Você conhece o brasileiro que dormia na rua e hoje fatura R$ 4 bilhões?

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Por Júnior Borneli

15 de fevereiro de 2016 às 08:38 - Atualizado há 5 anos

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A história de Eloi D’Avila, fundador da Flytour, é incrível. Depois de fugir de casa aos 8 anos de idade para escapar dos maus tratos de um cunhado alcoólatra, foi de Porto Alegre para São Paulo onde trabalhou lavando carros, engraxando sapatos e vendendo jornais.

Morou na rua, debaixo de um viaduto. Era acordado, quase todos os dias, com cigarros acesos. Traz, até hoje, as marcas das queimaduras no corpo.

Depois de ter sido ajudado por um senhor aposentado, que lhe ofereceu emprego, mudou-se novamente para o Rio de Janeiro, já com 12 anos. Trabalhava como lavador e guardador de carros.

Nessa época conheceu muitas pessoas e foi apresentado a Stella Barros, dona da maior agência de viagens do país. Ela ofereceu emprego de office boy ao garoto.

Sabendo da situação do menino, que ainda morava na rua, Stella o deixou dormir na empresa, em um sofá de dois lugares. E também o ajudou a consertar seus dentes, perdidos depois de ter sido agredido com um soco na boca.

Assim ele progrediu na carreira e trabalhou na agência Stella Barros até os 17 anos. Depois, voltou para São Paulo para ajudar a irmã, que tinha se mudado para a cidade. Conseguiu emprego no Bradesco e trabalhava também na LAP (Linhas Aéreas Portuguesas) e como Fiscal de Plataforma, na rodoviária da cidade.

Quando começou a melhorar de vida, teve seu carro roubado, perdeu o emprego e teve que enfrentar o sogro, que queria levar a filha de volta para casa, por conta da situação difícil em que o casal vivia.

Depois de algum tempo, conseguiu emprego na Panamericana Hotéis. Foi convidado a ser representante da empresa no Brasil e abriu seu escritório em 1974. Nascia assim a EDO, que hoje é a Flytour.

A empresa conta com mais de 2700 funcionários, espalhados por 220 escritórios. Fatura algo em torno de R$ 4 bilhões por ano e espera abrir mais 426 novas lojas até 2018.

Uma das marcas da gestão de Eloi é a valorização das pessoas. “Hoje eu tenho uma empresa, mas eu digo que as empresas não existem. Quem existe são as pessoas e são elas que fazem as empresas. Nada se faz sozinho, nenhuma grande estrela brilha sozinha”, afirma.

E ensina: “Eu tive uma trajetória extremamente difícil, mas eu posso dizer que foi uma grande oportunidade para mim. Eu consegui fazer muita coisa, e das coisas que eu fiz, eu aprendi. Aprendi que para conseguir alguma coisa você tem que guardar sua humildade. A arrogância é a maior ignorância de alguém. E eu sempre guardo isso comigo”.

Em todas as lojas da Flytour, há um sofá de dois lugares na recepção. Ele finaliza: “eu olho pra ele e já fico humilde. Na hora, lembro de onde saí”.