Investindo em startups após “Vale da Morte”, Kepler acerta 6 em cada 10

Da Redação

Por Da Redação

31 de agosto de 2016 às 13:20 - Atualizado há 4 anos

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Ao se interessar por investimentos no mercado de startups, você provavelmente já ouviu a seguinte frase: “para cada 10 investimentos, 8 vão fracassar e apenas 1 ou 2 vão compensar tudo”. Só que essa é uma forma extremamente simplificada de explicar um setor que é muito, muito mais complexo do que isso.

Só que essa simplificação nem sempre é verdadeira – não é o caso do investidor João Kepler, um dos mais famosos no mundo de startups no Brasil. “A cada 10 a gente acerta 6, é um número muito elevado. Não acredito naquele número que o mercado fala diz, de 1 acerto a cada 10”, afirma.

Tudo isso por conta da tese de investimento: Kepler reduz em muito o risco por conta do momento. “Temos um motivo para isso: só investimos em empresas que estão around o break-even, próximas do zero-a-zero. O Vale da Morte já passou. Isso é muito importante“, explica.

Contudo, é natural que, ao investir em empresas que estejam próximas do lucro, o retorno seja menor. Só que aumentar a quantidade de acertos compensa isso. Investimento em startup não é uma ciência exata e não precisa ser tratada como tal. Com o risco menos elevado, os valores são mais elevados do que a média da indústria também. “A gente coloca por volta de R$ 500 mil em cada startup”, destaca.

Ele costuma investir como um financiamento “intermediário” – entre os primeiros financiamentos de um anjo e os tíquetes mais altos de um venture capital – onde ele acredita que o mercado brasileiro é falho. “O Brasil tem um grande gap no seed money, que é o dinheiro para a empresa tomar um fôlego e conseguir chegar no venture capital. Isso é muito novo no Brasil, esse tipo de financiamento é muito importante para a startup, mas não temos nenhum braço de seed”.

Com isso, o apetite para investimentos é elevadíssimo e certamente ele quer ter um portfólio entre os maiores do Brasil. “Hoje temos 40 startups no portfólio (da Bossa Nova Investimentos), mas queremos 100 startups até o final do ano que vem”, conta. São algumas das startups mais famosas do Brasil: Hand Talk (cujo CEO acaba de ser nomeado um dos jovens mais influentes do mundo), Petitebox e Trakto, entre outras…

Mas isso não é feito sozinho (afinal, R$ 500 mil vezes 100 seriam R$ 50 milhões…), é junto com outros investidores – Kepler tem um trabalho de educar potenciais investidores que possuem o interesse em investir em startups. “O cara que tem dinheiro está procurando sempre uma oportunidade de investimento. O cara está ouvindo a vibe de alguma forma, sabe que tem algo acontecendo”, explica.

O grande problema do mercado é brasileiro é a falta de conhecimento e educação por partes dos investidores, e por isso não faltam alternativas de educação para o investidor nacional (do StartSe inclusive). Kepler tem uma e faz um trabalho muito importante, conversando com empresários. “O que eu estou conversando muito é com o pessoal que quer diversificar o investimento”, destaca.

Ele lembra de seu começo como investidor, lá no Vale do Silício. “Quando eu comecei em 2008, eu comecei no Vale pedindo dinheiro para minha empresa que eu não sabia que era uma startup”, conta. Lá, encontrou um mentor que o ensinou o caminho das pedras e o fez crescer. “Com ele eu realizei meu primeiro investimento, de US$ 25 mil, e seis meses depois tive uma saída ganhando quatro vezes o investido”, completa.

Logo depois, Kepler voltou ao Brasil e foi importantíssimo para desenvolver o ecossistema nacional, tendo ajudado a criar uma das instituições mais respeitadas do mercado. “Quando eu cheguei no Brasil e conheci o Cássio Spina e participei da Anjos do Brasil. Estava tudo muito no começo naquela época”, lembra.

Hoje, Kepler foca no importante trabalho de educação para que os iniciantes tenham boas experiências ao começar os seus investimentos em startups. “Procuramos qualificar o investidor e orientar para que ele invista em uma startup que tenha um fit com o setor em que ele atua ou em um grupo com outros investidores”, explica.

Há, naturalmente, um certo tipo de investidor que ele prefere ensinar – investimento em startup não é para todo mundo. “O investidor que chega e quer investir em startup por achar lindo e querer ficar rico com isso eu tenho muito pé atrás, pois trata esse setor muito como loteria. O empresário que me diz ‘quero diversificar meus e investir em negócios inovadores’, é esse quem eu quero atingir”, afirma.

Após ensinar a pessoa os básicos do setor, ele ajuda que o investidor encontre um negócio em que ele possa entender mais e até mesmo ajudar o desenvolvimento da companhia. “Sempre indicamos startups que estejam no setor em que ele já atua, tem familiaridade”, destaca.

Um dos grandes problemas do mercado Brasil, acredita ele, é que esses investidores não podem simplesmente entrar em um fundo – coisa que deverá mudar em breve. “Não temos um fundo varejo publico ainda, mas nos próximos meses vamos ter no Brasil”, diz.

A solução tem sido pequenos grupos de investidores, quando todos eles se juntam atrás de um líder de captação para colocar dinheiro juntos em mais de uma compahia – algo que ele tem feito bastante, para ajudar os novos investidores. “Na Bossa Nova, temos um grupo seleto de investidores qualificados. Investimos em dez startups no mês passado e dez neste mês”, conta.

E essa nova fase de educação tem valido a pena? “Tem sido muito bom. Antes todo dia eu recebia 20 ligações de empreendedores para se vender. Hoje eu recebo ligações dos 20 empreendedores e de 20 empresários e executivos querendo fazer parte também”, termina.

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