Ouvir mais é a grande chave para se ter liberdade suficiente para falar o quanto quiser

Segundo o CEO Dave Kerpen, o espaço para se desenvolver uma ideia com alguém só lhe será dado, se você também permitir que essa pessoa desenvolva o que bem entender antes de tudo

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Por Lucas Bicudo

29 de fevereiro de 2016 às 09:18 - Atualizado há 4 anos

Dale Carnegie, lá em 1936, já cantou a bola, em seu livro How to Win Friends and Influence People, para a dica que talvez seja a mais valiosa no mundo dos negócios e na vida: se você quer fazer que as pessoas simpatizem mais com você e com seu trabalho, simplesmente escute-as mais.

A questão é: segundo o autor, quando você encoraja uma pessoa a falar mais sobre determinado tipo de assunto e sobre suas experiências nele, ela acaba por sentir-se mais confortável e, consequentemente, livre para poder desenvolver questões relativamente íntimas com você. Coisa que não aconteceria em caso de sua dominância interativa, sempre muito propícia pela própria natureza humana.

Quase que um século depois das palavras de Carnegie, essa premissa ainda é bastante forte e assume conotações mais específicas quando adaptada para a frenética rotina de um mudo interligado digital e virtualmente.

Quem desenvolve bem essa realidade dos dias de hoje é o CEO da Likeable Local Dave Kerpen. Em seu livro The Art of People, Kerpen é direto e preciso quando diz “esteja interessado antes de ser interessante”. Ouça ativamente às ideias das pessoas e dê feedbacks, mostre interesse além do discurso básico de apresentação de determinado assunto.

“Escutar é apenas a habilidade mais importante e subestimada no mundo dos negócios e na vida” diz o autor para o site Business Insider. “Trata-se de algo que sempre podemos praticar, mas que poucos possuem vontade de”.

Claro que não é fácil, entretanto. Normalmente ideias novas geram expectativas e expectativas, consequentemente, geram animação. Segurar essa animação a ponto de não atropelar o discurso do outro é uma pratica a ser desenvolvida por todos. Mas isso não significa também não compartilhar uma ideia de toda a maneira, simplesmente porque a outra pessoa está falando; é ter a noção de quando e porquê essa informação deve ser colocada na mesa.

Um exemplo dado por Kerpen é sobre a presença do seu chefe de tecnologia Hugh, em reuniões da Likeable Local. “Trata-se do cara que mais sabe ouvir na minha equipe, de um jeito que às vezes você nem repara que ele está ali, porque ele é tão calado e sempre o último a falar. Mas quando ele fala, você percebe em seu discurso que ali tem, de fato, uma opinião formada e não somente uma resposta imediata ao que ouviu de bate pronto. É uma voz poderosa e sintetizadora acerca de tudo que discutimos até então e as pessoas confiam nele”.

Existe sempre uma vantagem competitiva em ser o último a falar.

E para finalizar, ele faz um lembrete importante que se deve ter em mente sempre: “lembre-se que as pessoas se importam mais com elas mesmas do que com você. Pessoas querem falar de seus problemas e de suas soluções; permiti-las esse momento é um passo adiante para você ganhar empatia tanto na vida, quanto em negócios e quaisquer tipos de relações entre seres humanos”.