O que é necessário para criar produtos e serviços extraordinários

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Por Vinicius David

19 de julho de 2018 às 11:02 - Atualizado há 2 anos

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Todos os anos, mais de 1 milhão de alunos se formam em uma carreira de curso superior no Brasil, nas diferentes áreas do conhecimento. Por outro lado, você sabe que um dos profissionais mais cobiçados em grandes empresas e startups em todo o mundo é o famoso gerente ou “head de produto”? E quantos deles estão contidos na estatística anterior? Zero! Isso mesmo, nenhum. Essa é a razão pela qual o mercado está inundado de marcas e produtos que ninguém quer comprar.

Não iremos resolver agora os problemas educacionais do Brasil, mas vamos debater o que um grande gerente/head de produto precisa entender e fazer para desenvolver artigos e serviços excepcionais com potencial de vendas em grande escala. Acredite, muitas empresas estão em guerra para equacionar esse problema.

1. Inovar significa resolver um problema universal

Há cem anos, os primeiros carros foram introduzidos a partir da ideia de que cavalos e carroças já não eram suficientemente velozes. O Uber nasceu quando seu fundador, Garrett Camp, alugou uma limusine e pagou US$ 800 por ela. Na tentativa de reduzir o alto custo do aluguel, surgiu a ideia de dividi-lo com amigos e o resto, bom, é história. Os carros autônomos em desenvolvimento hoje foram motivados, em parte, pelas mais de 1,3 milhão de mortes de pessoas que ocorrem todos os anos nas estradas no mundo em razão de erros humanos. Este trágico número, acredita-se, tende a desaparecer com a maturidade da inteligência artificial (IA) que alimenta os carros autônomos.

Os exemplos acima mostram que inovar não é o mesmo que inventar. Quando a Apple lançou o primeiro iPad, surgia uma categoria de produto computacional completamente nova, ou seja, uma invenção. Quando a mesma fabricante inovou e lançou o iPhone em 2007, ela estava revolucionando a indústria já existente de smartphones. Invenção origina novas categorias e, quando bem-feita, cria a necessidade de novos hábitos de consumo, ao passo que inovação representa a metamorfose de categorias e produtos já existentes. Ambas devem ser tratadas de forma distinta, pois implicam em ciclos de desenvolvimento, investimento de capital e natureza de talentos empregados bem distintos.

2. Disrupção e desenvolvimento de produto não acontece apenas dentro do escritório

O empreendedor serial e acadêmico Steve Blank, pai da metodologia Customer Development, que deu origem ao movimento Lean-Startup, tem um grande lema: Se você quer ver seu produto e startup decolar, saia do escritório e vá para rua.

Muitas grandes empresas tentam reinventar-se com seus funcionários trancados em salas para pensar e gerar novas ideias, perdendo a oportunidade de testar conceitos diretamente com o público. Um exemplo prático disso são os fundadores do Airbnb, que, no início, foram também os primeiros hóspedes da plataforma, ajudando os hosts (donos dos imóveis anunciados) a tirar as melhores imagens de suas casas e apartamentos, e escrevendo, eles mesmos, as primeiras avaliações no site.

Este simples apoio lhes permitiu vivenciar a real experiência de seus clientes com os produtos e daí surgiram muitas novas características do site. Os exemplos são inúmeros, mas a dica aqui, para que um produto seja bom, ou que tenha uma forte proposta de valor, é que ele seja desenvolvido a partir de insights vindos diretamente de seu público alvo. Idealmente, os responsáveis pelo produto também devem se relacionar diretamente com esse público alvo, na busca incessante de uma aderência ao mercado.

3. Grandes produtos criam uma forte conexão emocional com publico

Quando eu vi o vídeo de lançamento da HP Sprocket, não segurei minhas lágrimas, pois imediatamente pensei em minha filha Maria e como é grande meu amor por ela. Sem hesitar, comprei o produto e reproduzi o filme em nossa vida real. Imprimi algumas fotos que são adesivas e as coloquei na lancheira dela como uma surpresa para o recreio. Quando a peguei na escola ganhei um dos abraços e sorriso mais carinhosos do mundo. E essa singela história, começou a partir da emoção que senti ao ver o vídeo de um produto.

Gerentes de marketing de produto precisam ser fanáticos para envolver emocionalmente seu público alvo a fim de criar uma empatia imediata e duradoura com ele.

4. Produtos precisam apresentar equilíbrio entre Características, Preço e Valor (CPV) com seu público alvo

É muito comum ver ótimos produtos encalhados, pois o preço acaba sendo uma barreira, originada por custos altíssimos oriundos de características que muitas vezes não criam valor para um público específico. O segredo aqui é segmentar, entender os reais motivos que levam uma pessoa a comprar e qual o perfeito equilíbrio entre características, preço, valor e experiência do cliente.

Até pouco tempo atrás, isso era considerado arte, e apenas parcialmente revelado, com elevados investimentos em pesquisas de mercado arcaicas, net promoter score ( NPS) e satisfação de cliente ( C-SAT). Graças à inteligência artificial (IA), uma empresa prodigiosa chamada Worthix é agora capaz de explicar em tempo real o que leva um cliente a optar por um produto, bem como quantificar o preciso equilíbrio de CPV, acabando com vieses tradicionais de pesquisas manuais caras e sem capacidade de traduzir respostas em reais ações de desenvolvimento de produto.

Se sua empresa ainda se sustenta com NPS e C-SAT, cuidado. A Blackberry antes de sua derrocada tinha um dos NPSs mais altos de sua indústria, assim como a ToysRUs. Em resumo, a IA está transformando instintos em razão para aqueles que estão surfando nesta onda. Suba nela você também.

5. Efeito da rede

A medida que mais e mais pessoas aderem à internet, esta fica mais rica e robusta. Quanto mais amigos e familiares entram no Facebook e Instagram, melhor o produto fica para você. Este crescimento progressivo da quantidade de pessoas que participam da rede de um produto, fazem com que seu valor se amplie radicalmente. Isto gera uma oportunidade de monetização para as empresas, que organicamente passam a investir em mais características, dando origem a um ciclo virtuoso de desenvolvimento de produto, a um custo muitas vezes constante.

Pense nisto ao lançar um produto digital. Faça com que cada novo usuário traga uma unidade a mais de valor à rede e sua pequena startup, brevemente, se transformará em um fenômeno.

Inovação e gerenciamento de produto deixou de ser arte há tempos, dando origem a uma ciência capaz de combinar elementos de mercado, engenharia, marketing, antropologia e psicologia social. Ciência esta que leva à resolução de grandes problemas universais, impactando nossa sociedade, ao nos fazer emocionar e apaixonar por novos produtos e grandes invenções do mundo moderno.

Se você deseja entrar para este seleto grupo de distintos indivíduos à frente de produtos e serviços, levante-se de sua cadeira, saia do escritório e vá para a rua falar com o seu público. O novo, pode estar mais perto do que pensamos, mas é preciso deixar nossa zona de conforto para encontrá-lo.

E como ciência se aprende na escola, chegou a hora de questionar o ensino tradicional e perguntar quem serão os primeiros a formar jovens gerente produtos. Precisamos viralizar esta profissão na busca de uma sociedade melhor, inovadora e capaz de reinventar-se. Afinal, o que é preciso fazer para que um produto viralize?

*Vinicius David é um executivo de tecnologia, um apaixonado por desenvolvimento de talentos e fanático por impulsionar inovação. Conheça mais sobre o autor no LinkedIn, no Facebook e no Instagram.

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