O que você pode aprender com a estratégia jet ski do iFood

José Eduardo Costa

Por José Eduardo Costa

27 de Maio de 2020 às 00:12 - Atualizado há 2 meses

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A pandemia do coronavírus reforçou o princípio darwiniano que diz que são os organismos melhor adaptados ao meio àqueles que têm maiores chances de sobrevivência. Neste momento, as empresas mais ágeis, adaptáveis e resilientes são as que tem maior chance de prosperar.

“Em tempos de pandemia, a capacidade de se reinventar, de inovar, de se adaptar, de testar coisas novas e aprender é ainda mais importante”, diz Fabricio Bloisi, CEO do iFood.

Em abril, o iFood registrou o número recorde de 30,6 milhões de pedidos – uma média de um milhão de entregas por dia durante a pandemia. Segundo o CEO do iFood, “a cada poucos meses” a empresa reinventa seus produtos, a sua estrutura e refaz as suas apostas. “Para mim este é nosso principal ativo”, diz.

Mas como isso acontece no dia a dia?

O iFood tem equipes autônomas que trabalham para rapidamente construir e testar novas ideias. Quando o teste é avaliado como positivo, essa mesma equipe fica encarregada de dimensionar o projeto para que ele escale. Essas equipes autônomas são chamadas de jet skis e suas missões precisam estar alinhadas com os objetivos estratégicos dos negócios. Do contrário, nem começam.

As equipes jet ski são formadas por times multidisciplinares, de quatro a seis funcionários, de diferentes origens, incluindo líderes de unidades de negócios, gerentes de produto e uma equipe dedicada de engenheiros de software. “É muito importante escolher os membros das equipes jet ski com sabedoria”, afirma Bruno Henriques, vice-presidente de inovação e inteligência artificial do iFood.

De acordo com Bruno, os membros da equipe devem ser flexíveis e confortáveis ao assumir riscos. Ele conta que os candidatos à equipe de jet ski são selecionados com base no teste Myers Briggs (MBTI). Funcionários que alcançam alta pontuação na escala “N” (Intuição) tendem a gostar e a prosperar no ambiente de incerteza.

Normalmente, afirma Bruno, uma equipe jet ski é formada por pessoas especializadas em negócios, produtos, engenharia, dados e Inteligência Artificial. Eles trabalham juntos por três a seis meses para descobrir se sua missão é viável e ajudarão a agregar valor à visão e estratégia de longo prazo da organização.

De jet ski a lancha rápida

Para que as equipes jet ski sejam mais eficazes e ganhem força rapidamente, é importante dar-lhes total autonomia e autoridade para assumir riscos e aprender com eles. É importante manter o ambiente de teste como uma área de controle. Por exemplo, lançando uma nova oferta em uma cidade pequena primeiro.

Tudo o que é aprendido durante o período de experimentação é posteriormente compartilhado com um time sênior. A cada 15 dias, as equipes jet ski discutem resultados e progressos com os executivos para avaliar feedbacks e possibilidades de melhorias. Hoje, o ambiente de negócios muda muito rápido, por isso a velocidade do ajuste e da execução é muito mais importante que a execução perfeita.

“É importante avaliar os projetos de jet ski rapidamente, a cada duas semanas, e decidir matá-los, mudar de rumo ou adicionar mais recursos à medida que eles se expandem para ‘lanchas rápidas’”, diz Bruno. Para ter sucesso e ter a oportunidade de crescer e se tornar “lanchas rápidas”, os jet skis precisam de suporte tecnológico.

Enfim, o cliente

É essencial investir recursos de tecnologia nos projetos a cada “sprint” para que a equipe de TI possa fazer ajustes, executar análises de dados ou fornecer desenvolvimento ágil de software. Não é esperado que os times jet ski proponham soluções perfeitas. “Achamos que é melhor desenvolver as soluções mais simples possíveis, testá-las, obter informações e seguir rapidamente”, diz Bruno.

Se, após um período relativamente curto de trabalho não houver “terra à vista”, isto é, se não houver possibilidade de explorar comercialmente o projeto ou então as hipóteses iniciais não resistirem aos testes, o trabalho é dado como encerrado e o jet ski é desmontado. E cada funcionário volta a sua atividade regular. Ninguém é demitido quando um projeto dá errado, garante o iFood.

Quando o contrário acontece e o projeto passa pela fase de teste – e o custo, em termos de tempo e recursos, é razoável – é hora da prova de fogo: a experiência com os clientes. A partir dos feedbacks dos clientes são feitos novos ajustes até que o produto ou serviço se consolide ou vire um novo negócio.

“No iFood, normalmente implantamos até seis equipes jet ski de uma vez a cada seis meses. Alguns emergirão como contendores fortes e se transformarão em ‘lanchas rápidas’. Outros poderão afundar após colidir com um iceberg. Ou podemos simplesmente aprender que o conceito da missão que alinhamos não é adequado para o navio transatlântico, afinal”, conclui Bruno.

Se você deseja retomar ou acelerar o crescimento da sua empresa, considere lançar os seus próprios jet skis. Comece pequeno, experimente novas abordagens para os seus projetos, aprenda a falhar rapidamente e a imediatamente ajustar a rota. Com o tempo, alguns deles vão acelerar e fazer o seu negócio crescer.

Estratégias de crescimento e inovação, como esta do iFood, são a base do Programa Exponencial da Retomada, da StartSe. Conheça o programa e inscreva-se aqui. O artigo completo, escrito por Bruno Henriques, o VP de inovação e inteligência artificial do iFood, sobre a metodologia jet ski pode ser lido aqui.