anos

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Os homens do Vale do Silício não sabem disso, mas estão sendo preconceituosos com suas colegas de trabalho, de acordo com a pesquisa “Elephant in The Valley” (Elefante no Vale, fazendo referência à expressão “elefante na sala” – uma situação constrangedora que os envolvidos tendem a ignorar).

Realizada depois do desdobramento do caso de Ellen Pao, ex-CEO interina do Reddit, que entrou com um processo por descriminação de gênero contra a Kleiner Perkins em 2012 – e que foi a julgamento em fevereiro do ano passado. “Percebemos que ainda que muitas mulheres estejam familiarizadas com as histórias [citadas no julgamento], a muitos homens ficaram chocados e não sabiam dos problemas que as mulheres enfrentam no ambiente de trabalho”, diz a descrição da pesquisa, que pode ser vista neste link.

Como recorte, as mulheres entrevistadas têm, em sua maioria, 10 anos ou mais de experiência no mercado, sendo que 91% delas estão na área do Vale do Silício; 77% têm mais de 40 anos e 75% são mães. Quase todas possuem posições de liderança: 25% CXOs, 11% fundadoras das empresas e 11% são investidoras.

Entre as descobertas, dados alarmantes: 88% das mulheres entrevistadas já foram preteridas em questões que as concerniam, ou seja, perguntas que deveriam ser destinadas a elas eram feitas a seus colegas homens. Além disso, 87% já escutaram comentários degradantes de colegas de trabalho e 84% notaram que as pessoas faziam contato visual com os homens e não com elas.

Um dos casos que Pao levou aos tribunais em 2012 dizia que ela era a escolhida para tomar notas em reuniões de alto escalão, ainda que sua posição fosse a mesma ou superior à dos homens da sala. Neste sentido, 47% das pesquisadas disseram que precisaram realizar tarefas que seriam de responsabilidade de pessoas com cargos inferiores.

Outro comportamento muito comum é o das pessoas que sugerem que mulheres em posições de liderança devem agir de uma maneira específica ou ter determinada personalidade. Das entrevistadas, 84% já tiveram que escutar que são “muito agressivas”, e metade dessa porcentagem já ouviu este comentário mais de uma vez, algo que não costuma acontecer com seus colegas do sexo masculino, simplesmente porque a liderança deles não é questionada.

O número mais alarmante da pesquisa é o de comportamentos rotineiros: 90% das mulheres na pesquisa já presenciaram comportamentos sexistas no ambiente de trabalho e/ou conferências da indústria.

O site, elephantinthevalley.com, é colaborativo: qualquer mulher que tenha passado por uma das situações descritas pode adicionar relatos, em inglês, para ajudar no diálogo e na compreensão, principalmente de homens que não percebem seus erros comportamentais.