Qual é o novo jeito de se trabalhar?

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Por Isabella Câmara

26 de setembro de 2018 às 19:00 - Atualizado há 2 anos

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O mundo está em constante mudança – e toda vez que uma nova geração surge, o medo se instaura no mercado de trabalho. Mas, muitas vezes, como resultado desse medo, e até de um certo “preconceito”, alguns gestores acabam não estando preparados para lidar com essas diferenças de gerações.

Quando um líder se depara com essa situação, segundo Hassan Callegari, Head Comercial da Love Mondays, não adianta ele chegar para a geração antiga e acabar com suas práticas, do mesmo modo que não é justo avisar a nova geração que ela precisa se ajustar ao método tradicional. “A empresa precisa fazer as duas gerações se conectarem”, disse o especialista durante um painel no RH Day, mediado por Nathalia Médici.

Além disso, a nova geração trouxe novas prioridades ao mercado de trabalho. Antigamente, segundo Hassan, ganhava a empresa que pagasse o maior salário, mas hoje isso também mudou. “O salário continua como algo importante, mas agora o ambiente de trabalho, a qualidade de vida e a flexibilidade de rotina também se tornaram essenciais”, disse.

De acordo com Santini, Consultora no Great Place to Work que também participou do painel, as empresas que não se adaptarem a isso ficarão para trás, uma vez que “quem já experimentou empresas boas de se trabalhar, dificilmente vão se acostumar com culturas quadradas e retógradas”, disse.

Cinthia Santini, também afirma que, apesar das dificuldades, é possível, sim, trabalhar com duas gerações ao mesmo tempo. “Eles não são opostos, são complementares”, disse. Diante desse cenário, de acordo com ela, o pior dos mundos é reclamar da nova geração. “Hoje as empresas reclamam tanto que os jovens são imediatistas que esquecem de olhar para o lado positivo dessa geração, isso as faz perder oportunidades, espaço no mercado e talento”, defende.

O papel do novo líder

Uma outra mudança que essa geração trouxe, além das “novas práticas para se trabalhar”, é a necessidade de um líder inspirador. “Hoje as pessoas se conectam também com pessoas, não só com as marcas”, disse Santini. Como uma das prioridades dos jovens, atualmente, é se desenvolver e aprender sempre, os líderes precisam estar preparados para adotar políticas e práticas que forneçam ferramentas para que isso aconteça.

Além disso, segundo Hassan, hoje as pessoas valorizam muito trabalhar com pessoas “gente boa”. Mas essa busca por uma empresa ideal também pode ser frustrante, tanto para a empresa quanto para o próprio colaborador – segundo ele, cerca de 60% das pessoas já desistem dos processos seletivos ao se depararem com uma experiência tradicional em um ambiente online.

Nesse contexto, segundo Santini, o novo líder precisa entender, de uma vez por todas, que por trás de um currículo há uma pessoa, com valores e personalidades distintas. “Quando a liderança exige muito a experiência técnica de um funcionário, ele acaba esquecendo que esse currículo é alguém, e isso frustra ambas as partes. Isso porque, hoje, o feat cultural está se tornando tão importante quando as qualificações técnicas para a sustentabilidade da empresa”, defende.

“Match” desde o processo seletivo

Com essa ideia de feat cultural em mente, Santini acredita que as empresas precisam ser sinceras e autênticas na hora de iniciar um processo seletivo. “Toda a empresa tem valores primordiais, na essência e na prática. Se isso não for exposto e capturado em cada processo seletivo, é possível que haja uma falha na contratação. O candidato precisa conhecer os valores da empresa antes de entrarem, até mesmo para decidir se quer fazer parte do time”.

A falta de Cinthia trás a tona a realidade fora do Brasil. Segundo Nathalia Médici, no Vale do Silício, quem disputa um candidato são as próprias empresas – não o contrário, como ocorre aqui no Brasil. Segundo Hassan, é exatamente isso que vai acontecer no Brasil nos próximos anos. Antes as pessoas viam videogames e ping-pong nas empresas como uma diferencial, mas hoje em dia, propósito, entrega de aprendizado e metodologia de trabalho são grandes diferencias que as empresas estão usando para atrair o candidato”, diz.

Mas, de novo, é preciso ser genuíno. “Não adianta ter todo um discurso para conquistar o candidato se o ambiente de trabalho é pesado”, diz Médici. Além disso, para Santini, cada empresa precisa fazer o que mais se encaixa com ela. “Não tem uma receita de bolo para conquistar candidatos. Não existe certo ou errado – tudo começa em um autoconhecimento corporativo, e isso envolve a todos. A partir desse momento, é possível pensar em algo específico para mudar a cultura da empresa”, diz.

De acordo com Hassan, o que menos uma pessoa pode fazer nesse novo mundo – no qual a empresa conquista o candidato -, é mentir. “Não adianta mentir porque você pode até atrair, mas não vai conseguir reter. O melhor de tudo é a transparência. Isso porque os pontos positivos vão encantar o funcionário, no pequeno, médio e longo prazo. E ao mesmo tempo, a frustração dele será menor ele vai entrar sabendo o que o espera. Isso transformará a empresa em mais amada e o clima mais amigável”, diz.

Seguindo a mesma ideia de Santini, Hassan acredita que “cada empresa precisa entender o que funciona para ela e, a partir disso, criar uma cultura nova, que se adeque essa nova realidade e forma de trabalhar, sem perder a essência da empresa”, finaliza.

Foto: Eduardo Viana