7 dicas essenciais para investir em startups

Ter uma tese, estudar sobre o mercado e controlar a ansiedade são algumas delas!

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Investir em startups é arriscado e, para começar a fazê-lo, é preciso de dinheiro, mas não só. O investidor também deve considerar uma série de fatores que são essenciais para o investimento ter mais chances de prosperar.

Antes de começar a investir, é importante saber que para pessoas físicas há duas boas opções: se tornar investidor-anjo ou investir por meio de uma plataforma de equity crowdfunding, por onde investidores podem financiar diversas startups. 

Investidores-anjo são pessoas físicas que aplicam o próprio patrimônio – no caso, entre 5 e 10% dele – em empresas de alto potencial de retorno.

Já o equity crowdfunding é um mecanismo que oferece oportunidades de investimento em startups e empresas em expansão.

Ele possibilita que um conjunto de investidores financie empresas em troca de participação nelas (equity) ou de títulos conversíveis de dívida que, no futuro, podem ser convertidas em participação societária (equity) da empresa investida.

As duas formas diferem em algumas questões. “Por meio dessas plataformas (de crowdfunding) dá para pôr a partir de mil reais.

Ela é mais acessível, mas o retorno vai ser proporcionalmente menor.

Para ser investidor-anjo, você tem que aportar mais ou menos 20 a 30 mil reais por startup e é preciso fazer um portfólio variado (para minimizar o risco de perda de capital já que startups são empreendimentos incertos), recomendo ter umas 10 startups investidas”, explica Cássio Spina, investidor-anjo e fundador da Anjos do Brasil. 

Ao mesmo tempo, essas duas opções apresentam similaridades.

Uma delas, por exemplo, é nunca investir mais de 10% do seu patrimônio, uma vez que em ambas o retorno é arriscado.

Mas essa não é o único fato a ser levado em consideração ao investir em startups.

Conversamos com especialistas da área e reunimos sete pré-requisitos para seguir antes de aportar suas reservas em um novo negócio.  

Startup Style

Estude muito sobre startups e peça ajuda para quem é experiente

Antes de separar o dinheiro para investir, é preciso mergulhar no mundo das startups, que é um universo à parte. Uma das principais peculiaridades dele, por exemplo, é a velocidade. “(Devido à velocidade), a startup passa rapidamente por fases diferentes e entender essa dinâmica é fundamental”, afirma Gustavo Junqueira, CEO do fundo de investimento Inseed. 

Para fazer isso, é indicado não só estudar por meio de livros e cursos, mas também se aproximar de outros investidores. Uma das dicas de Cássio Spina é investir junto com grupos, uma vez que assim é possível compartilhar a avaliação e aprender com os mais experientes.   

Tenha uma tese de investimentos

Para investir, é preciso ter foco. São várias as startups e ideias que parecem ser promissoras e, se você não tiver um caminho definido, uma tese de investimento, pode cair em diversas ciladas. Uma tese de investimentos é um conjunto de questões estabelecidas pelo próprio investidor focando em alguns pré-requisitos e objetivos que ele pretende alcançar. 

Segundo Junqueira: “Para montar uma tese é preciso ter conhecimento do mercado, (...) entender com profundidade os desafios de transformar o projeto em algo concreto, como testar e desenvolver uma oferta de valor, como decolar a startup". Algumas questões a serem definidas, por exemplo, quanto investir no total, em quantas startups, se irá focar somente em um setor ou vários.  

Saiba o que olhar em uma startup

Um erro do qual investidores devem fugir é se impressionar com um pitch eloquente.

Ao avaliar uma startup, é preciso ser técnico e saber exatamente o que faz dela um bom investimento.

Na Inseed, são levados em consideração três principais elementos: tecnologia (qual o conhecimento que será o diferencial no futuro), tamanho e relevância para o mercado (é preciso resolver um problema grande que atenda um mercado relevante para permitir escalabilidade) e perfil dos empreendedores. 

Em relação ao time Spina considera a parte mais importante na hora da decisão:

“O principal é avaliar os empreendedores e ver se eles têm as competências necessárias. A ideia do negócio não é tão importante, mas transformar a ideia em algo real e poder se adaptar ao que o mercado dá para ele, ser maleável.”  

Não seja apressado

Encontrou uma startup que parece perfeita para investir?

Não se precipite. Tome tempo para analisar o negócio, se possível (no caso de investimento-anjo) converse mais de uma vez com os empreendedores, estude potenciais concorrentes, clientes, etc.

Segundo Cássio Spina, por ser mais estruturado e menos pessoa, equity crowdfunding leva de uma a duas semanas para tomar a decisão, já investimento-anjo entra na casa dos meses. 

“Investimento direto é no mínimo um mês e no máximo três meses desde conhecer até apostar. É preciso nunca investir na empolgação, é que nem casar em Las Vegas: nunca dá certo!”, aconselha o fundador da Anjos do Brasil. 

Ofereça mais que dinheiro

Smart Money é o termo que define o investimento acompanhado de conhecimento – em gestão e negócios, contatos, experiência.

O investidor não necessariamente precisa ter experiência em gestão ou carregar a experiência de um ex-CEO.

Pelo contrário: ele pode ser especialista em direito contratual e preencher uma lacuna vazia naquela startup. 

Ao ajudar os empreendedores a seguirem pelo caminho de menor risco de fracasso, a startup (e consequentemente o investidor) têm mais chances de sucesso.  

Diversifique o seu risco

Como já mencionado, investir em uma startup é arriscado.

Segundo Gustavo Junqueira, o risco depende do tipo de empresa. “Somos especializados em B2B (do inglês business-to-business, se refere a duas empresas que fazem negócios como cliente e fornecedore ) nossa taxa é de 1/3 perdido, 1/3 recuperado com retorno baixo e 1/3 recuperado com vinte vezes o valor investido”, revela Junqueira, da Inseed.

Ao mesmo tempo, para ter mais chances de conseguir um retorno positivo, os especialistas recomendam ter um portfólio variado. Isso significa apostar em startups diferentes, de mercados distintos.

Se um segmento da economia vai mal e a startup fica em baixa, não serão todos os investimentos que serão prejudicados. Além disso, outro motivo para apostar em várias startups é o tempo de retorno do investimento: a média é de 5 a 10 anos.  

Gerencie suas expectativas

Dificilmente você investirá, logo na sua primeira vez, no próximo Uber.

Segundo Cassio Spina, é essencial ter isso em mente. “Não invista pensando só em retorno financeiro. É importante entender que investir em uma startup é também investir em um propósito, sentir que você está agregando, ajudando de alguma forma”, afirma o investidor. 

Também, de acordo com Spina, é preciso evitar achar que a jornada desse investimento será tranquila e sem problemas. Invista contando com as dúvidas, problemas e incertezas – e boa sorte. 

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