Robôs inteligentes podem acabar com o emprego de 40% dos advogados

A automação do setor jurídico promete aumentar a eficiência de seus processos e poupar dinheiro dos clientes

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A tecnologia está mudando completamente a manufatura e o varejo. Essa é uma discussão bastante recorrente aqui no StartSe. Falamos bastante sobre como trabalhos de menor qualificação e atividades mais mecânicas serão substituídas por robôs nos próximos anos.

Já viu o caso da fábrica chinesa que substituiu seus funcionários por robôs e cresceu 250% em produtividade? O relatório The New York Order também aponta que 60% dos jovens estão aprendendo profissões que irão deixar de existir.

São vários os exemplos. O mundo está mudando radicalmente por conta da tecnologia e aprofundamos em dois ambientes: o Corporate Class, para empresas aprenderem a lidar com inovação e o Silicon Valley Learning Experience, que te leva para o Vale para entender o que há de mais novo por lá.

Mas estamos aqui para falar de um novo campo que está sendo ameaçado por Inteligência Artificial e que ainda não está sendo muito discutido: o do direito.

Embora coloque trabalhos em risco, a automação do setor jurídico promete aumentar a eficiência de seus processos e poupar dinheiro dos clientes.

Os defensores de IA argumentam que poderia realmente haver um aumento na força de trabalho do setor, à medida que a tecnologia reduz os custos e torna os serviços jurídicos mais acessíveis a um maior número de pessoas.

A tecnologia irá ler documentos para obter evidências que serão úteis em litígios, revisar e criar contratos, identificar possíveis fraudes ou fazer pesquisas legais. Essas são todas tarefas que - pelo menos no momento - são em grande parte a responsabilidade de advogados que estão começando carreira.

"É como o começo do começo do começo", disse Noory Bechor, CEO da LawGeex, uma plataforma de Inteligência Artificial para revisão de contratos legais. A transição de Bechor, de advogado para advogado de IA, é resultado de sua própria experiência trabalhando em um grande escritório de advocacia em Israel.

"Eu fiz um monte de trabalho de contrato para pequenas empresas, bem como para investidores e empresas multinacionais", comenta. Era um trabalho mecânico. E, "eu estava sentindo essa dor, dia após dia, trabalhando em horários malucos".

Bechor começou a perceber que, à medida que revisava cada vez mais contratos, mais se especializava na atividade – que denomina “tediosa”. "Você pega o jeito", diz. "Você tem na sua cabeça o que um contrato deve e não deve conter. Foi o que me convenceu de que uma parte significativa disso poderia ser automatizada", discursa.

A plataforma LawGeex "pode pegar um contrato, que nunca foi visto antes, lê-lo e depois compará-lo a um banco de dados de todos os contratos similares que foram vistos no passado". Como outras plataformas de IA, a startup também aprende de cada revisão que executa - assim como Bechor aprendia no início de sua carreira.

Será que as máquinas irão deixar passar coisas que um advogado experiente conseguiria notar? Proponentes acham que não. "Esse é um argumento que foi refutado", diz Jay Leib, fundador e membro da NexLP. A empresa oferece a eDiscovery, uma plataforma da IA que pesquisa documentos para obter informações relevantes para ações judiciais e outros litígios.

“Você pode deixar algo passar? Claro”, afirma Leib. "Mas, desde 1985, sabemos que os seres humanos não são muito bons em pesquisas de palavras-chave". Ele também comenta que a quantidade de dados eletrônicos gerados hoje em dia torna difícil para os profissionais manterem o ritmo.

Leib diz que a NexLP "não está apenas olhando o texto de um documento ou e-mail enviado. Está olhando para o tom da conversa, para ver se o item deve ser marcado para revisão”. O fundador também aponta que "computadores não se cansam, não ficam com fome e não dormem. Todas as coisas que são problemas biológicos não podem acontecer com eles".

O grande escritório de advocacia internacional Reed Smith colocou recentemente essa questão à prova com a RAVN ACE, a plataforma de IA da RAVN Systems. O escritório usou a tecnologia para fazer revisão de centenas de páginas de documentos. "Nós pegamos um acordo que já tínhamos feito manualmente", disse Lucy Dillon, diretora de conhecimento da Reed Smith. "E nós colocamos ele no sistema da RAVN para comparar. O resultado foi favorável"

Dillon disse que a plataforma "nem sempre está certa", mas os advogados foram capazes de adicionar informações às suas consultas e melhorar os seus resultados. Ainda diz que o sistema "pegou algumas coisas que tínhamos deixado passar, com altos níveis de precisão e era uma ótima ferramenta para usar".

Sobretudo, a RAVN era muito mais rápida que os humanos. “Estamos falando de minutos contra dias de trabalho”. O setor não é famoso pela sua agilidade de adaptação a mudanças. Mas isso está ficando para trás, à medida que os grandes escritórios estão se tocando dos benefícios da Inteligência Artificial em seus processos.

Leib acredita que são os clientes quem determinarão a rapidez com que as firmas de advocacia irão adotar as plataformas de IA. "Acho que as empresas vão exigir que suas empresas usem essas tecnologias, porque não vão querer pagar essas taxas para que os seres humanos revisem grandes quantidades de documentos”.

Questionado sobre quando ele acha que a tecnologia estará amplamente implementada no segmento, ele diz que “entre 2020 e 2025”. Um relatório da Deloitte Insight, divulgado em 2016, diz que "reformas profundas" ocorrerão no setor jurídico ao longo da próxima década, estimando que quase 40% dos empregos podem acabar sendo automatizados a longo prazo.

Andrew Arruda, CEO e co-fundador da ROSS Intelligence, escritório que usa o Watson, sistema cognitivo da IBM, é bastante otimista sobre o assunto. Ele acredita que Inteligência Artificial irá aumentar o número de oportunidades no ramo.

“Nas empresas onde a ROSS atua, vemos mais trabalho sendo feito, mais clientes sendo servidos. Não vejo como uma diminuição no pessoal, mas como um aumento na produtividade e no produto. A maioria dos indivíduos que precisam de um advogado não podem pagar um. Por outro lado, muitos graduados em direito estão afundados em dívidas e não conseguem encontrar trabalho. Serviços legais se tornarão mais acessíveis a todos com a tecnologia”.

(via CNBC)

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