Centro Universitário carioca de 46 anos resolve se reinventar e virar startup

Para realizar a transformação, a empresa criou uma nova metodologia de ensino, apelidada de Liga, para incluir o aprendizado e a tecnologia no centro da empresa

0
shares

Tudo está diferente de 10 anos para cá, mas a educação pouco mudou de 100 anos atrás até hoje. As aulas continuam a mesma coisa enfadonha de sempre, um professor discursando sobre o que tem na cabeça.

Algumas instituições trabalham para mudar isso. Uma delas é o Centro Universitário Celso Lisboa, uma empresa carioca fundada em 1971 e que fez uma grande reforma nos últimos anos para criar um novo ensino superior, que prepare os alunos para o mundo de hoje em dia, não mais para a década de 70.

Isso fez com que a instituição começasse a se entender como uma startup fundada em 1971. Até a forma que as mudanças começaram foi típica de startup: começaram conversando com os alunos atuais e entendendo as novas demandas que estes possuíam. “A Celso Lisboa mudou a forma de pensar a educação. Mudamos a sala de aula, a relação professor-aluno e a experiência de aprendizagem através de projetos que simulam o mercado de trabalho. Enfim, a gente mudou tudo para mudar o futuro de quem estuda aqui”, afirma Felipe Kotait Borba, diretor comercial e de marketing do Centro Universitário.

Em pé, da direita para a esquerda: Felipe Kotait Borba ( Diretor Comercial e marketing), Carol Lisboa ( Diretora de Operações ), Rodolfo Bertolini (Diretor Geral) e Karina Lisboa (Diretora de Relacionamento). Sentados, da direita para a esquerda: Thiago Almeida (Diretor de Inovação), João Carlos Padilha (Diretor Financeiro) e Jackelline Marques (Gerente de TI ).

“Quando vimos que estávamos fazendo igual a todo mundo, fomos ouvir os nossos alunos, saber das necessidades deles e, assim, buscar inovação. A LIGA é uma metodologia pensada totalmente a partir das necessidades dos alunos. Hoje, temos uma cabeça de startup. Acreditamos que uma instituição de educação precisa estar antenada e se reinventando junto com a sociedade”, explica Rodolfo Bertolini, diretor-geral da Celso Lisboa.

A nova metodologia, focada em inovação, é ótimo para oxigenar o sistema de ensino brasileiro, que necessita de mudanças para alcançarmos o status de país desenvolvido. Para debater a questão e mostrar o que existe de vanguarda no assunto, criamos o Edtech Class, um evento exclusivo sobre o assunto e no qual a Celso Lisboa estará presente. Não deixe de conferir.

Uma transformação longa

Mas poucos anos atrás, o Centro Universitário decidiu que precisava mudar ao perceber que era apenas um player no meio de um oceano de outros grandes players. Virar uma startup era um imperativo para que a empresa voltasse a ter uma relevância no mercado educacional brasileiro. “Comercializávamos nossos cursos como Commodities, ou seja, igual a todos os nossos concorrentes. O processo de reinvenção foi demorado e trabalhoso, mas deu certo. Hoje, nos consideramos uma startup de 46 anos”, complementa Borba.

Esse longo trabalho foi pesado, mas extremamente compensador quando se vê os resultados. “Não esquecemos do que a Celso já vivenciou e proporcionou aos seus alunos ou ex-alunos, mas tivemos (e temos) a energia necessária para mudar tudo, como estamos fazendo. É emocionante ver um aluno novo entrar na sua sala de aula e se deparar com algo completamente inovador e pensado exclusivamente para ele e para os desafios do mercado de trabalho de hoje e de amanhã”, salienta Borba.

Com isso, eles destacam que a qualidade do ensino cresceu bastante, ofertando uma educação de muita qualidade por uma fração do custo para o aluno. “Nosso propósito? Revolucionar a educação garantindo acesso ao público! Acreditamos ter um produto muito melhor do que faculdades consideradas ‘top’ cobrando 1/6 do preço deles”, afirma João Carlos Padilha, diretor financeiro da instituição.

Mudanças até no formato da sala de aula

Ao invés de aulas no padrão tradicional, meramente expositivo, elas são baseadas, agora, baseadas em problematizações, desenvolvimento de projetos, com construção multidisciplinar e orientadas para o aperfeiçoamento de competências. “Aqui a palavra chave não é mais ‘ensinar’, o foco é na aprendizagem”, complementa Padilha.

A meta da Celso Lisboa é disruptar (uma palavra tão ligada ao mercado de startups) no modelo tradicional da educação, já que as novas gerações têm novas demandas, além de enfrentarem um mercado de trabalho em profunda transformação. Para isso, a faculdade está mudando duas figuras centrais do ensino: o professor e a sala de aula.

