A missão (quase) impossível do fundador do Duolingo

José Eduardo Costa

Por José Eduardo Costa

11 de outubro de 2018 às 08:43 - Atualizado há 2 anos

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Luis von Ahn, empreendedor guatemalteco que vive nos Estados Unidos, se tornou conhecido por ter participado do desenvolvimento do sistema CAPTCHA — aquelas letrinhas distorcidas que você tem de digitar na hora de validar alguma coisa na internet. Em 2007, ele fundou a reCaptcha e dois anos depois a vendeu para o Google, por um valor não revelado. Mas Ahn não parou por aí e em 2011 fundou o Duolingo, uma plataforma online e aplicativo de ensino de línguas, que tem 300 milhões de usuários no mundo todo e foi avaliada em US$ 700 milhões no ano passado, segundo o site Techcrunch. Embora os seus críticos questionem a capacidade do Duolingo de sustentar o seu modelo de negócios, baseado nas receitas advindas de anúncios em dezenas de idiomas, a empresa se propôs um novo desafio: usar o seu popular aplicativo para reativar idiomas ameaçados de extinção.

Isso por que estudos mostram que quase metade das cerca de 7.000 línguas faladas em todo o mundo enfrentam dúvidas sobre a sua sobrevivência no longo prazo. De acordo com o linguista americano David Crystal, em entrevista a Time, publicada esta semana, as línguas estão sendo extintas a uma taxa de aproximadamente um idioma a cada três meses. Mas por que o Duolingo abraçou este desafio? “É algo que sentimos que tínhamos de fazer não só para preservar idiomas que estão morrendo, mas para torná-los populares novamente”, disse a Time Myra Awodey, a líder do projeto no Duolingo. A chave para revitalizar um idioma é garantir que as novas gerações o aprendam.

Por que isso Importa?

“Assim como nossa compreensão da história e da ciência se torna mais limitada quando uma espécie se extingue, nossa compreensão da humanidade se torna mais limitada com a extinção de uma linguagem”, diz Gary Holton, professor americano de linguística, especialista em idiomas ameaçados de extinção. As línguas estão sob ameaça por razões que vão desde desastres naturais até a globalização e o genocídio. O Duolingo recebe solicitações diárias para adicionar novos idiomas à sua plataforma, de basco ao escocês.

A tecnologia tem sido indispensável para ajudar a documentar idiomas ameaçados. Um movimento para salvar línguas decolou nos anos 90, depois que o linguista Michael Krauss fez a terrível previsão de que o próximo século veria a “morte ou destruição de 90% das línguas da humanidade”. E a revolução digital trouxe ferramentas para ajudar: a habilidade para gravar digitalmente idiomas diversos e transcrever palavras, arquivar dialetos e criar repositórios que especialistas e apoiadores possam compartilhar.

Embora a tecnologia possa trabalhar a favor da preservação de idiomas, também é uma das forças que ameaça extinguir as línguas. A Internet é dominada por poucos idiomas como o inglês, o chinês e o francês. Um estudo de 2013 sugeriu que apenas 5% das línguas têm uma chance de prosperar no mundo digital e que há evidências de uma extinção em massa causada pela exclusão digital. Os falantes de línguas minoritárias frequentemente enfrentam um “trade-off”: para tirar proveito das ferramentas digitais, precisam fazê-lo em uma linguagem diferente da sua. De forma que a próxima geração, dizem os especialistas, é desencorajada a investir o seu tempo mantendo viva sua língua natal.

E a Siri e a Alexa com isso?

O gerente de produtos do Duolino, Robert Shapiro, cita o “case” da Irlanda como um projeto piloto bem-sucedido. Em 2014, o Duolino lançou o seu curso neste idioma e havia uma estimativa de que existiam 100.000 falantes nativos da língua irlandesa. Hoje, quatro anos depois, 4 milhões de pessoas se envolveram no aprendizado do idioma por meio do aplicativo, um feito que conquistou a empresa – e voluntários que ajudaram nas traduções. A iniciativa repercutiu de tal forma que recebeu agradecimentos públicos do presidente da Irlanda, Michael D Higgins, em 2016.

O Duolingo não é a única empresa a estar atenta para a extinção de idiomas. Há alguns anos, a Oxford University Press lançou uma iniciativa chamada Oxford Global Languages, cujo foco é impulsionar idiomas “digitalmente sub-representados”, aqueles que podem ter milhões de falantes, mas poucos deles online. O time de Oxford elaborou dicionários digitais para idiomas como hindi, malaio, indonésio e romeno. É um trabalho primário para construir referências que um dia vão possibilitar a Siri ou a Alexa auxiliar uma pessoa que fale um destes idiomas.