Não é importante saber tecnologia, mas sim saber aprender, diz empreendedor sueco

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Por Paula Zogbi

18 de novembro de 2015 às 10:48 - Atualizado há 5 anos

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“Não podemos esperar estarmos certos para começar a tentar. Precisamos errar muito”. É com essa frase de efeito que Mikael Ahlstrom, fundador da Hyper Island, inicia sua palestra no evento Innovators Summit, que ocorreu entre 16 e 17 de novembro em São Paulo, com nomes do empreendedorismo e do investimento em um ciclo de debates.

A Hyper Island, criada em 1995, nasceu com a proposta de criar um novo modelo de educação para se enquadrar no mundo atual, que evolui muito rapidamente. “Não temos salas de aulas, professores, provas, lição de casa. Temos facilitadores. Eles não sabem nada sobre o universo digital, eles sabem, sim, formar pessoas que são boas em aprender constantemente”, afirma o empreendedor.

Aberto em 2014, o “education hub” de São Paulo, localizado na rua Oscar Freire, é o campeão em participação dos estudantes, segundo o site da organização. Também há unidades na Suécia, país natal de Mikael, no Reino unido, em Nova York e em Singapura, de acordo com ele.

Sobre a explosão de startups, tema que vem sendo comentado constantemente durante as palestras, ele afirma que as grandes empresas, bem como as pessoas, também devem estar em uma jornada constante de aprendizagem. “As empresas precisam se unir e aprender como otimizar o que elas têm, entrando na nova dinâmica da tecnologia”, crava.

Dados

Para Ahlstrom, o grande diferencial para quem se destaca atualmente é saber fazer uso dos dados a seu favor, com uma apresentação interessante. “De relatórios a números, tudo são dados que você deve inserir em um sistema. Se esses dados chamam a atenção, você consegue maior engajamento e consequentemente mais resultados”. Ele mostrou como exemplo a ferramenta Britny.Se, outra empresa que ajudou a criar, capaz de transformar dados de CVs em trailers que imitam Hollywood. “É uma das coisas mais ridículas que já vi na vida, mas fez com que as pessoas imediatamente quisessem entrar em seus LinkedIns e atualizar seus perfis”, garante.

Observar dados, afirma o especialista, é essencial para quem quer abrir um negócio. “Se eu fosse abrir um restaurante, usaria o Foursquare para saber onde as pessoas estão indo almoçar e o Klout para ver do que as pessoas influentes mais gostam. Isso pode mudar trimestralmente, é preciso fazer um estudo: uma avaliação positiva de uma pessoa influente, uma foto no Instagram, tudo isso gera retorno”, explica. “A rede funciona para facilitar a sua vida”.

Outro exemplo usado foi o da mídia: “esse app [flight radar] me mostra exatamente todas as informações sobre voos que me interessam em tempo real. Eu posso ver o avião no ar. Um dia desses recebi um alerta sobre preocupações em um voo que estava monitorando. Vi o avião realizar um pouso de emergência, mostrou até que ele não estava cambaleante. Isso só chegou à mídia três horas depois que eu assisti em tempo real. Se eu fosse jornalista, baixaria um app desses”, afirma. “Isso é desafiador até para o governo e dá poder ao usuário para saber exatamente o que está acontecendo”.

Privacidade é um mito

Ao ser questionado sobre privacidade, o empreendedor vai direto ao ponto: “as pessoas não se importam com isso. Elas acham que se importam, mas estão muito mais preocupadas com a facilidade. Se eu estou aqui em São Paulo, perdido e atrasado, eu quero que o Google saiba onde estou, para onde estou indo e para onde meu nariz está apontando”, acredita ele.

Na sua visão, a questão da invasão só passa a ser realmente um problema se as plataformas passam dos limites: “se você for longe demais, as pessoas vão ficar bravas. Mas se você for devagar demais, elas vão achar que você é burro. É preciso achar o equilíbrio”, conclui.