O professor deixa de ser o “Deus na terra” que tem todo o conhecimento e precisa passar para os alunos. “O professor está deixando de ser o ponto focal do processo. Ele passa a ser um mediador da aprendizagem do aluno. Tem o papel de provocar, de engajar e de suportar o desenvolvimento das habilidades e competências”, destaca o diretor financeiro.

Já a sala de aula é transformada através de uma mudança significativa para acomodar esta nova função do professor. “Revolucionamos o modelo aqui também. Acabou o formato de “linha de produção”! Agora a sala de aula é na verdade um espelho do ambiente de trabalho, com os alunos divididos em vários grupos e o professor, ao invés de estar em um ‘palco’ na frente de todos, fica ‘passeando’ pela sala de aula”, salienta Padilha.

O que foi aprendido quando a empresa resolveu se tornar uma startup

Quando uma empresa decide se tornar uma startup novamente, ela passa por uma grande transformação. Mas essa mudança nunca é fácil e rápida, embora muito educativa. “Aprendemos que é necessário, em primeiro lugar, entender o que o consumidor deseja. Não só o consumidor de agora, mas também os que ainda nem sabem que existimos. O mercado está em constante mudança e estar preparado para atender às expectativas de todos os tipos de consumidores fará com que negócios como o nosso sempre prospere”, afirma Bertolini.

Isso envolveu ouvir muito os alunos e criar uma cultura de inovação fortíssima que permitisse todos os envolvidos irem na direção desejada. “Ouvimos nossos alunos e mudamos da educação tradicional para a educação disruptiva em função deles. Além disso, é necessário criar uma cultura forte, onde todos os colaboradores tenham voz ativa nas decisões a serem tomadas. Somente com todos remando juntos e para a mesma direção, podemos pensar em ter sucesso”, destaca Bertolini.

Há muitos fatores que ajudam nesta transformação em companhia. “Na minha opinião, vários outros pontos também são cruciais nesta jornada, tais como: uso da tecnologia como facilitadora do processo; treinamentos constantes; análise constante do nosso segmento de educação e de diversos outros, correlatos ou não; plano financeiro bem estruturado e com visão de longo prazo; um ótimo plano de marketing e principalmente olhar para o futuro sem esquecer do passado e sem deixar de viver o presente”, diz Bertolini.

Temos um e-book para ajudar corporações tradicionais, como era a Celso Lisboa alguns anos atrás, a abraçarem a inovação e assumirem uma identidade que as ajudem nesta época – tornando-se inovadoras. Baixe-o aqui.

Crescimento expressivo

Se essa transformação tem feito bem para preparar melhor os alunos, também tem feito para o lado de negócio da Celso Lisboa. Quem explica é o diretor financeiro. “Hoje temos 7500 alunos, divididos entre Graduação (6000) e Pós (1500). Acabamos de abrir uma nova unidade, a 1ª filial da Celso, no coração do Centro do Rio. Um prédio de 14 andares que suporta até 3 mil alunos. Será um campus dedicado a negócios e, por isso, demos o nome de Celso - Escola de Negócios”, afirma Padilha.

Com o novo campus, a previsão é de que o faturamento da instituição cresça 30% somente neste ano, chegando a R$90 milhões. A companhia tem planos para investir até R$20 milhões em três novos campi no município do Rio, para fechar 2020 com mais de 20 mil alunos inscritos, e um faturamento anual de cerca de R$200 milhões.

Isso deverá fazer o negócio crescer ainda mais nos próximos anos. “Nossa meta é chegar a 10mil alunos até o final do ano e, em 2020, chegar aos 20mil. Planejamos abrir uma nova filial entre 2018/2019 na Zona Oeste e lançar cursos EAD, já estamos com processo de liberação em andamento para ADM e Pedagogia, os 2 principais cursos no Brasil”, termina o diretor. Atualmente, a instituição conta com 16 cursos de graduação, 35 de pós-graduação e diversos cursos de extensão – nas áreas de gestão, saúde e engenharia.

Faça parte do maior conector do ecossistema de startups brasileiro! Não deixe de entrar no grupo de discussão do StartSe no Facebook e de inscrever-se na nossa newsletter para receber o melhor de nosso conteúdo!

Junte-se a mais de 400.000 Empresários e Profissionais Para Conhecer os Negócios Mais Disruptivos do Mundo!

switch-check
switch-x
Nova Economia
switch-check
switch-x
Empreendedores
switch-check
switch-x
Investimentos
switch-check
switch-x
Startups
switch-check
switch-x
Ecossistema

Comentários