Tudo pronto e funcionando em 3 meses

Da Redação

Por Da Redação

13 de dezembro de 2017 às 17:00 - Atualizado há 3 anos

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*Texto por Paulo Caroli e Barbara Wolff Dick, Dick, Consultor Principal e Lead Designer da ThoughtWorks Brasil, respectivamente

Apple, Facebook, Spotify e AirBnB. O que essas empresas teriam em comum? Suas idealizadoras trabalharam de forma simples e efetiva, colocando produtos no mercado com rapidez e evoluindo com base na necessidade real das pessoas que utilizam seus produtos e serviços. Atitudes que minimizam seus gastos e fazem você existir no agora. Pois em tempos de inovação disruptiva — aquela que altera o seu negócio pela raiz — faz-se urgente saber lidar com a aceleração digital. Afinal, ninguém quer ser lembrada (ou esquecida) como a empresa que tinha tudo para ser feliz mas deixou oportunidade escapar por entre os dedos. Você não quer desperdiçar tempo, dinheiro e energia construindo um produto que não vai atender às expectativas de seu público final, certo?

O MVP, ou Produto Mínimo Viável, é a versão mais simples de um produto que pode ser disponibilizada com o menor esforço de desenvolvimento possível. Para seu esforço mínimo ser efetivo, é preciso entender as hipóteses que você estará testando e como validá-las. Então, a definição e o propósito de se ter um MVP são ajudar a validação e o aprendizado a respeito do seu produto da maneira mais rápida e com menos esforço possível.

A ideia de MVP está originalmente vinculada às ideias popularizadas pelo estilo Toyota de manufatura enxuta. Steve Blank, empreendedor do Vale do Silício, desenvolveu uma metodologia baseada no princípio de que o desenvolvimento de um negócio pode ser uma prática gerenciada a partir do desenvolvimento das suas usuárias. Esse mindset foi essencial para o início do movimento Lean Startup, o qual teve seu ápice com Eric Ries e o lançamento do seu livro, com o mesmo nome do movimento. Ries popularizou o termo MVP , mas o conceito sempre esteve em uso, especialmente entre as startups, empreendedoras e investidoras do Vale do Silício. Importante que você saiba: não é por entregar um MVP que o produto é ruim, simplório, incompetente. Não confunda inacabado com ruim, simples com simplório, incompleto com incompetente. O MVP deve ser possível de ser criado, fácil de usar, e ter um grupo de usuárias com uma necessidade ou desejo a serem resolvidos. Por mais simples que seja esse produto, se ele ajudar uma pessoa a sanar um problema, ele se tornará um produto incrível, e poderá trazer o fator “Uau” para quem o utiliza.

Mas o que é o fator “Uau”?

É aquilo que faz uma pessoa dizer: “Uau, mas isso é muito bom, eu quero mais.”

Pergunte para quem teve um iPhone 1.0. O produto estava inacabado, mas tinha o fator “Uau”. O iPhone 1.0 não tinha aplicativos de terceiros, não tinha GPS, não tinha copiar/colar. A ligação era pior do que nos outros aparelhos da época. Mas trazia inovação, integração e portabilidade para entusiastas da tecnologia em seus aparelhos celulares. E o iPhone não só trouxe isso como deixou suas usuárias querendo mais. Outro exemplo é o Netflix. Muita gente considera o super sucesso bem depois do começo, ou ainda acha que o Netflix é uma empresa super recente. Veja só como era uma das primeiras versões da página inicial do Netflix:

O MVP era factível, simples, e as pessoas queriam o serviço.

Uau.

E assim, o fator “Uau” não é um mistério guardado a sete chave pelas gigantes da tecnologia, ou algo muito longe da sua realidade. Se você sabe quem você gostaria de ouvir dizer “uau”, você já tem um belo começo. O fator “Uau” não vai ser impressionante por ele mesmo. É preciso colocá-lo na frente da pessoa certa. Isso é Customer Development. Não adianta você ter um produto pronto, funcionando, do jeito que você quer. Você não é a usuária. Sua consumidora está lá fora, esperando seu produto surpreendêla. Um produto mínimo não existe se ninguém quiser usá-lo. Entenda quem quer usar o que você quer fazer, e trabalhe junto a essa pessoa. Construa seu negócio lado a lado com quem se dispõe a consumir seu produto.

Para entregar o mínimo viável, a sua equipe precisa deixar muita funcionalidade para depois. É preciso compreender e priorizar o que compõe esse mínimo viável. Todo mundo pode — e deve, sonhar com um super produto de sucesso, repleto de funcionalidades. Mas devemos ser realistas: enquanto o produto não existe, tudo não passa de uma hipótese de negócio.

Não vamos dizer para você que uma conversa irá alinhar todas as pessoas envolvidas em um MVP. Sua equipe tem pessoas com papéis e perfis distintos. E cada um desses perfis irá propor algo diferente. Alguém vai dizer que, dada a realidade da tecnologia, é necessário ter isso e aquilo para atingir o mínimo viável. Enquanto isso, outra pessoa dirá que sabe o que as clientes querem, e sem as funcionalidades x e y, não chegaremos a um mínimo desejável. E mesmo se juntarmos tudo, vamos ter uma colcha de retalhos, fluxos de uso que não se completam, tecnologias desconexas, e não um MVP.

É preciso que as pessoas envolvidas conversem, e que essa conversa seja alimentada por um conhecimento mínimo das suas consumidoras e facilitada com técnicas desenvolvidas para melhorar a comunicação e sintetizar ideias. Daí vem a necessidade de um bom workshop, com uma sequência efetiva de atividades para alinhar todo mundo sobre o que deve ser feito (ou deixar de fazer). Esse workshop, que ganhou o nome de Inception Enxuta, e está descrito em detalhes no livro Direto ao ponto; criando produtos de forma enxuta.

Converse com o seu time. Conheça a sua usuária. Entenda o que você precisa fazer para que as pessoas sorriam quando lembrarem de você. Se grandes empresas começaram com MVPs que hoje podemos considerar tão primitivos, convença a sua equipe de fazer muito menos e alcançar muito mais.

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