Você provavelmente não deveria investir em startups

Investimento de startups é para profissionais, nesse artigo abordo os motivos e o que fazer caso realmente queira.

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Por Isabella Câmara

19 de julho de 2018 às 10:07 - Atualizado há 2 anos

Devido a minha conexão com o mercado financeiro, já que sou COO da Suno Research, tenho um grande contato com investidores interessados em investir em startups. Apesar de acreditar que algumas pessoas possuem grande chance de ganhar muito dinheiro com esse tipo de investimento em startups, como quase tudo na vida essa atividade não é para todo mundo. Na verdade, é para uma minoria dos investidores.

Por isso que quase sempre que alguém me pergunta se deveria investir em startup me lembro de um dos principais ensinamentos do maior investidor da história, Warren Buffett, no qual ele fala sobre o chamado “Circulo de Competência”.

O conceito é bastante simples: invista em negócios que você entende.

A grande questão que atrapalha o grau de assertividade de um investimento em startup é que muito provavelmente você não entende o negócio no qual vai colocar dinheiro. É normal, já que as próprias startups estão operando em um altíssimo grau de incerteza.

Diferente das empresas listadas na Bolsa, onde você pode ter acesso a negócios normalmente já maduros, com analistas profissionais cobrindo de forma quase gratuita e releases de resultados padronizados, em uma startup isso não existe.

Técnicas de avaliação de múltiplos ou Fluxo de Caixa Descontado são animais estranhos a esse mundo e não funcionam direito. Análises de fortalezas e sinergias, SWOT  e outras questões similares com as quais a maioria das pessoas que investem estão (ou deveriam estar) acostumadas, dão lugar a uma análise de mercado competitivo e criação de valor, algo que chega próximo a um exercício de futurologia.

No livro De Zero a Um escrito por Peter Thiel, ele aborda o mundo do investimento em startups. O seu melhor retorno terá de ser superior aos 9 seguintes no ranking, estamos falando de uma realidade na qual 64% dos casos o seu retorno será inexistente, e normalmente será negativo (você perde dinheiro de forma definitiva).

E essas métricas de retornos são obtidas por investidores profissionais, ou seja, VCs especialistas que se dedicam com muito dinheiro, tempo e cérebro para investir em startups e mesmo assim na maioria dos casos perdem dinheiro. Agora, imagine como você provavelmente vai se sair nesse tipo de investimento?

Mas e se você realmente quiser investir em Startups?

Bem, caso você realmente queira investir em Startups, existem algumas dicas que podem te ajudar.

A primeira é simples: tenha muito dinheiro.

Para ser realista, o investimento-anjo em uma startup costuma ser um aporte com valor entre 30 e 50 mil reais. Mesmo que seja menor, vamos dizer 10 mil, ainda assim é um valor significativo para a maioria das pessoas quando parado para pensar que essa deva ser uma das menores partes de seu portfólio de investimentos.

E se você investir menos? No gráfico acima 1,1% dos investidores em startups possuem um retorno entre 20 e 50 vezes o seu investimento. Vamos supor que você fique na metade disso, 35x. Se você investir pouco, como por exemplo cerca de R$ 5.000, você tem 1,1% de chances de sair com R$ 175.000 e 68% de sair com 0.

Ou seja, no melhor cenário, você sai com um dinheiro interessante, mas que dificilmente via mudar a sua vida e no cenário mais provável você perde um valor que pode ser significativo. Para o risco valer a pena você precisa investir um valor significativo em cada um de seus cavalos. E é importante que você tenha muitos! Por exemplo, investir em 10 startups para que 3 tenham algum retorno e paguem o investimento das outras 7, que vão lhe dar prejuízo.

A segunda regra é: somente invista naquilo que você entende.

Colocar seu dinheiro onde você não entende é a forma mais simples de perder dinheiro. Se você não sabe como o negócio gera valor ao público, como ele gera receita e cresce, provavelmente você não vai saber se vale ou não a pena investir no negócio.

E a terceira regra: invista nas pessoas, não no produto.

Se você está lendo esse artigo, provavelmente você está no nível de investidor-anjo, ou seja, investe em startups em fase bastante inicial. Nessa etapa é muito provável que o negócio vai mudar, que a solução construída pela startup será modificada, ou mesmo vire um spin off.

Por isso, nessa fase investir em empreendedores capazes é mais importante do que investir em um negócio que parece promissor. Pois a ideia pode mudar, mas dificilmente o time que desenvolve vai sofrer tantas mudanças assim. É o famoso “Aposte no Jockey não no cavalo”.

Por fim, caso queira aprender mais sobre o investimento em Startups, recomendo o Angel Class aqui mesmo da StartSe, um evento bem bacana que vai te ajudar a ter uma melhor visão sobre o investimento em startups na fase Anjo. E se você concentra todos os fatores necessários (grande capital, conhecimento, paciência e apetite por risco), essa pode ser uma boa oportunidade para você.

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