Enercred usa energia limpa e gera créditos que reduzem conta de luz de clientes

Empresa usa tecnologia de IA para mapear clientes e definir consumo ótimo de energia e está investindo para expandir capacidade geradora para também atender pequenas e médias empresas

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Democratizar o acesso à energia limpa. Esse é o objetivo da Enercred, startup que está reinventando o setor por meio de uma usina compartilhada. Os clientes pagam uma mensalidade e têm acesso à créditos vindos de uma fazenda solar construída pela empresa em Minas Gerais. Assim, conseguem reduzir a conta de luz no fim do mês.

Tudo começou quando José Otávio Bustamante, CEO da startup e engenheiro eletricista, criou, em 2013, um projeto piloto de um painel solar híbrido. O projeto ficou adormecido por um tempo, mas em 2015, o empreendedor teve a oportunidade de aplicá-lo na fase de protótipos de um curso online do MIT. Foram 400 projetos inscritos e 20 escolhidos para uma fase de aprendizado presencial - entre eles, o painel solar híbrido.

José Otávio Bustamante, CEO da startup

Foi então que o empreendedor decidiu extrair ainda mais dessa viagem. “Preparei um e-mail e enviei para muitas empresas do mercado de energia dos Estados Unidos, e conversando com uma delas  conheci o modelo de energia compartilhada”, explica. Foi então que ele decidiu unir sua ideia com esse novo conceito, criando a Enercred. “Enxerguei uma forma de democratizar o acesso à energia limpa, por isso decidi oferecer um serviço às pessoas, e não somente um produto”, conta Bustamante.

A ideia e o modelo de negócios foram desenvolvidos e apresentados no Desafio Solar para Negócios Sociais promovido pelo Greenpeace, em 2016. Foram quase 6 meses de programa, com a Enercred vencedora. “Como prêmio, ganhamos o branding da marca, criação de logo, DNA e uma assessoria jurídica”, diz o empreendedor. Em paralelo a isso, a startup também recebeu um investimento inicial para o projeto piloto: uma fazenda solar em Minas Gerais.

Ao mesmo tempo, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) atualizou sua resolução normativa 687 para tornar mais atrativo o uso de painéis solares. Entre as definições, estava o uso permitido da geração compartilhada, onde interessados se unem em um consórcio ou cooperativa que tenha uma micro ou minigeração instalada, e usam a energia gerada para reduzir o valor da conta.

Na prática

Em dezembro do mesmo ano o piloto da startup estava pronto, e em abril de 2017 foi homologado para gerar energia. Segundo Bustamante, a primeira fase foi de aprendizado, já que era um modelo novo até mesmo para a concessionária. Em um sistema comum de energia solar, o cliente precisa instalar um medidor bidimensional que contabiliza a energia gerada pelas placas e a energia comum. No modelo da Enercred, não é preciso fazer nenhuma instalação. “O medidor é o mesmo. Nós geramos a energia e injetamos na rede de distribuição. A concessionária mede o que o cliente usou no total, e desconta uma porcentagem equivalente à energia solar”, explica Bustamante.

Piloto da fazenda solar da Enercred, em Minas Gerais | Crédito: Enercred

Para fazer a distribuição da energia solar, a Enercred analisa o perfil de cada cliente, que no momento da contratação do serviço tira uma foto da sua conta de luz. “Nós usamos um sistema de OCR (Optical Character Recognition, ou Reconhecimento Óptico de Caracteres) e Inteligência Artificial que consegue analisar o perfil do consumidor e prever um consumo ideal de crédito”, explica o empreendedor. Assim, a startup envia uma proposta para o cliente e repassa à concessionária o porcentagem mensal que deve ser descontado daquele consumidor.

Com a concessionária não há um retorno monetário, apenas uma troca de energia por créditos no sistema de compensação. "Cobramos um valor de nosso cliente pelo aluguel de um percentual da usina que vai gerar uma redução na conta. Similar a uma imobiliária digital, recebemos dos clientes, ficamos com uma taxa para remunerar nossa operação e o restante vai para a usina", explica Bustamante.

Esse modelo possibilita que moradores de apartamentos ou casas alugadas possam aproveitar os benefícios da energia solar sem fazer um investimento, e economizar ao decorrer do tempo com o desconto gerado. Por outro lado, as concessionárias também saem ganhando. “Estudos mostram que elas se beneficiam pois precisam gastar menos com linhas de transmissão. Se o cliente é de Minas Gerais, por exemplo, pode consumir parte da energia de uma usina local como a nossa”, explica Bustamante.

Muitas delas já estão até mesmo enxergando oportunidades de negócios. Como é o caso da Safira, que decidiu investir na startup. Hoje, a usina da Enercred tem uma capacidade máxima de produção de 15 kW. Com o investimento, ela será expandida para 75kW. Além disso, a startup já está em negociações com outra empresa para construir mais uma com a mesma potência e passar a fornecer energia para pequenas e médias empresas.

“O compartilhamento de energia renovável veio para ficar. A adoção está crescendo muito a cada dia e tem um viés sustentável e ecológico muito grande”, diz Bustamante. Segundo o empreendedor, a tendência está impulsionando novos negócios. “Temos como slogan energia limpa e barata. Somos a primeira empresa a oferecer assinatura de energia limpa para o consumidor residencial, e pretendemos crescer ainda mais com as usinas”, diz Bustamante.

Foto: Shutterstock

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