Fintechs se preparam para transformar o mercado de educação financeira

Um levantamento da SGC Conteúdo com 104 fintechs brasileiras registrou que 62 delas têm um blog

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Por Sílvio Crespo*

Se você atua ou pretende atuar no mercado de fintechs, prepare o professor que existe dentro de você! As companhias que estão revolucionando o setor bancário dão sinais consistentes de que vão transformar também o segmento educacional - mais especificamente o de educação financeira.

Um levantamento da SGC Conteúdo com 104 fintechs brasileiras registrou que 62 delas têm um blog. Juntas, essas empresas publicaram 369 blog posts somente no mês de novembro. Se o ritmo continuar assim, cerca de 4.400 artigos de educação financeira serão publicados em 2017.

No entanto, o ritmo não deve continuar, e sim aumentar. O banco Goldman Sachs estima que US$ 4,7 trilhões em receitas devem migrar dos bancos para as fintechs nos próximos cinco anos.

Ao lado da corrida para oferecer os melhores serviços financeiros e ganhar cada vez mais share de mercado, existe a necessidade de entregar também informação e conhecimento, pois o consumidor precisa estar bem informado para escolher as melhores soluções.  

Veja como algumas das fintechs mais inovadoras do país enxergam a produção de conteúdo:

BankFacil (empréstimos): “Educar o consumidor é um dos nossos maiores desafios”, disse o fundador e CEO da BankFácil, o espanhol Sergio Furió, durante o evento Fintech Class, em São Paulo. Ele coloca a educação lado a lado com outros dois desafios: “automatizar processos complexos” e “lutar contra a burocracia e a formalização”.

BeeCâmbio (câmbio): “O conteúdo é uma das portas de entrada para o nosso site, ou seja, nosso negócio”, de acordo com Fernando Pavani, sócio-fundador da companhia. “O impacto é direto e metrificável. Atualmente possuímos uma área de inteligência de mercado que acompanha semanalmente os resultados, além de realizar uma reciclagem de conteúdos que deram certo, e outros que precisam ser melhorados.”

Broota (equity crowdfunding): “Existe um gap de conhecimento do empreendedor a respeito de equity crowdfunding. A produção de conteúdo ajuda a reduzir esse gap”, conta Camila Nasser responsável por Comunicação e Marketing na empresa.  

Geru (empréstimos). “Quando o consumidor ouve falar de uma fintech, ele pensa: ‘Por que isso é mais barato que os bancos? O que me garante que não é uma fraude?’”, disse Sandro Reiss, CEO na companhia, no Fintech Class. “Ser sério é a primeira coisa, mas parecer sério também é necessário”, completou.

GuiaBolso (gestão de finanças pessoais): Esta fintech, que está entre as mais inovadoras do mundo, usa a produção de conteúdo não só para educação financeira, mas também para quebrar resistências dos usuários que não conhecem a marca. “Existe a segurança real e a segurança percebida pelo cliente. As duas têm que ser trabalhadas para que as pessoas tenham tranquilidade ao usar o aplicativo”, disse Thiago Alvarez, CEO da empresa.

Magnetis (investimentos): “Conteúdo é carro-chefe na nossa estratégia de aquisição de clientes”, segundo Mariana Congo, gerente de conteúdo da empresa. “Observamos que há uma participação muito relevante de conteúdos, em especial blog posts e ferramentas, na fase decisória do investidor antes de virar cliente.”

Oi Warren (investimentos): As fintechs e os consumidores podem usar a internet para “mostrar a verdade” sobre os serviços financeiros, na opinião de Tito Gusmão, CEO da companhia. “Não existe mais esse negócio de taxas escondidas. Uma hora a verdade aparece, ou por um consumidor, ou por iniciativa de um concorrente.”

SmarttBot (investimentos): “Nosso conteúdo é super estratégico para educar nossa base de cadastros, visto que muitos dos nossos usuários estão usando robôs pela primeira vez”, diz Mateus Lana, um dos sócios-fundadores. Segundo ele, o conteúdo gera “mais engajamento nos robôs da SmarttBot e maior aproximação dos usuários”.

Vérios (investimentos): A Vérios também procura educar o seu consumidor a respeito dos serviços financeiros. “Queremos ajudar o investidor a se livrar das armadilhas do mercado”, explica a gerente de conteúdo, Isabella Paschuini.

Qualidade

O mais interessante é que existe uma preocupação não apenas com a quantidade, mas com a qualidade do conteúdo produzido.

Em pesquisa qualitativa com dez fintechs, uma ideia muito repetida foi a de que o conteúdo precisa ser “autêntico”, “original” e “único”. Ele deve “agregar valor” e não pode ser “comoditizado”, para usar as palavras dos próprios entrevistados.

É verdade que a educação financeira já vinha crescendo fortemente por iniciativa de diversas empresas, como a BM&FBovespa, que mantém cursos regulares há mais de uma década, e a XP Investimentos, dona do portal Infomoney.

É igualmente verdade que os consumidores precisam também de informações independentes, produzidas pela imprensa e por blogs especializados, por exemplo. Por isso, as fintechs não tendem a virar a única fonte digital de educação financeira. Mas caminham para se tornar uma das principais.-----

*Sílvio Crespo é o fundador da SGC Conteúdo, agência que produz conteúdos com foco em educação financeira e fintechs.

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